quinta-feira, 22 de maio de 2014

Sem o peso do mundo nos ombros

 Por Noeme Rodrigues De Souza Campos

Assim como passa a juventude, passa também a beleza, a saúde, o vigor... Será que é preciso esperar passar tudo isso pra saber que sou frágil demais diante da inexorável realidade que a vida me apresenta? Não preciso esperar. Me rendo antes do fim.

Já entendi que não é seguro confiar no humano. Ninguém é forte o tempo todo, nem é inteligente o bastante. Ninguém é paciente e amoroso o suficiente. Nenhum sentimento humano é estável. Não há recursos financeiros à prova de todas as crises, nem recursos que resolvam qualquer situação.

Governos e organizações sociais são impotentes diante da complexidade dos problemas humanos: há dores demais no mundo; intolerância, corrupção, crueldade, insanidade...Os problemas vão muito além da questão econômica.

Diante disso, não faz sentido apoiar-me no que é humano. Nenhum ser humano tem condições de preencher de amor e sentido minha existência. Nenhuma estrutura humana pode dar-me segurança.

Também sei que é inútil apoiar-me em mim mesma. Já vivi o suficiente para saber que é tolice tentar, como uma criança, segurar com força o que está ao meu alcance, como se isso significasse posse. Nada é meu. Nem as coisas, nem as pessoas,nem o tempo, nem as circunstâncias, nem a vida, nem eu mesma. Existe algo sobre o qual eu possa dizer:"tenho controle"? Definitivamente, não! Portanto, sei que não sou " dona do meu nariz".

É por isso que me rendo. Me entrego, diante do Autor disso tudo! Medir forças com Ele? Já abandonei as pretensões da criança birrenta. Lutar? Com que armas? Todas elas são dEle, incluindo minha capacidade intelectual e, portanto, qualquer possibilidade de argumentação - a origem dos meus argumentos é Ele.

Então desisto. Desisto de querer ser Deus. Desisto de querer carregar o peso do mundo sobre os ombros. Quero ser somente, e tudo, o que Ele planejou que eu fosse. Quero viver um dia de cada vez, sabendo que tudo está sob o controle dEle. Quero a segurança e a esperança que existem nEle, para viver, morrer e viver...

sexta-feira, 16 de maio de 2014

PROTAGONISTA

Por Pedro João Costa

Não somos diretores
De nossas vidas,
Quando fui formado,
Momento sublime,
Aceitei ser,
NEle e por Ele,
O protagonista.

Não sou,
Ele é!
Nunca fui senhor de mim.
Do "meu viver"
Resta-me, sempre,
Só o pecado.

A ideia histórica
Que me percebo,
Quando a percebo,
É puro poder divino.

Ah! Bendito Criador,
Meu guia fiel,
O sentido e o motivo
De ser protagonista
No propósito
Do Rei Universal:
Que os seus filhos "atuem"
No Eterno Amor dO Pai.

Pedro João Costa (24/04/14): Colaborador deste blog desde 2010. 

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Jesus, a igreja e as pessoas (i)morais

Por Ed René Kivitz

Passando por ali, viu Levi, filho de Alfeu, sentado na coletoria, e disse-lhe: “Siga-me”. Levi levantou-se e o seguiu.
Durante uma refeição na casa de Levi, muitos publicanos e “pecadores” estavam comendo com Jesus e seus discípulos, pois havia muitos que o seguiam.
Quando os mestres da lei que eram fariseus o viram comendo com "pecadores" e publicanos, perguntaram aos discípulos de Jesus: “Por que ele come com publicanos e ‘pecadores’?”
Ouvindo isso, Jesus lhes disse: “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Eu não vim para chamar justos, mas pecadores”.
(Marcos 2.14-17)

Fariseus, escribas, publicanos e pecadores. Os fariseus, nome que significa “separados”, eram o mais ortodoxo e rigoroso segmento do judaísmo dos dias de Jesus. Eles se consideravam “o verdadeiro Israel”. Os escribas, também chamados doutores da Lei, eram estudiosos e mestres da Torah, o texto sagrado dos judeus. À época os judeus eram colônia romana e pagavam impostos exorbitantes a Roma. Os publicanos eram os coletores de impostos nas províncias e colônias romanas. Além de serem considerados traidores de Israel, eram repudiados pelos fariseus e mestres da Lei, pois não apenas faziam o serviço sujo para Roma, como também estavam envolvidos em corrupção, cobrando impostos abusivos em benefício próprio.

