Por Josemar Bessa
“Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo” - Romanos 5:1 – Mas ainda estamos em guerra, e por isso experimentamos a vida como uma batalha. Na verdade, muitas vezes experimentamos mais tumultos e lutas agora, porque não estamos mais em sintonia com o mundo em que vivemos, não estamos em sintonia com as exigências e desejos da carne e não estamos em sintonia com o príncipe deste mundo.
É assim que devemos enxergar as promessas de paz do Novo Testamento. Não nos foi prometido tranquilidade, portanto, não há nenhuma razão para estar decepcionado com o calor da batalha e as dores que dela vem.
Na verdade, em João 16:33, Jesus diz que nesta vida teremos problemas aflitivos. Mas nós temos a alegria de saber que através da cruz agora estamos em paz com Deus. Ele era o nosso inimigo, estava contra nós, que vinha a nós em juízo. Mas agora ele é nosso amigo e nosso Pai. E isso significa que nós podemos descansar de nossa luta por justiça e o medo do julgamento.
Tome-se, por exemplo, Filipenses 4:6-7: " Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e pela súplica, com ações de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus. " Paulo não está prometendo uma vida fácil ou até mesmo sensação de serenidade.
Ele está dizendo que sabemos que estamos reconciliados com Deus - e, portanto, Deus agora é por nós – e guardará os nossos corações de ansiedade.
Então você lida com a ansiedade lutando contra a incredulidade. E você batalha contra a incredulidade ao meditar na Palavra de Deus e orando por ajuda do Espírito Santo.
Ambos são necessários, o Espírito e a Palavra. Nós lemos as promessas de Deus e oramos pela ajuda de seu Espírito. Que limpa nossos olhos da poluição do mundo para que possamos vem o “bem-estar” que Deus planeja para nós: “Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o SENHOR; pensamentos de paz, e não de mal...” - Jeremias 29:11. Quando nosso crer cresce forte, expele toda a ansiedade.
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Quando estamos ansiosos sobre algo novo e ameaçador, enfrentamos a batalha da ansiedade com a promessa: “Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça.” - Isaías 41:10
Quando em meio a batalha o medo de nossa vida ser inútil na proclamação do evangelho a batalha contra a incredulidade que gera ansiedade... é atacado com a promessa de Isaías 55.11: “Assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei.” - Isaías 55:11
Quando a fraqueza física... me enchem de ansiedade por nos tornar incapazes de realizar o que é necessário batalhamos contra ela com a promessa de Cristo: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo.” - 2 Coríntios 12:9 – “Sua força será como o seu dia” (Deuteronômio 33.25)
Quando na batalha estivermos diante de decisões difíceis, lutamos contra a ansiedade produzida com a certeza da promessa: “Instruir-te-ei, e ensinar-te-ei o caminho que deves seguir; guiar-te-ei com os meus olhos.” - Salmos 32:8
Quando o inimigo na batalha se mostra grandemente poderoso, oponentes se multiplicam, a batalha contra a ansiedade que isso produz é vivida abraçando a promessa clara: “"Se Deus é por nós, quem será contra nós!" ( Romanos 8:31 ).
Quando sinto que não há força física suficiente, quando a doença invade o lar, quando a saúde se esvai... lutamos firmes com a promessa de que “sabendo que a tribulação produz a paciência, E a paciência a experiência, e a experiência a esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.” - Romanos 5:3-5
Quando a idade chega, e em nossa velhice o velho coração do soldado começa a temer em meio a batalha, combatemos com a promessa segura: “E até à velhice eu serei o mesmo, e ainda até às cãs eu vos carregarei; eu vos fiz, e eu vos levarei, e eu vos trarei, e vos livrarei.” - Isaías 46:4
Quando a morte se aproxima, quando o velho soldado tende a ficar ansioso diante de tão grande inimigo, combatemos com a verdade querida que nos diz: “Porque nenhum de nós vive para si, e nenhum morre para si. Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor.” - Romanos 14:7-8
Em nenhum momento até o final, a guerra tem fim aqui. Nossa paz está simplesmente em que mudamos de lado na batalha, estando ao lado de Deus, outrora inimigo, agora esse Deus infinito em poder e glória, é por nós – aí reside todo o poder de nossa paz.
