quarta-feira, 5 de novembro de 2014
Toda autoridade no céu e na terra
Por Roland Barnes
Quem tem autoridade para mandar em outros? O que dá a alguém o direito de mandar em alguém? Essa questão pode ser levantada em relação a todas as áreas da vida: a vida em família (pais), a vida na igreja (pastores, presbíteros), a vida civil (governantes, reis e assim por diante). Quem autoriza os pais, pastores, presbíteros e reis a governarem em suas respectivas esferas?
É digno de nota que, antes de Jesus comissionar seus discípulos em Mateus 28.18-20, ele asseverou a sua autoridade para fazê-lo. Havendo realizado a obra da redenção, ele antecipou sua ascensão e coroação, aquele ponto em que ele haveria de se assentar à destra do Pai e receber o nome que está acima de todo nome nos céus e sobre a terra (Efésios 1.20-23).
Autoridade é o direito de governar, de mandar, de exercer domínio. A palavra grega exousia, traduzida para o português como autoridade em Mateus 28.18-20, literalmente significa “aquilo que emerge do ser”. É o direito de governar que emerge das presentes condições (estado de ser) ou da relação em que alguém se encontre. Um pai tem o direito de governar em virtude da relação ordenada por Deus que o pai tem com seu filho. Jesus tem o direito de governar em virtude do seu presente estado de ser, ou condição, como aquele que venceu o pecado, a morte e o inferno.
Assim, antes de o Senhor Jesus comissionar os seus discípulos, ele asseverou a sua autoridade para fazê-lo. Eis aqui a reivindicação de autoridade universal e ilimitada. Devemos notar primeiro a fonte de sua autoridade: ele a recebeu de seu Pai. Em seu estado de humilhação (a sua vida terrena antes da ressurreição), ele possuía autoridade, mas havia voluntariamente limitado o seu exercício. Contudo, em algumas ocasiões ele a asseverou com grande poder.
Durante o seu ministério, a sua autoridade era manifestada no modo do seu ensino (Mateus 7.29), ao assegurar o perdão de pecados (9.6), ao acalmar o mar (8.26), ao curar toda sorte de enfermidade e doença (9.35), ao expulsar demônios (12.22) e ao obter a vitória sobre a própria morte (João 11.43).
Mas todos esses exercícios de autoridade não eram senão manifestações pálidas da autoridade ilimitada e universal que lhe foi devolvida pelo Pai em sua exaltação.
[...] Veja o desenvolvimento final do texto: Leia o artigo completo
Rev. Roland Barnes é pastor sênior da Trinity Presbyterian Church (PCA) em Statesboro, Ga. Ele também faz parte da diretoria da Sociedade Missionária Cristã (Christian Missionary Society).
Fonte: http://voltemosaoevangelho.com/blog/2014/10/toda-autoridade-ceu-e-na-terra/
domingo, 2 de novembro de 2014
Há muito tempo algo maravilhoso aconteceu
Por Elben César
Há muito tempo Deus deu uma ordem, e os céus e a terra foram criados. (2Pe 3.5)
Para Pedro e para o povo eleito do Antigo e do Novo Testamento não havia a menor dúvida, a menor especulação e a menor confusão: “No começo [o mais remoto de todos] Deus criou os céus e a terra” (Gn 1.1). Mais ainda, o universo veio à existência graças a uma ordem dada pelo soberano Deus. Isso fazia parte da cultura judeu-cristã.
A fonte primária dessa simples verdade encontra-se no primeiro capítulo da Bíblia. Nessa página, a expressão “Deus disse” aparece nove vezes. As coisas foram surgindo uma após a outra em resposta ao “Deus disse”: a luz, o céu e a terra, a terra seca (os continentes) e os mares (oceanos), as plantas e árvores, o dia e a noite, os seres vivos de todas as espécies e os seres humanos.
