terça-feira, 25 de abril de 2017
SIMPLICIDADE E CLAREZA DAS ESCRITURAS
Escrito por Grant R. Osborne
Desde os últimos anos do período patrístico com sua regula fidei (“regra de fé”), a igreja tem
lutado com a “perspicuidade (ou clareza) das Escrituras”, ou seja, se elas estão realmente ao
alcance da compreensão humana. Não é à toa que os estudiosos da Bíblia são sempre acusados de tirar do leitor comum o acesso às Escrituras. Depois que um texto é dissecado e submetido a uma legião de teorias acadêmicas, o não especialista exclama com tristeza: “Tudo bem, mas o que isso tem a ver comigo? Eu consigo estudar esse texto?”. Com toda certeza, a própria consciência da multidão de opções de interpretação de passagens bíblicas é o grande choque que atinge os calouros de seminários e faculdades. Fica até difícil culpar uma pessoa se, depois de olhar para a profusão de possíveis interpretações sobre praticamente todas as declarações bíblicas, ela deixar de afirmar o princípio de que é fácil compreender as Escrituras! Isso, porém, é confundir os princípios da hermenêutica com a mensagem do evangelho em si. O que é complexo é o exercício de transpor o abismo entre a situação original e os nossos dias, não o significado que resulta disto.
Lutero (em A escravidão da vontade) proclamou a clareza básica das Escrituras em duas áreas: clareza externa, que ele chamou de aspecto gramatical, obtida pela aplicação das leis da gramática (princípios hermenêuticos) ao texto; e a clareza interna, que ele chamou de aspecto espiritual, obtida quando o Espírito Santo ilumina o leitor no ato da interpretação. Ao falar de clareza, é óbvio que Lutero se referia ao produto final (a mensagem do evangelho) e não ao processo (a recuperação do significado de textos específicos). Porém, no século passado, a aplicação da teoria do realismo do senso comum da Escola Escocesa às Escrituras levou muitos a admitir que qualquer um poderia entender sozinho a Bíblia, e que a superfície do texto por si só é suficiente para produzir significado. Portanto, a necessidade de princípios hermenêuticos para transpor o abismo cultural foi desprezada, e as interpretações individuais se multiplicaram. Por alguma razão, ninguém percebeu que isso dava margens a significados múltiplos e, de vez em quando, em heresias. O princípio da perspicuidade foi estendido também ao processo hermenêutico, o que causou equívocos na interpretação popular das Escrituras e uma situação que ainda hoje é bem complicada. Como disciplina, a hermenêutica exige um processo de interpretação complexo, para que se traga à tona a clareza original da Bíblia. Assim, mais uma vez, o resultado fica claro, mas o processo, não; isso também deveria orientar os sermões!
Assim, todas essas coisas são muito confusas, e a pessoa comum tem todo o direito de perguntar se a compreensão da Bíblia é algo que cada vez mais está ficando reservado para a elite acadêmica. Eu diria que não. Em primeiro lugar, há diferentes níveis de compreensão: devocional, estudo bíblico básico, homilético, dissertações e teses. Cada nível tem seu valor e seu processo. Além disso, qualquer pessoa tem o direito de aprender os princípios hermenêuticos que se aplicam a esses vários níveis. Basta querer. Eles não estão reservados a “elite” alguma, mas à disposição de quem tiver interesse e vontade de aprendê-los. Os fundamentos da hermenêutica podem e devem ser ensinados no contexto da igreja local. Ao longo deste livro, espero poder tratar dos vários níveis de compreensão.
OSBORNE, Grant R., A Espiral Hermenêutica, uma nova abordagem à interpretação bíblica, Ed. Vida Nova, págs. 32 a 34
Fonte: http://www.e-cristianismo.com.br/teologia/bibliologia/simplicidade-e-clareza-das-escrituras.html
domingo, 16 de abril de 2017
Elas obedeceram sem conhecer a resposta
Por Benjamin L. Merkle
Elas obedeceram sem conhecer a resposta
Era o dia da preparação, e começava o sábado. As mulheres, que tinham vindo da Galileia com Jesus, seguindo, viram o túmulo e como o corpo fora ali depositado. Então, se retiraram para preparar aromas e bálsamo. E no sábado, descansaram, segundo o mandamento. (Lucas 23.54-56)
Era o mais triste dos dias. A Palavra que havia se tornado carne e habitado entre nós jazia fria em um túmulo. O que você faz quando aquele que ressuscitou os mortos está morto?