Fonte: http://www.josemarbessa.com/2015/02/nao-ha-razao-para-estar-decepcionado.html
sábado, 14 de março de 2015
domingo, 8 de março de 2015
Diamantes em fundas
Por Leonel Elizeu Valer Dos Santos
“E tomarás duas pedras de ônix e gravarás nelas os nomes dos filhos de Israel... porás as duas nas ombreiras do éfode, por pedras de memória para os filhos de Israel; Arão levará os seus nomes sobre ambos os seus ombros, para memória diante do Senhor.” Êx 28; 9 e 12
Embora memória seja abstrata, em dado momento carece de um “HD”. Algo palpável. Então, o Senhor ordenou que o manto sacerdotal contivesse doze pedras preciosas simbolizando as tribos de Israel. Assim, uma faculdade da mente seria estimulada também pelo auxílio das vistas.
Desse viés natural em seres imanentes e transcendentes como nós, deriva o insano culto da idolatria. Confeccionar coisas visíveis para chegar às invisíveis. A questão não é o método, dado que o próprio Deus preceituou; antes, o mérito, uma vez que os ídolos cultuados são de gestação humana e concorrem usurpando o lugar que pertence ao Eterno.
A própria celebração da páscoa dos judeus e da ceia dos cristãos, são “ídolos” do bem; ritos que trazem à memória a salvação do Egito àqueles, e do pecado a esses.
Vivemos dias difíceis no que tange aos domínios da memória; quanto maior a gama de dados assimilados, menor a chance de se evocar seletivamente. A velocidade da vida moderna, as amplas possibilidades de “relacionamento” virtual prendem nossas mentes num desfile linear ininterrupto, tolhendo os “breaks” cíclicos necessários ao exercício saudável da memória. Simplificando: Não paramos mais para pensar.
Isso nos veta o rebuscar de coisas boas que são antídotos ao desânimo e estímulos à fé. Certa letra de um hino capta bem, pois, diz: “Conta as bênçãos, dize-as quantas são; recebidas da Divina mão; uma a uma; dize-as de uma vez, e verás surpreso quanto Deus já fez.”
Às vezes, contudo, mesmo que “o mar vermelho” tenha sido aberto ante nossos pés, esquecemos; à menor contrariedade tendemos a duvidar dos cuidados do Santo.
O Seu “HD” que nos humilha não O deixaria fazer isso. “Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria que não se compadeça dele? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti. Eis que nas palmas das minhas mãos eu te gravei;...” Is 49; 15 e 16
Se alguém poderia duvidar, deprimir-se, dado o contexto, era o profeta das lágrimas, Jeremias; que profetizou e contemplou a derrocada de Jerusalém. Todavia, em meio aos seus muitos lamentos ainda fez bom uso da memória. “Disto me recordarei na minha mente; por isso esperarei. As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; novas são cada manhã; grande é tua fidelidade.” Lam 3; 21 a 23
Tiago, por sua vez denunciou aos de memória fugaz; ouvem a Palavra eventualmente, mas, não assimilam a ponto de praticarem; escoa entre os dedos da dispersão. “sede cumpridores da palavra, não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos. Porque, se alguém é ouvinte da palavra, não cumpridor, é semelhante ao homem que contempla no espelho o seu rosto natural; porque contempla a si mesmo, vai-se, e logo esquece de como era.” Tg 1; 22 a 24
Acontece que expomos nosso “si mesmo” em fotos cuidadosas, nos melhores ângulos, para serem “curtidas”. E O Espírito Santo não entende nada de fotografia, quase sempre nos deixa mal quando nos revela. Na verdade possui outro conceito de beleza; santidade.