Durante um longo período de tempo não houve controvérsia em torno dessa singela e tremenda versão: “Há muito tempo Deus deu uma ordem, e os céus e a terra foram criados”. Hoje é um problema desnecessário para boa parte dos universitários e cientistas. A luz da história da criação, segundo a versão confiável das Escrituras, se apagou para muita gente, que tem uma lanterna na mão para descobrir a origem de tudo.
Por causa dessa herança histórica, muitos poemas têm sido escritos. Talvez o mais bonito de todos seja o Salmo da grandeza do Deus de Israel, escrito pelo profeta Isaías (muito tempo depois da criação e setecentos anos antes de Cristo). Logo no início se lê:
“Quem mediu a água do mar com as conchas das mãos ou mediu o céu com os dedos? Quem, usando uma vasilha, calculou quanta terra existe no mundo inteiro ou pesou as montanhas e os morros numa balança?” (Is 40.12-31).
>> Por ter criado todas as coisas, Deus é digno de receber glória, honra e poder!
>> Retirado de Refeições Diárias com os Discípulos. Editora Ultimato.
Fonte: http://ultimato.com.br/sites/devocional-diaria/2014/10/24/autor/elben-cesar/ha-muito-tempo-algo-maravilhoso-aconteceu/
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
Algo mais seguro: inspiração e autoridade da Palavra
Por Kevin De Young
Texto base: 2 Pedro 1.16-21
Pedro escreveu esta carta combatendo falsos mestres que ensinavam que a graça de Deus dá permissão para pecar. Uma das motivações para buscar a piedade é a volta de Cristo e a certeza da volta de Cristo está fundamentada em (1) testemunhas oculares (e não em mitos v.16; 2 Tm 4.3-4) e em (2) fontes autoritárias.
Essa fonte autoritária é a “palavra profética”, a Escritura, e Pedro destaca três características dela:
1) A Escritura é a Palavra de Deus.
Teólogos neo-ortodoxos normalmente tentam separar a Palavra de Deus da Escritura. Outros tentam colocar uma divisão onde não existe: ou você é um cristão do Espírito ou da “letra”, “da Bíblia”. Contudo, Pedro usa o termo “graphe”, que implica dizer que a autoridade reside no texto objetivo e não em nosso sentido subjetivo.
E se a própria Palavra de Deus contém a própria autoridade de Deus (v.20), então a própria Escritura carrega a autoridade de Deus. Pastor, quando você vai pregar, você sente que tem uma Palavra poderosa que você está pregando ou que prega uma palavra fraca? Há poder e autoridade na Palavra de Deus!
2) Esta Palavra foi registrada sob inspiração dinâmica.
Ao registrar a Escritura, Deus usou a personalidade dos seres humano, não foi algo mecânico
3) A Bíblia é inerrante.
Pedro afirma que nada na Escritura foi escrito por iniciativa humana (v. 20-21). A Bíblia é um livro divino, totalmente confiável. Quando rejeitamos a Inerrância, colocamo-nos como juízes da Palavra de Deus, dizendo o que é ou não é confiável.
Tendo isso em vista, Pedro, que viu a transfiguração de nosso Senhor, coloca a “palavra profética” acima de sua experiência. Assim, mesmo uma experiência espetacular com Deus não é mais certa que a Escritura (v. 19). Você não precisa de uma revelação especial além das Escrituras.
As boas novas são que cada um de nós pode ouvir a Deus hoje, agora! Deus ainda fala. E ele tem uma Palavra para nos que é certa, segura e inerrante. Você não precisa de uma revelação de Deus fora da Bíblia. Você pode ouvir a voz de Deus todos os dias. Cristo ainda fala porque o Espírito já falou. Se você quer ouvir a Deus vá para o livro que registrou somente aquilo que ele disse. Mergulhe na Palavra de Deus. Você não encontrará nada mais seguro.
Muitas vezes ficamos esperando ansiosamente ouvir a voz de Deus, mas temos a certa Palavra de Deus registrada na Bíblia. Quer ouvir o Espírito Santo? Abra a Bíblia!