Jesus estava à mesa com os pecadores e publicanos. O que surpreende, entretanto, não é que Jesus esteja à vontade na companhia de gente mal falada, mas que pessoas de reputação duvidosa e moral escandalosa se sintam perfeitamente à vontade na mesa de Jesus. Há razões para este aparente paradoxo.

Jesus não usava sua autoridade para se distinguir, mas para seduzir. O biógrafo de Jesus, Marcos, parece desenvolver sua narrativa de modo a nos conduzir propositadamente a essa cena. Apresenta Jesus ensinando com uma autoridade jamais vista anteriormente, e contrapondo seu ensino ao modelo dos religiosos escribas e fariseus. Admiradas, as pessoas se perguntavam a respeito de Jesus: o que é isso? Um novo ensino? De onde vem essa autoridade?” (Marcos 1.22,27). Os mestres de Israel formavam uma casta iniciada na Torah, e por isso se julgavam acima do povo simples, com quem falavam assentados “na cadeira de Moisés”. Jesus se misturava entre as gentes, e enquanto falava compartilhava os mistérios do reino de Deus a quem estivesse de coração aberto. Geralmente os pecadores estavam mais prontos a ouvir, pois não se sentiam intimidados nem menosprezados por Jesus. Sim, Jesus revela mistérios espirituais aos simples.

Jesus não usava seu poder para destruir, mas para promover libertação. Os demônios devem temer a Jesus. Os seres humanos, não. Diante de Jesus os espíritos maus davam passos para trás, em tom suplicante para que não fossem destruídos (Marcos 1.23-26). Jesus não ameaça os seres humanos com seu poder espiritual. Não é um feiticeiro gerando medo, adulação indevida e subserviência. Diferentemente dos neofariseus, Jesus coloca os homens em pé, os ensina a andar com suas próprias pernas e os conduz à autonomia responsável e reverente a Deus. Sim, Jesus expulsa demônios e liberta seres humanos.

Jesus não usa sua pureza para segregar, mas para abraçar os excluídos. O leproso que de Jesus se aproxima sabe que pode ser purificado. Na tradição de Israel, o leproso era impuro, e todo aquele que com ele tivesse contato se tornaria igualmente impuro. Mas Jesus, ao tocar o leproso, purifica o leproso. Com o seu toque, em vez de ser maculado pela lepra, transfere sua pureza ao leproso (Marcos 1.40-42). Sim, Jesus abraça os impuros.

Jesus não usava seu crédito para condenar, mas para oferecer perdão. O paralítico que lhe é apresentado tem seus pecados perdoados (Marcos 2.5-7). Os religiosos, partindo do princípio que perdoar pecados é prerrogativa divina, expressam sua contrariedade. Jesus poderia lhes estender a mão: “Muito prazer, Deus em carne e osso”. Sabedor de seu direito e do débito dos homens, Jesus estende a mão como oferta de aproximação, pacificação e reconciliação. O olhar de Jesus não é condenatório. Sua voz não é acusadora. Seu tom não é moralista. Sua mensagem não é de juízo, mas de salvação. Não vem para promover “o dia da vingança de Deus”, mas para anunciar “o ano da graça do Senhor”. Sim, Jesus perdoa pecados. 

Jesus não usa sua tradição religiosa para se eximir das dores do mundo, mas para promover a vida. Os religiosos querem saber se é lícito curar no sábado (Marcos 3.1-6). A interpretação de que guardar o sábado implica indiferença ao sofrimento humano é absolutamente rejeitada por Jesus. A Torah é caminho de vida e não pode ser usada para garantir aos religiosos o lugar confortável e asséptico da indiferença ao ser humano que sofre. O sábado foi criado para o homem, e não o homem para o sábado, ensinou Jesus (Marcos 2.17). Sim, Jesus usa sua religião em favor da vida. 