Assim, “publica” nossas fotos para nossas próprias consciências, para quê, advertidos devidamente e por Ele ajudados, possamos ficar bem na foto que será apresentada ao Pai, para que Ele curta.
Então, enquanto o mundão não para sua célere produção de novidades, Ele segue buscando as mesmas coisas.
Fico triste quando leio açodos de gente que não pensa e “filosofa” rumo ao hiper-ativismo dado que a vida é curta. Como se, o fim da mesma fosse fazer muitas coisas, invés das coisas certas. É fácil bravatear: “Só me arrependo do que não fiz.” Difícil é convencer a si mesmo sobre o travesseiro quando se fez uma besteira das grandes.
Aliás, outro efeito colateral das facilidades virtuais é que todo mundo virou mestre. Basta um control c control v no que gosta para sair vendendo “suas” verdades, que, na maioria das vezes desconhece.
Nem se trata de memória fraca, mas, consciência cauterizada daquele que consegue praticar barbaridades morais, e vender “santidades” virtuais.
Afinal, embora a fé seja o “firme fundamento das coisas que não se vê,” sua prática traz resultados visíveis. “Não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte.”
A pedra que evoca o que Cristo fez é o testemunho de uma vida transformada. Sentenças sábias em vidas dissolutas não passam de pedras preciosas usadas em fundas.
domingo, 1 de março de 2015
O que significa abandonar o primeiro amor? (Série: Igrejas de Apocalipse – Éfeso)
Por: Dennis Johnson
Éfeso era o lugar de situação da primeira congregação que Jesus abordou no Apocalipse e o Novo Testamento nos diz mais acerca da história dessa igreja do que acerca de qualquer das demais. Plantada por Paulo durante uma breve visita, essa congregação foi alimentada por Priscila e Áquila, cooperadores de Paulo, e depois pelo eloquente expositor Apolo (Atos 18.19-28). Em seguida, Paulo retornou a Éfeso para um extenso período de ministério (três anos), marcado pela vitória do evangelho e do Espírito de Cristo sobre os poderes demoníacos e os aguerridos interesses comerciais em torno do mundialmente famoso templo de Ártemis que havia na cidade (19.1-41). Depois, despedindo-se dos presbíteros efésios, Paulo os convocou a serem vigilantes em proteger as ovelhas de Deus dos “lobos vorazes” e falsos pastores (20.29-30). Escrevendo da prisão ainda mais tarde, Paulo convocou essa igreja à “unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus”, uma maturidade que os capacitaria a permanecer firmes contra a “artimanha dos homens” e a “astúcia com que induzem ao erro” (Efésios 4.13-14). O apóstolo insistiu para que a igreja exercesse o discernimento teológico: “Ninguém vos engane com palavras vãs” (5.6).
Agora, em sua revelação a João, o Senhor da igreja se identifica como aquele que “conserva na mão direita as sete estrelas e que anda no meio dos sete candeeiros de ouro” (Apocalipse 2.1), governando as suas igrejas e habitando nelas por meio do seu Espírito, à medida que elas mantêm acesa a luz do evangelho em um mundo espiritualmente anoitecido.
Ao andar por entre as suas igrejas, muito do que Jesus vê em Éfeso atrai a sua aprovação. A igreja guardou no coração as advertências de Paulo quanto aos predadores de fora e os enganadores de dentro; por isso, Jesus elogia a igreja por seu discernimento teológico em expor apóstolos fraudulentos (v. 2) e recusar-se a tolerar os nicolaítas, cujo comportamento o próprio Cristo odeia (v. 6). A perspectiva dos nicolaítas, sem dúvida, era bem conhecida das igrejas do primeiro século, mas nós hoje devemos ser cautelosos em descrever o seu erro. A partir da reprovação de Jesus à igreja em Pérgamo (a qual, diferente da igreja efésia, tolerava o seu ensino), nós inferimos que os nicolaítas, assim como Balaão muito tempo antes, seduziam o povo de Deus à prática da imoralidade sexual e aos banquetes idólatras (vv. 14-15).