Kevin DeYoung é o pastor principal da University Reformed Church, em East Lansing (Michigan). Obteve sua graduação pelo Hope College e seu mestrado em teologia pelo Gordon-Conwell Teological Seminary. É preletor em conferências teológicas e mantém um blog na página do ministério The Gospel Coalition.
domingo, 26 de outubro de 2014
O EFEITO CINDERELLA (na Igreja)
Por Carlos Moreira
Não há consenso sobre a origem do Conto de Fadas mais arrebatador da humanidade: “Ciderella”. A versão mais popular dá conta de que ele é produto do famoso escritor francês Charles Perrault e teria sido escrito em 1697.
Decerto, Cinderella é uma história maravilhosa. De suas muitas nuances, uma me chamou particularmente a atenção nestes dias: a magia que transforma, momentaneamente, a garota rejeitada e descuidada em uma princesa estonteante.
Mas tudo na vida tem um custo... Aquele encantamento, que abria possibilidades e entretecia sonhos, tragicamente, tinha prazo de validade – dia, hora e lugar para acabar. E foi assim que, no bom da festa, Cinderella teve de correr para não se transfigurar na frente de todos e do príncipe, numa “gata borralheira”.
Como pregador e pensador deste tempo, percebo um fenômeno que vem acontecendo entre aqueles que dizem seguir a Jesus e ao Evangelho: o “Efeito Cinderella”. Trata-se de um tipo de prática religiosa que acaba por tornar o sujeito um refém da agenda do sagrado.
O Efeito Cinderella é a crença confinada ao ambiente, a espiritualidade de ocasião que consagra o personagem, a religião com hora marcada. Neste tipo de profissão de fé, o indivíduo pensa e age como crente apenas quando está conectado ao calendário da igreja, num culto, num movimento ou numa vigília de oração. Nestas circunstâncias, muda o olhar, a fala, os gestos, os atos, as convicções. Passa a seguir ritos, acredita em mitos, fala sério, torna-se ético no proceder e ascético quanto ao pecado.
Contudo, findo o “efeito mágico”, alterado o ambiente e as ambiências, a pessoa fica livre para viver conforme sua própria conveniência, entregue a tórridas concupiscências, dessensibilizado de consciência,
amargurado de alma e petrificado de coração. No fundo, é como se a fé estivesse condicionada ao acionamento de um botão on/off , que liga e desliga conforme a ocasião e as circunstâncias.
Com tristeza, encontro maridos exemplares no Templo, mas que são adúlteros contumazes no escritório. Vejo gente sincera trabalhando em movimentos, mas mentindo descaradamente na sala de aula, pudica na EBD e depravada na mesa do bar. Para nossa vergonha, é a consagração do estelionato espiritual, a bipolaridade existencial, a dialética religiosa sem síntese, nem tem propósitos, nem se desdobra de forma consequente.
Bem dizia a canção consagrada na voz imortal da Elis Regina: “ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”. Sim, “nossos pais” adoravam no Templo, por isso tornamo-nos devotos de espaços pseudo-sacralizados, de geografias espirituais, batemos no peito diante do altar, mas ignoramos o necessitado agonizante em nosso caminho, somos sacerdotes que ofertam o ideal no altar da conveniência.
Mas não esqueçamos que no grande banquete que nos aguarda, onde estaremos diante do Rei, não adiantará encantamentos. Naquele dia, não haverá como esconder a fratura exposta de nossa consciência, atrofiada por práticas refratárias ao amor. Ali, ou você se revestirá de vestes de louvor ou trajará trapos de imundice.
Ainda é tempo de lembrar que Jesus nos desafiou a encarnar um tipo de espiritualidade que se projeta de ambientes para as dinâmicas do cotidiano. “Nem neste Templo e nem no Monte”, disse a Samaritana, mas andando em Espírito e em Verdade! Deus continua buscando gente que não se satisfaça com rotinas religiosas e que não se torne prisioneiro de catedrais. Sim, para estes, Ele ainda continua a dizer: “Vem e Segue-me!”.