Devem ser temidos os homens que se valem de sua autoridade e poder espiritual para intimidar e abusar de gente simples, sua pretensa superioridade moral para segregar os pecadores, sua pseudo virtude para condenar os que não se encaixam em seus padrões de pureza, sua religião para lavar as mãos enquanto o mundo chora.

De fato, não surpreende que publicanos e pecadores se sintam à vontade na companhia de Jesus. A mesa está posta: partilha dos mistérios divinos, ação que promove libertação, abraços de inclusão, oferta de perdão, compaixão, solidariedade e generosidade. 

Para quem imagina que Jesus é condescendente com pecados, coração corrupto, e comportamento imoral, é importante sublinhar que chamava todos ao arrependimento. Não legitimava a vida torta. Mas não olhava torto para ninguém. Aliás, olhava sim. Olhava torto para os que acreditavam que não precisavam se arrepender.

• Ed René Kivitz é pastor da Igreja Batista de Água Branca, em São Paulo. É mestre em ciências da religião e autor de, entre outros, “O Livro Mais Mal-Humorado da Bíblia”.

Fonte: http://www.ultimato.com.br/conteudo/jesus-e-os-pecadores-a-igreja-e-as-pessoas-imorais

quarta-feira, 7 de maio de 2014

O Deus Presente

PorJoão Ribeiro Oliveira

A Bíblia não começa com um grande conjunto de argumentos para provar a existência de Deus. Não começa com uma abordagem profunda, nem com algum tipo de analogia adjacente ou algo semelhante. A Bíblia apenas diz: "No princípio...Deus" (Gen 1.1). 

Ora, se os seres humanos fossem o teste de tudo, isso não faria sentido porque, neste caso, teríamos o direito de assentar-nos e julgar sobre a probabilidade da existência de Deus, avaliarmos as evidências e sairmos com certa possibilidade de que talvez exista algum tipo de deus. Assim, nos tornaríamos juízes de Deus. Mas o Deus da Bíblia não é assim. 

A Bíblia começa de maneira simples, porém categórica: "No princípio...Deus". Ele existe. Ele não é objeto que nós avaliamos. Ele é o Criador que nos fez, e isso muda toda a dinâmica.

Fonte: http://www.ultimato.com.br/comunidade-conteudo/o-deus-presente

domingo, 4 de maio de 2014

In-diferença

Por Pedro Paulo

Domingo passado (27 de abril), durante a partida entre Barcelona e Villareal pelo campeonato espanhol, um torcedor atirou uma banana perto do jogador brasileiro Daniel Alves, que num gesto rápido, comeu a fruta. Eu particularmente, achei muito positivo que o jogador não tenha feito nenhum gesto obsceno àquela tentativa de ofensa.

Esse fato gerou repercussão imediata na mídia e produziu essa declaração ("Eu também gosto de bananas") que vem sendo feita por jogadores, artistas, pessoas famosas e se espalha pelos quatro cantos do mundo em um ato de indignação contra o racismo e a favor da atitude do jogador brasileiro.

Atitudes racistas contra jogadores e outras classes de pessoas tem sido muito comum e infelizmente continuarão ocorrendo em todo o mundo. Não pretendo afirmar qual seria a melhor forma de repúdio que merece um tolo que comete esse tipo de crime. No livro de Provérbios 13.16, temos: "Todo prudente age com conhecimento, mas o tolo espraia a sua loucura".

A in-diferença que as pessoas manifestam pelos outros é um grande pecado que demonstra falta de amor. O des-amor é o oposto do ensinamento nas Sagradas Escrituras, pois ela nos revela que "Deus é amor". Em I João 4.8 lemos assim:"Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor".

Ainda temos em I João 4.20: "Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê". A intolerância, o racismo e outras formas de indiferenças que muitos tem usado para excluir as pessoas da sua maneira de pensar, são atitudes de quem não tem a capacidade de amar. Simplesmente, é isso...