As mulheres que haviam seguido Jesus desde a Galileia até Jerusalém e, então, até o Gólgota e, finalmente, até o túmulo não sentiam apenas tristeza, mas confusão também. O homem que elas haviam pensado ser o libertador estava morto. Será que estavam enganadas todo esse tempo?
Lembra-te do dia do sábado, para o santificar (Êxodo 20.8). Elas não tinham as respostas para suas perguntas, mas tinham o mandamento de Deus. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra; mas o sétimo dia é o sábado do Senhor, teu Deus (Êxodo 20.9-10). Portanto, essas fiéis mulheres fizeram o que suas mães, pais e israelitas haviam feito desde os tempos de Moisés. Elas guardaram o sábado. Quando um véu de escuridão desce sobre nós na forma de tragédias, orações não respondidas ou decepção com Deus, podemos, seguindo o exemplo dessas mulheres de coração partido, caminhar em obediência.
FÉ OBEDECE QUANDO O CAMINHO NÃO ESTÁ CLARO
Seguidores fiéis obedecem quando parece não haver caminho algum adiante, nenhuma porta de saída da prisão, nenhuma bonança após a tempestade. A fé não requer a imaginação para antever como Deus poderia solucionar quaisquer problemas que venhamos a enfrentar.
Quando somos tentados a afundar no desespero, nós deveríamos, em vez disso, assim como Elisabeth Elliot aconselhou de forma tão memorável, “fazer a próxima coisa”. Talvez não sejamos capazes de discernir como Deus nos tirará do poço, mas não precisamos discernir. Foi-nos concedido simplesmente obedecer a ele em qualquer tarefa que ele nos tenha ordenado a realizar hoje.
Embora as mulheres não soubessem como Deus cumpriria suas promessas, disto elas sabiam: um cadáver precisa de cuidados. No entanto, até mesmo o seu serviço fúnebre em favor do corpo partido de Jesus teve de esperar. Elas se lembraram do sábado e o guardaram. Para elas, a “próxima coisa” era o descanso.
É fácil obedecer quando conseguimos antever como Deus abençoará nossa obediência, mas é muito mais difícil quando não vemos o propósito dela. No seu pior momento, pode parecer que simplesmente não tem como você perseverar até o fim da jornada na qual Deus a colocou. Mas tudo que Deus requer de você é que continue colocando um pé após o outro à medida que percorre o caminho da obediência.
Você não precisa saber aonde esse caminho a está conduzindo ou como Deus a sustentará, porque ele sabe para onde ele a está levando.
A OBEDIÊNCIA DESCANSA NA OBRA CONSUMADA DE CRISTO
Se já houve algum dia em que o povo de Deus parecia estar longe da libertação, esse dia foi aquele sábado sombrio. Apenas alguns dias antes, as multidões haviam exclamado: “Bendito aquele que vem em nome do Senhor!” (Lucas 13.35). Mas, agora, quem em sã consciência poderia chamar Jesus de bendito? Ele não estava apenas morto, mas havia sido pendurado em um madeiro. De acordo com a lei de Moisés, ele havia sofrido a morte do maldito (Deuteronômio 21.23). Mas isso tudo não era o que parecia. Assim como Deus havia descansado após a obra da criação, o Filho de Deus descansou após a obra da redenção. Deus havia descansado após contemplar sua criação e chamá-la de boa. Seu Filho descansou após ter tomado nossa culpa sobre si e declarado: “Está consumado” (João 19.30).
Pode ser que os rituais de descanso daquele sábado tivessem sido iguais aos rituais passados, mas tudo havia mudado. Deus havia feito a obra que seu povo não era capaz de fazer. Agora, eles podiam descansar na obra consumada de Deus. Todos os sábados que eles haviam guardado até aquele dia prefiguravam o descanso espiritual que só lhes poderia pertencer a partir do momento em que seus pecados houvessem sido pagos. O sábado que eles guardaram naquele dia previu o descanso sabático que aguarda a todos nós na vida vindoura (Hebreus 4.9-11). Não me sinto triste quando imagino o mais triste dos dias. Tiro inspiração das mulheres que guardaram os mandamentos de Deus e honraram o sábado mesmo não podendo compreender como seria possível Deus tornar o pranto delas em dança. Elas não sabiam que do outro lado do sábado não haveria corpo algum para enterrar.