Fonte: http://www.genizahvirtual.com/2014/10/o-efeito-cinderella-na-igreja.html
sexta-feira, 24 de outubro de 2014
Por que Deus não impediu a Queda?
Hermes Fernandes
Eis uma das mais delicadas questões com que se depara a Teologia cristã. Como crentes na soberania divina irrestrita, não podemos supor que a Queda tenha pego Deus de surpresa.
A prova de que Deus não apenas previa a desobediência humana, como a permitiu, e a incluiu em Seu glorioso plano, é que, antes mesmo da fundação do mundo, Ele havia provido um meio de equacionar o problema do pecado. De forma que a Bíblia nos apresenta Cristo como o “Cordeiro que foi morto desde antes da fundação do mundo” (Ap.13:8b).
Não há improvisos no plano arquitetado por Deus. E a prova disso é que Ele já havia feito ampla provisão.
Antes do início da História, um plano foi arquitetado, em que cada evento foi previamente decretado pelo Criador. Em Sua Onisciência, Deus sempre soube com antecedência de todas as coisas. O Deus das Escrituras não deve ser confundido com o “deus” da chamada teologia de processo, que nada sabe quanto o futuro, pois é refém do tempo que ele mesmo criou.
Definitivamente, Deus não é refém do tempo. Ele vive na Eternidade, onde não há passado ou futuro, mas um eterno agora. Todas as coisas estão diante d’Ele concomitantemente. Ele não precisa lançar mão de dados estatísticos, para saber a probabilidade de algo acontecer ou não. Ele simplesmente sabe.
Em Sua sabedoria, Ele decidiu que o homem só conheceria Seu amor e Sua graça, se tropeçasse e caísse de seu estado original.
Agostinho foi feliz ao declarar: “Oh bendita queda, que nos proporcionou tão grande redentor!”. Se não houvesse Queda, não haveria necessidade de Redenção. Se não ocorresse a Ruptura, também não haveria a Convergência em Cristo na Plenitude dos Tempos. Portanto, não haveria cruz; jamais entenderíamos a profundidade do amor de Deus. A graça nos seria um conceito desprovido de qualquer sentido.
Sem a Queda, fatalmente seríamos corrompidos por nossa própria perfeição, como aconteceu com um tal querubim ungido.
Foi melhor sermos humilhados, para ser depois exaltados pela Graça divina, do que nos exaltarmos, e sermos definitivamente derrubados de nossa arrogância.
Tudo estava no plano de Deus. A maneira como cairíamos, e como seríamos reconduzidos à glória.
A serpente não entrou no paraíso por um descuido de Deus.
A provisão de Deus para a reversão da Queda é Cristo. Ele reverteu, através de Sua obediência, o processo desencadeado pelo pecado.
Ele não só zerou nosso débito, mas colocou-nos numa situação de crédito com Deus.
Adão foi tentado no paraíso e caiu. Jesus foi tentado no deserto, e não caiu. Enquanto Adão podia comer de todas as árvores, Jesus, no deserto, não tinha alternativa pra saciar Sua fome, senão transformar pedras em pão. Mas Ele resistiu até o último instante.
Agora, Sua vida justa e santa é creditada em nossa conta, enquanto nossos pecados foram debitados na Sua. “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós, para que nele fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Co.5:21).
Fonte: http://www.genizahvirtual.com/2014/10/por-que-deus-nao-impediu-queda.html
Eis uma das mais delicadas questões com que se depara a Teologia cristã. Como crentes na soberania divina irrestrita, não podemos supor que a Queda tenha pego Deus de surpresa.
A prova de que Deus não apenas previa a desobediência humana, como a permitiu, e a incluiu em Seu glorioso plano, é que, antes mesmo da fundação do mundo, Ele havia provido um meio de equacionar o problema do pecado. De forma que a Bíblia nos apresenta Cristo como o “Cordeiro que foi morto desde antes da fundação do mundo” (Ap.13:8b).
Não há improvisos no plano arquitetado por Deus. E a prova disso é que Ele já havia feito ampla provisão.