Fonte: http://razaodaindignacao.blogspot.com.br/

quarta-feira, 30 de abril de 2014

O trabalho para a glória de Deus

John Stott
Deus organizou deliberadamente a vida de tal maneira que ele precisa da cooperação dos seres humanos para o cumprimento dos seus propósitos. Ele não criou o planeta terra para ser produtivo por si mesmo; os seres humanos tinham que subjugá-lo e desenvolvê-lo. Ele não fez um jardim cujas flores se abririam e os frutos amadureceriam por conta própria; ele designou um jardineiro para cultivar a terra. Chamamos isso de “mandato cultural” que Deus deu à raça humana. “Natureza” é o que Deus nos dá; “cultura” é o que nós fazemos com ela. Sem um agricultor humano, todo jardim ou campo se degeneraria rapidamente, transformando-se num deserto.
Na verdade, Deus fornece o solo, a semente, o sol e a chuva, mas nós temos que arar, plantar e colher. Deus fornece as árvores frutíferas, mas nós temos que podá-las e apanhar os frutos. Como Lutero disse certa vez num sermão sobre Gênesis, “Pois por seu intermédio Deus trabalhará todas as coisas; ele vai ordenhar as vacas e desempenhar as tarefas mais humildes por meio de você, e todas as tarefas, da maior até a menor, serão agradáveis a ele”. De que valeria a provisão que Deus faz para nós de uma vaca cheia de leite se nós não estivéssemos lá para ordenhá-la?
Assim, há cooperação, na qual nós realmente dependemos de Deus, mas na qual (acrescentamos reverentemente) ele também depende de nós. Deus é o Criador; o homem é o agricultor. Cada um necessita do outro. No bom propósito de Deus, criação e cultivo, natureza e criação, matéria-prima e perícia profissional humana são indissociáveis.
Esse conceito de colaboração divino-humana é aplicável a todas as tarefas honrosas. Deus se humilhou e nos honrou ao fazer-se dependente da nossa cooperação. Observe o bebê humano, talvez a mais desamparada de todas as criaturas de Deus. As crianças são, sem dúvida, “presentes do Senhor”, embora a procriação seja, em si mesma, uma forma de cooperação. Depois do nascimento, é como se Deus lançasse o recém-nascido nos braços da mãe e dissesse: “Agora você cuida”. Ele confia aos seres humanos a criação de cada criança. Nos primeiros dias o bebê parece até ser parte da mãe, de tão próximos que os dois estão. E por muitos anos as crianças são dependentes de seus pais e professores.
Até mesmo na idade adulta, apesar de dependermos de Deus para a própria vida, dependemos uns dos outros para as necessidades da vida. Isso inclui não apenas as necessidades básicas da vida física (alimento, vestuário, habitação, afeto, segurança e cuidados médicos), mas também tudo que engloba a riqueza da vida humana (educação, recreação, esportes, viagens, cultura, música, literatura e as artes), para não mencionar a nutrição espiritual. Assim, qualquer que seja nosso trabalho – em uma das profissões (ensino, medicina, leis, serviços sociais, arquitetura ou construção), nas políticas nacional ou local ou no serviço civil, na indústria, no comércio, no cultivo do solo ou na mídia, em pesquisa, na administração, no serviço público ou nas artes, ou em casa – devemos vê-lo como sendo cooperação com Deus. As palavras de Ambroise Paré, o cirurgião francês do século 16 que algumas vezes foi descrito como “fundador da cirurgia moderna”, estão inscritas no muro da École de Médicine em Paris: “Eu fiz o curativo no ferido; Deus o curou”.