Por: Betsy Childs Howard. © Desiring God Foundation.Website: desiringGod.org. Traduzido com permissão. Fonte: Obedience Without Answers
Original: Elas obedeceram sem conhecer a resposta. © Ministério Fiel. Website: MinisterioFiel.com.br. Todos os direitos reservados. Tradução: Harumi Makida dos Santos. Revisão: Renata Espírito Santo.
Benjamin L. Merkle é Professor Associado de Novo Testamento e Grego no Southeastern Baptist Theological Seminaryem Wake Forest, Carolina do Norte, EUA. É o autor de 40 Questions about Elders and Deacons (Kregel, 2008, sem tradução em português) e Why Elders? A Biblical and Practical Guide for Church Members (Kregel, 2009, sem tradução em português).
Fonte: http://voltemosaoevangelho.com/blog/2017/04/elas-obedeceram-sem-conhecer-resposta/
terça-feira, 4 de abril de 2017
Conselhos de Salomão
Publicado por andrebt
Salomão escreveu mil e cinco cânticos e três mil provérbios. Dos três mil provérbios, muito menos da metade está na Bíblia, sob o título Provérbios de Salomão. Se cada versículo de Provérbios fosse um provérbio, teríamos então 915 provérbios, somente um terço de toda a sua produção. Acompanhe alguns de seus conselhos:
1. Evite o mal e caminhe sempre em frente; não se desvie nem um só passo do caminho certo.
2. A riqueza que é fácil de ganhar é fácil de perder; quanto mais difícil for para ganhar mais você terá.
3. Afaste-se das pessoas sem juízo porque gente assim não têm nada para ensinar.
4. Peça a Deus que abençoe os seus planos, e eles darão certo.
5. Corrija os seus filhos enquanto eles têm idade para aprender; mas não os mate de pancadas.
6. Ouça os conselhos e esteja pronto para aprender; assim um dia você será sábio.
7. Procure bons conselhos e você terá sucesso; não entre na batalha sem antes fazer planos.
8. Não seja vingativo; confie no Deus Eterno, e Ele fará a justiça a você.
9. Pense bem antes de prometer alguma coisa a Deus, pois você poderá se arrepender depois.
10. Se você não quer se meter em dificuldades, tome cuidado com o que diz.
11. Não se mate de trabalhar, tentando ficar rico, nem pense demais nisso, pois o seu dinheiro pode sumir de repente, como se tivesse criado asas e voado para longe como uma águia.
12. Não fique contente quando o seu inimigo cair na desgraça. O Deus Eterno vai saber que você ficou contente com isso e não vai gostar. E Ele poderá parar de castigar esse inimigo.
13. Não se revolte por causa dos maus nem tenha inveja deles. Os pecadores não têm futuro; eles são como uma luz que está se apagando.
14. Ninguém se elogie a si mesmo; se houver elogios, que venham dos outros.
15. Jovem, aproveite a sua mocidade e seja feliz enquanto é moço. Faça tudo o que quiser e siga os desejos do seu coração. Mas lembre-se de uma coisa: Deus o julgará por tudo o que você fizer.
(Textos retirados dos Provérbios de Salomão e Eclesiastes, na versão A Bíblia na Linguagem de Hoje: Pv 4.27; 13.11; 14.7; 16.3; 19.18; 19.20; 20.18; 20.22; 20.25; 21.23; 23.4; 24.17; 24.19; 27.2 e Ec 11.9.)
Texto originalmente publicado na edição 258 de Ultimato.
Fonte: http://ultimato.com.br/sites/elbencesar/2017/03/17/conselhos-de-salomao/
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017
Todas as cores de Cristo.
Por Josemar Bessa
Em Jesus á uma combinação maravilhosa de tudo o que é santo, lindo e glorioso. Qualquer que seja a virtude ou a graça que foi testemunhada em outros - estava plenamente, perfeitamente Nele e dele apenas fluía para eles.