Antes do início da História, um plano foi arquitetado, em que cada evento foi previamente decretado pelo Criador. Em Sua Onisciência, Deus sempre soube com antecedência de todas as coisas. O Deus das Escrituras não deve ser confundido com o “deus” da chamada teologia de processo, que nada sabe quanto o futuro, pois é refém do tempo que ele mesmo criou.
Definitivamente, Deus não é refém do tempo. Ele vive na Eternidade, onde não há passado ou futuro, mas um eterno agora. Todas as coisas estão diante d’Ele concomitantemente. Ele não precisa lançar mão de dados estatísticos, para saber a probabilidade de algo acontecer ou não. Ele simplesmente sabe.
Em Sua sabedoria, Ele decidiu que o homem só conheceria Seu amor e Sua graça, se tropeçasse e caísse de seu estado original.
Agostinho foi feliz ao declarar: “Oh bendita queda, que nos proporcionou tão grande redentor!”. Se não houvesse Queda, não haveria necessidade de Redenção. Se não ocorresse a Ruptura, também não haveria a Convergência em Cristo na Plenitude dos Tempos. Portanto, não haveria cruz; jamais entenderíamos a profundidade do amor de Deus. A graça nos seria um conceito desprovido de qualquer sentido.
Sem a Queda, fatalmente seríamos corrompidos por nossa própria perfeição, como aconteceu com um tal querubim ungido.
Foi melhor sermos humilhados, para ser depois exaltados pela Graça divina, do que nos exaltarmos, e sermos definitivamente derrubados de nossa arrogância.
Tudo estava no plano de Deus. A maneira como cairíamos, e como seríamos reconduzidos à glória.
A serpente não entrou no paraíso por um descuido de Deus.
A provisão de Deus para a reversão da Queda é Cristo. Ele reverteu, através de Sua obediência, o processo desencadeado pelo pecado.
Ele não só zerou nosso débito, mas colocou-nos numa situação de crédito com Deus.
Adão foi tentado no paraíso e caiu. Jesus foi tentado no deserto, e não caiu. Enquanto Adão podia comer de todas as árvores, Jesus, no deserto, não tinha alternativa pra saciar Sua fome, senão transformar pedras em pão. Mas Ele resistiu até o último instante.
Agora, Sua vida justa e santa é creditada em nossa conta, enquanto nossos pecados foram debitados na Sua. “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós, para que nele fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Co.5:21).
Fonte: http://www.genizahvirtual.com/2014/10/por-que-deus-nao-impediu-queda.html
quarta-feira, 22 de outubro de 2014
O corpo e a fome na Ceia do Senhor
Por Derval Dasilio
A mensagem é profética, de Jesus Cristo, observada a linguagem diferenciada própria do evangelho de Mateus sobre o sentido do corpo dado em sacrifício, enquanto se identificam os céus como símbolos de plenitude. A vida com Deus, o lugar onde se constata sua presença, suas ações libertadoras (Mt 22.1-14). A esperança de Jesus de que o reinado de Deus fosse irromper logo, abrindo uma nova era, antes mesmo que seus contemporâneos viessem a falecer, é confirmada nos vaticínios e nas parábolas de Jesus relatadas por Mateus (cmp. Mc 13.13; Mt 10.23, par.). “Vamos comemorar, juntos, em comunhão (‘koinonia’) com o Senhor, a chegada do reinado de Deus, consumindo o que é do bom e bom e do melhor...”, poderia ser uma paráfrase adequada para o grande banquete, que a Ceia do Senhor prenuncia.