• Trecho retirado de Os cristãos e os desafios contemporâneos, de John Stott.

domingo, 27 de abril de 2014

Princípio ativo do placebo

Por Leonel Elizeu Valer Dos Santos

“Visto que entristecestes o coração do justo com falsidade, não o havendo eu entristecido;” Ez 13; 22

Em Sua diatribe contra os falsos profetas de Israel, Deus admite que entristece, eventualmente, mesmo os justos; nunca, porém, com falsidade. Todavia, os mercenários da época encorajavam aos maus e entristeciam aos bons ante o Eterno, o que Ele denunciou veemente: “E vós me profanastes entre o meu povo, por punhados de cevada, e por pedaços de pão, para matardes as almas que não haviam de morrer, e para guardardes em vida as almas que não haviam de viver, mentindo assim ao meu povo que escuta a mentira?” v 19

A corrupção religiosa, essa vetusta prostituta era atuante, então. Não que a palavra dos profetas tivesse, estritamente, poder de matar alguém. Mas, ao encorajar o erro por interesse, abonavam aos desprezíveis ante O Criador, a desviavam aos justos que, uma vez rejeitados, não viam razão mais para seguir agindo assim. O Salmista, aliás, dissera que o prolongado império da injustiça acaba desencorajando a perseverança dos justos; “Porque o cetro da impiedade não permanecerá sobre a sorte dos justos, para que o justo não estenda as suas mãos para a iniquidade.” Sal 125; 3

São raras as têmperas que, mesmo cercadas de toda sorte de injustiça conservam-se como ilhotas de honra e caráter, como fora Ló: “... o justo Ló, enfadado da vida dissoluta dos homens abomináveis... afligia todos os dias a sua alma justa, vendo e ouvindo sobre as suas obras injustas;” II Ped 2; 7 e 8

Lato sensu, sofremos mais reflexos horizontais, dos exemplos humanos, que verticais, da Palavra de Deus, infelizmente. E falsidade em nosso meio já não é um lapso, antes, um jeito de ser, salvas, raríssimas exceções. Essa “qualidade” assoma mais robusta em datas religiosas como agora, na “semana santa”, ou no Natal, por exemplo.

Nossos vícios seguem intactos, entretanto, os fazemos brilhar com verniz religioso. Teatros gigantescos são montados mundo afora para encenar a “Paixão de Cristo”, por gente cujo modo de vida denuncia que não está nem aí para Ele e Seu Reino.

Mas, diria alguém, que mal tem por em relevo o que Ele fez, afinal, um feito de tal monta não deve cair no esquecimento? Não sei se tem algum mal, mas, podemos investigar melhor isso.

A independência do Brasil é um feito histórico que rememoramos todos os anos. Entretanto, não nos reunimos num pelotão de cavalarianos e vamos às margens do Ipiranga repetir o gesto de Dom Pedro I. Trazemos à memória de outro modo igualmente válido e mais abrangente.

Acontece que os que usam a Saga de Cristo como roteiro pronto para mero entretenimento não honram à Sua memória, antes, profanam. Aos que, de fato, se importam com a Vontade do Rei, a forma de memorar Seu Feito é distinta: “E, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha.” I Cor 11; 24 a 26

Os coevos do Salvador também tinham lá seus memoriais hipócritas que Ele denunciou como um tiro no pé: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que edificais os sepulcros dos profetas e adornais os monumentos dos justos, e dizeis: Se existíssemos no tempo de nossos pais, nunca nos associaríamos com eles para derramar o sangue dos profetas. Assim, vós mesmos testificais que sois filhos dos que mataram os profetas.” Mat 23; 29 a 31

Acontece que esses teatrinhos com mensagens ocas que padecem de fidelidade bíblica ensejam uma emoção falsa; uma tristeza com pena de Cristo, não com vergonha de si mesmo, como convém a quem ouve a genuína Palavra de Deus, geratriz da fé.

Sim, mesmo a tristeza pode ser falsa, mera droga emocional com a “eficácia” de um placebo, coisa que, aliás, Paulo ensinou expressamente: “Agora folgo, não porque fostes contristados, mas porque fostes contristados para arrependimento; pois fostes contristados segundo Deus; de maneira que por nós não padecestes dano em coisa alguma. Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte.” II Cor 7; 9 e 10

A tristeza segundo Deus, pois, é medicina da alma, correção necessária por causa do amor. “Pois, ainda que entristeça a alguém, usará de compaixão, segundo a grandeza das suas misericórdias.” Lam 3; 32

Fonte: http://www.ultimato.com.br/comunidade-conteudo/principio-ativo-do-placebo