A fé de Abraão,
O piedoso temor de Isaque,
A confiança na soberania divina de José,
A mansidão de Moisés,
A paciência de Jó,
A santidade de Isaías,
A devoção piedosa de Davi,
A integridade de Daniel,
A sinceridade de Natanael,
A fervor de Pedro,
O zelo de Paulo,
A ternura de João,
A doçura de Abel ao ofertar,
A intransigência de Noé,
A sabedoria de Salomão,
A firmeza de Estêvão,
O amor ao totalmente indigno de Oséias,
A ousadia de João Batista,
A capacidade de sofrer pela Verdade de Jeremias,
A visão profunda da glória de Deus de Ezequiel,
O poder em Elias,
Os milagres de Eliseu,
A força de Sansão,
A submissão de Habacuque...
Todos estas coisas, em suas cores mais brilhantes, brilharam naquele que estava cheio de graça e de verdade e eram apenas reflexo dele como a lua reflete o Sol.
"Sim, Ele é todo amável! Este é o meu Amado, e este é meu Amigo!" Canção dos Cânticos 5:16
Na medida da graça que recebemos, sigamos a Cristo nesta bela harmonia de graças cristãs. O Fruto do Espírito. Que nenhuma parte de Seu caráter seja deixada fora da vista do mundo a partir de nós. Este revestimento de muitas cores que foi usado por nosso José - possa estar também sobre nós seus irmãos por adoção.
“Vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.” - João 1:14
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017
Querer sempre ter mais
Por Rute Heckert
"O que falta cega pro que já se tem"
Querer sempre mais – hábito entranhado no modo contemporâneo de viver no estilo "black friday". Autorizados pela cultura do consumismo e do individualismo a valorizar nosso querer, facilmente caímos na armadilha da insatisfação constante, restringindo nossos pensamentos a querer o que não temos. "O que falta cega pro que já se tem"*.
Querer ter mais se confunde com ser mais importante, e nos faz incapazes de identificar os motivos de sermos gratos. Imaginamos algo que não temos, ou não somos, como possibilidade futura, perdendo os pés do presente. Não aceitamos o presente tempo, não valorizamos o presente recebido. Amargor e rancor vão sendo semeados em nosso ser. Sermos gratos, porém, areja, ilumina, nos torna graciosos. É ter graça sem ser tolo ou ingênuo, mas sim dotado de sabedoria, dando foco e brilho ao que se vive e se recebe, acolhendo a graça com humildade, sem se dar mais importância do que ao outro. Gratidão anda de mãos dadas com a alegria; sem negar a falta ou a dificuldade, aceitar o que se tem faz a vida leve. Ser grato, contudo, não é estar cego, mas aprender a ver, isto é, a reconhecer o que há de valioso, os presentes presentes. É poder ver o céu espelhado no mar escuro quando este nos dá medo... coisa de quando a alma não é pequena...** O olho que vê poesia pode ver.
Olhar para a própria história e enxergar motivos de gratidão não é tarefa fácil - mágoas e feridas põem-se à frente. Impossível passar a borracha como numa "pseudoamnesia", porém podemos encontrar motivos pelos quais encontramos sentido no viver, o que nos fazem prosseguir. Do contrário, estagnamos. Com gratidão, cultivamos alegria, esperança, movimento... a vida tem graça.
Notas:
*da música “Seja Você”, de Herbert Vianna.
**do poema “Mar Português” de Fernando Pessoa.
• Rute Heckert Viriato é psicóloga e psicoterapeuta, com experiência na área de reabilitação para pessoas com deficiência. Estuda temas como: espiritualidade, luto e morte, dor, deficiências, envelhecimento, relacionamentos e escolha profissional. É editora do blog Contemplação do Ser.
"O que falta cega pro que já se tem"
Querer sempre mais – hábito entranhado no modo contemporâneo de viver no estilo "black friday". Autorizados pela cultura do consumismo e do individualismo a valorizar nosso querer, facilmente caímos na armadilha da insatisfação constante, restringindo nossos pensamentos a querer o que não temos. "O que falta cega pro que já se tem"*.