Em 1958, o mais importante cineasta europeu, Roberto Rosselini, desembarcava no Brasil para filmar “Geografia da Fome”. Tratava-se de uma adaptação cinematográfica do livro de Josué de Castro, médico e sociólogo que cuidou de uma radiografia da grande mazela nacional, mais tarde identificada como o maior de todos os problemas mundiais: a fome. Visitou o Canal do Mangue, folclórica zona da pobreza e do meretrício, mas também famosa pelo afogamento de mendigos, no intento de “limpeza social”, promovido durante o governo de Carlos Lacerda. Foi à procura dos populares caranguejeiros da época, personagens de Josué de Castro. A imprensa queria que ele filmasse outros assuntos, lembrando a ópera “O Guarani”, de Carlos Gomes, e do romance açucarado de José de Alencar -- que ignorava a escravidão africana no Brasil --, como tema ideal. Negaram-lhe financiamento porque insistiu no tema que o interessava: a fome.
As oferendas da mesa que serão consumidas no banquete comemorativo da chegada do Reino, porém, comportam todos os sabores da vida desejável, e de todas as formas de bem-estar. Fim da fome, das desigualdades e das injustiças. Encontraremos um fio condutor, no evangelho de hoje, onde a imagem do banquete eucarístico nos permitirá saborear todos os temperos, cheiros e gostos, de uma culinária libertária e maravilhosa, ao mesmo tempo.
Ariano Suassuna, autor de sucessos como “O Auto da Compadecida”, contou uma história sobre “as comidas que nos faltam”, usando um exemplo simples – uma história de cachorros. “Entre o osso e o filé, o que um cachorro prefere? Lógico que é o filé. Osso é para roer, insinuava sobre o ‘fast food’ tupiniquim contemporâneo, repleto de hambúrgueres criticados pelo mestre nordestino. Então “está faltando oportunidade aos jovens brasileiros de conhecer o filé da nossa cultura”.
Roberto da Mata informa: as manifestações mais humildes de uma sociedade são as mais reveladoras de sua índole… e dos seus valores. A comida, a música, a televisão, os sotaques, como os dos nordestinos, sulistas, sudestinos goianos e mineiros, por exemplo, tão gostosos e variados, identificam as origens brasileiras. Modos insuspeitos, quase sempre identificados com clareza singular, revelam tendências, preocupações, aspirações. No Brasil, quando podemos, misturamos farinha com feijão, fazemos tutu juntando temperos como cebolinha e alho. E acrescentamos o torresmo. Dentro da lógica, não do alimento, mas de uma mistura mestiça e mulata, nos expressamos culturalmente.
Como gente do povo, preferimos a feijoada amiga, que mistura paio, carne seca, pé-de-porco, toucinho magro, servindo-a com couve refogada. Não há uma lógica nessa mistura que iguala os alimentos sem discriminá-los. Todos esses hábitos falam de sociedades, de valores, e modos de construir e sustentar o próprio corpo social. Assim é este Brasil original.
Quem aceita o convite para o banquete da vida? Quais são os convidados que vestem roupas brancas de núpcias (símbolo bíblico dos que praticam a justiça), demonstrados no Apocalipse: “Esta é a mensagem daquele que tem os sete espíritos de Deus e as sete estrelas. Eu sei o que vocês estão fazendo. Vocês dizem que estão vivos, mas, de fato, estão mortos. Acordem e fortaleçam aquilo que ainda está vivo, antes que morra completamente. (...) Aqueles que conseguirem a vitória (da justiça) serão vestidos de branco, e eu não tirarei o nome dessas pessoas do Livro da Vida. Eu declararei abertamente, na presença do meu Pai e dos seus anjos, que elas pertencem a mim. Portanto, se vocês têm ouvidos para ouvir, então, ouçam o que o Espírito de Deus diz às igrejas” – Ap 3.1-6]? São convidados os perseguidos, pobres, prostitutas, deficientes, portadores de necessidades especiais, coxos, cegos, surdos, doentes, que estão na agenda de Deus, em primeiro lugar.
Derval Dasilio: É pastor da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil e autor de livros como “Pedagogia da Ganância" (2013) e "O Dragão que Habita em Nós” (2010).