Querer ter mais se confunde com ser mais importante, e nos faz incapazes de identificar os motivos de sermos gratos. Imaginamos algo que não temos, ou não somos, como possibilidade futura, perdendo os pés do presente. Não aceitamos o presente tempo, não valorizamos o presente recebido. Amargor e rancor vão sendo semeados em nosso ser. Sermos gratos, porém, areja, ilumina, nos torna graciosos. É ter graça sem ser tolo ou ingênuo, mas sim dotado de sabedoria, dando foco e brilho ao que se vive e se recebe, acolhendo a graça com humildade, sem se dar mais importância do que ao outro. Gratidão anda de mãos dadas com a alegria; sem negar a falta ou a dificuldade, aceitar o que se tem faz a vida leve. Ser grato, contudo, não é estar cego, mas aprender a ver, isto é, a reconhecer o que há de valioso, os presentes presentes. É poder ver o céu espelhado no mar escuro quando este nos dá medo... coisa de quando a alma não é pequena...** O olho que vê poesia pode ver.
Olhar para a própria história e enxergar motivos de gratidão não é tarefa fácil - mágoas e feridas põem-se à frente. Impossível passar a borracha como numa "pseudoamnesia", porém podemos encontrar motivos pelos quais encontramos sentido no viver, o que nos fazem prosseguir. Do contrário, estagnamos. Com gratidão, cultivamos alegria, esperança, movimento... a vida tem graça.
Notas:
*da música “Seja Você”, de Herbert Vianna.
**do poema “Mar Português” de Fernando Pessoa.
• Rute Heckert Viriato é psicóloga e psicoterapeuta, com experiência na área de reabilitação para pessoas com deficiência. Estuda temas como: espiritualidade, luto e morte, dor, deficiências, envelhecimento, relacionamentos e escolha profissional. É editora do blog Contemplação do Ser.
Imagem: Stevepb/Pixabay.com.
sábado, 4 de fevereiro de 2017
Girolamo Zanchi – A sabedoria e presciência de Deus (Reforma500)
Por Girolamo Zanchi
500 anos de Reforma Protestante
Em comemoração aos 500 anos de Reforma Protestante, o Voltemos ao Evangelho trará artigos semanais e biografias de diferentes reformadores: Girolamo Zachi (jan), Theodoro Beza (fev), Thomas Cranmer (mar), Guilherme Farrel (abr), William Tyndale (mai), Martin Bucer (jun), John Knox (jul), Ulrico Zuínglio (ago), João Calvino (set) e Martinho Lutero (out).
Com respeito à divina sabedoria e presciência, farei as seguintes afirmações:
Proposição 1. Deus é, e sempre foi tão perfeitamente sábio, que nada jamais frustrou, frusta ou pode frustar o seu conhecimento. Ele sabia, desde toda a eternidade, não somente o que ele mesmo pretendia fazer, mas também o que ele inclinaria e permitiria que os outros fizessem. “Conhecidas são a Deus, desde o princípio do mundo (ap aiwnoV) todas as suas obras” (Atos 15.18).
Proposição 2. Consequentemente, Deus não sabe nada agora, nem saberá nada mais adiante, que Ele não conheceu e previu desde a eternidade; sendo a sua presciência coeterna consigo mesmo e se estendendo a tudo que é ou deve ser feito (Hebreus 4.13). Todas as coisas que compreendem passado, presente e futuro, estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos que lidar.
Proposição 3. Esta presciência de Deus não é conjectural e incerta (pois, então, não seria presciência), mas é segura e infalível, de modo que tudo o que ele prevê ser futuro necessariamente acontecerá. Pois, o seu conhecimento não pode mais ser frustrado ou sua sabedoria enganada, do que ele pode deixar de ser Deus. Não, se qualquer um destes fosse o caso, ele realmente deixaria de ser Deus, sendo todo erro e frustração absolutamente incompatível com a natureza divina.
Proposição 4. A influência que a presciência divina tem sobre a certa realização futura das coisas conhecidas não torna desnecessária a intervenção de causas secundárias, nem destrói a própria natureza das coisas.
Meu entendimento é que a presciência de Deus não coloca nenhuma necessidade coercitiva sobre as vontades dos seres naturalmente livres. Por exemplo, o homem, mesmo em seu estado caído, é dotado de uma liberdade natural da vontade, mas age, desde o primeiro até o último momento da sua vida, em absoluta subserviência (embora, talvez, ele não o saiba ou o intencione) aos propósitos e decretos de Deus concernentes a ele; todavia, ele não é passível à compulsão, mas age tão livre e voluntariamente como se fosse sui juris, não sujeito a nenhum controle e absolutamente senhor de si mesmo. Isto fez com que Lutero — depois de ter demonstrado como todas as coisas necessária e inevitavelmente acontecem, em consequência da vontade soberana e da presciência infalível de Deus — dizer que “devemos distinguir cuidadosamente entre uma necessidade de infalibilidade e uma necessidade de coação, já que tanto homens bons quanto maus, embora por suas ações cumpram o decreto e designação de Deus, ainda assim, não são obrigados a fazer qualquer coisa, mas agem voluntariamente”.
Proposição 5. A presciência de Deus, considerada de forma abstrata, não é a única causa dos seres e eventos, mas a sua vontade e presciência juntos. Por isso encontramos (Atos 2.23) que seu determinado conselho e presciência agem em conjunto, sendo este último resultante e fundado no primeiro.
Por: Girolamo Zanchi. Fonte: Absolute Predestination
Por: Girolamo Zanchi. Fonte: Absolute Predestination
Original: Girolamo Zanchi – A sabedoria e presciência de Deus (Reforma500). © Ministério Fiel. Website: MinisterioFiel.com.br. Todos os direitos reservados. Tradução: Camila Rebeca Teixeira. Revisão: William Teixeira.
Girolamo Zanchi (1516-1590) foi um reformador italiano que fugiu da perseguição para finalmente se estabelecer em Estrasburgo como professor de Antigo Testamento no Colégio de São Tomás. Ele foi posteriormente nomeado em Heidelberg como professor de Teologia na Universidade. Sua obra é caracterizada por uma impressionante síntese da teologia reformada, do tomismo e do método escolástico.
domingo, 29 de janeiro de 2017
A pessoa mais importante do mundo
Publicado por andrebt
Apesar do fato de que o evangelho de Jesus tem sido anunciado há dois milênios, tenho a incômoda impressão de que a pessoa mais importante do mundo ainda é pouco conhecida e levada a sério.
Nasci e cresci num ambiente doméstico e religioso que tratava Jesus como a pessoa mais importante do mundo. Esses valores me foram passados desde o berço. Não me lembro de um dia sequer em que eu tenha duvidado da majestade de Jesus.
No alvorecer de minha mocidade, essa bagagem herdada no lar e na igreja recebeu um tratamento individualizado. Continuei a crer não só por causa da formação que me foi passada e por causa da cultura que me rodeava, mas também por causa do meu assentimento deliberado e consciente.
Antes mesmo de ir para o seminário, eu já falava de Jesus aos meus amigos e colegas.
Lembro-me perfeitamente bem de uma pesquisa bíblica que fiz sobre os acontecimentos envolvendo a pessoa de Jesus no período compreendido entre o Domingo de Ramos e o Domingo da Ressurreição.
Foi na Semana Santa de 1951. Eu fazia então meu primeiro ano de seminário. Não era um trabalho acadêmico, exigido por algum professor. Eu estava satisfazendo minha curiosidade sobre o assunto.
Até hoje guardo a Bíblia que meu pai me deu em 1939, por ocasião do meu nono aniversário. Na dedicatória, ele escreveu: “O meu desejo é que, a vida toda, pregues as doutrinas de Jesus, contidas nas Santas Escrituras”.
É o Jesus da Bíblia que eu conheço e prego. Nele tenho posto minha fé, minha confiança e minha esperança. Sem qualquer medo ou receio de desapontamento próximo ou futuro.
A cabeça está cheia de Jesus. O coração está cheio de Jesus. O entusiasmo por Jesus é enorme. Nada é forçado, inventado ou fingido.
Em meados de 2001, um professor universitário aposentado me levou para pregar numa roça distante uns 60 quilômetros da minha cidade. Preguei na cozinha de chão batido de uma viúva pobre. Havia umas doze pessoas no recinto. Contei a história da ressurreição do filho da viúva de Naim. Eu mesmo me reanimei com aquela amorosa intervenção de Jesus. Pois, apesar do fato de que o evangelho de Jesus tem sido anunciado há dois milênios, tenho a incômoda impressão de que a pessoa mais importante do mundo ainda é pouco conhecida e levada a sério.
Trecho publicado no livro A Pessoa Mais Importante do Mundo , de Elben César
Fonte: http://ultimato.com.br/sites/elbencesar/2017/01/27/a-pessoa-mais-importante-do-mundo/
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