Fonte: http://www.ultimato.com.br/conteudo/o-corpo-e-a-fome-na-ceia-do-senhor
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
A Obra do Espírito Santo e a Consciência
Por Kevin De Young
Lutero, com sua consciência cativa à palavra de Deus, diante da Dieta de Worms, disse: “A menos que me convençam, pela Escritura ou por razões claras, de que estou errado, eu permaneço constrangido pelas Escrituras. Não posso nem quero me retratar, de vez que não é seguro nem correto agir contra a consciência. Deus me ajude. Amém”.
Podemos dizer que a história da Reforma mudou porque Lutero não fez aquilo que sabia que era errado. Ele levou a sério sua consciência. Como você trata sua consciência?
2 Coríntios 1.12, 15-17, 23 – Algumas pessoas de Corinto estavam colocando Paulo em dúvida, acusando-o por inúmeros motivos. Porém Paulo diz que tem uma consciência limpa – para ele isso era crucial (Rm 9.1, 2 Tm 1.3). A consciência pode não ser o juiz final de nossas acusações, mas é um bom indicador. Consciência é a faculdade que Deus colocou em nós para que nos conheçamos e para que possamos discernir o certo do errado. E o Espírito age através e influencia a nossa consciência. Os puritanos diziam que a consciência é o espião de Deus e o superintendente do homem.
Rm 2.14-15 – A consciência pode ser como um promotor, acusando-nos de nossos pecados. Mas a consciência também tem um papel positivo de nos defender que estamos corretos mesmo diante de acusações. A Escritura coloca a falta de uma consciência desenvolvida como um atributo infantil. Entender o papel da consciência é indispensável à maturidade cristã.
Hb 10.22 – Mas podemos ter uma consciência má, a qual nos acusa de fazer o mal, mas não nos leva a fazer nada a respeito disso.
1 Tm 4.2 – Se você ignora sua consciência por muito tempo, sua consciência má se tornará cauterizada.
Tt 1.15 – Há também uma consciência corrompida, que não consegue discernir entre o certo e errado e você começa a celebrar o que é mal e condenar o que é bom.
1Co 8.7-13 – Há também o que Escritura chama de consciência fraca, que é quando nos sentimos culpados de algo que não é inerentemente indigna. Tornamo-nos muito meticulosos com coisas que não são necessariamente errada (p.e.: bebida alcóolica, cinema).
At 17.26; Tt 3.9; 1 Pe 3.16 – Nosso objetivo é ter uma consciência boa e tranquila.
Duas coisas que devemos fazer para ter uma boa consciência:
1) Abandone o pecado quando sua consciência diz que o que você vai fazer é errado. Se você está vendo um filme e está se sentindo mal e ficaria envergonhado se alguém visse você, então simplesmente deixe de ver. Quando ignoramos a consciência nos colocamos em grande perigo. Nós nos tornamos uma pedra de tropeço diante de outros crentes quando o incentivamos a ignorar sua consciência, mesmo que não seja algo absolutamente errado.
2) Volte-se a Cristo, quando sua consciência lhe acusar de algo que você fez (1Jo 1.9; Hb 9.14). A consciência é para ser nossa amiga, pois Deus a deu para nos levar a cruz. A própria pregação deve se dirigir a consciência.
Dependendo de como você foi criado, você pode ter uma consciência muito sensível, se sentindo constantemente uma falha. Saiba que a cada vez que você olhar para si mesmo, olhe dez vezes para Cristo. Não é para isso que Deus lhe deu sua consciência. Outros já tem uma consciência cauterizada que não percebem os perigos do pecado. Você é chamado para ter uma consciência limpa e não inexistente.
Paulo vivia com uma consciência limpa (1Co 4.4). Com isso Paulo não está dizendo que não peca, mas que vive uma vida de constante arrependimento e de fé em Cristo. Ele confessava e olhava para cruz assim que pecado. É assim que a vida cristã deve ser.
Kevin De Young é o pastor principal da University Reformed Church, em East Lansing (Michigan). Obteve sua graduação pelo Hope College e seu mestrado em teologia pelo Gordon-Conwell Teological Seminary. É preletor em conferências teológicas e mantém um blog na página do ministério The Gospel Coalition.
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