A recusa dos efésios em tolerar as práticas nicolaítas pode estar relacionada a outra qualidade pela qual Cristo os elogia: por causa do nome de Jesus, eles suportaram o sofrimento, sendo marginalizados em uma cidade na qual a vida econômica era governada pelo crescente turismo religioso e pelo setor bancário, ambos associados ao Templo de Ártemis, assim como pela fama de Éfeso como um centro de artes ocultas (ver Atos 19.19-41). Recusar-se a participar das celebrações pagãs das corporações de ofício de Éfeso e de seu celebrado marco era arriscar-se à ruína financeira, mas esses cristãos estavam “[suportando] provas por causa do [seu] nome” (Apocalipse 2.3).
Contudo, Jesus também encontrou uma falha em sua congregação “valente pela verdade”: “abandonaste o teu primeiro amor” (v. 4). Alguns pensam que o “primeiro amor” do qual Éfeso havia caído era a sua devoção ao próprio Cristo. Todavia, diferentemente das problemáticas igrejas em Pérgamo, Tiatira, Sardes e Laodiceia, a igreja efésia não era culpada de flertar com os inimigos de Cristo nem de esfriar em seu zelo por seu Rei. Faz mais sentido concluir que o “teu primeiro amor”, que havia esmorecido, era o seu amor uns pelos outros. Paulo havia ensinado àquela igreja que a sua saúde enquanto corpos de Cristo dependia de “falar a verdade em amor” (Efésios 4.15). Mas parece que aquele importante qualificador – “em amor” – havia sido menosprezado em sua zelosa defesa da verdade. As suas palavras eram fiéis à Palavra, mas eles estavam falhando em “[voltar] à prática das primeiras obras” (Apocalipse 2.5).
Manter-se firmemente agarrado a ambos os pilares – verdade e amor – é um desafio constante para pecadores redimidos, que oscilam como pêndulos de um extremo a outro. Com muita frequência, igrejas e seus líderes ou permanecem firmes em favor da verdade bíblica de um modo vigoroso, mas sem amor, ou então preservam uma aparente unidade e amor, porém à custa da verdade. Certamente, quando a verdade do evangelho verdadeiramente alcança nosso coração, isso resulta em amor pelos outros; e, do mesmo modo, o amor que agrada a Jesus cresce apenas no solo fértil da fidelidade à verdade divina. A solene ameaça de Jesus de remover o candeeiro efésio – de apagar o testemunho de amor pela verdade daquela congregação em meio à sua comunidade pagã – nos mostra quão seriamente ele considera a sua ordem de unirmos a fidelidade doutrinária à Bíblia ao amor sacrificial pelos santos.
Contudo, a sua palavra final não é de ameaça, mas de promessa. Falando não apenas a uma igreja, mas a todas, ele faz uma promessa “ao vencedor”. Assim, “vencer” o maligno é combinar o compromisso com a verdade de Cristo a um ardente amor por sua família. A esses vencedores, o descendente da mulher, que foi ferido mas venceu, há de abrir o paraíso, dando do fruto da árvore da vida àqueles que falam a verdade em amor (2.7).
domingo, 22 de fevereiro de 2015
E os pobres, o que a Igreja está fazendo?
Por Silas José De Lima
O discurso de que o pobre carece de pão não é do pobre, e muito menos de Deus. Esse é um discurso de quem tem muito, um pouco de pão dado não lhe fará falta alguma. O que Deus pede é que compartilhemos o que temos, não apenas o excedente. Há muitos que compartilham o pão porque é tudo o que têm (1 Co. 8), mas há outros que compartilham o conhecimento, a generosidade, a amizade, a hospitalidade, o tempo e muitas outras coisas e habilidades (1 Coríntios 12).
Compartilhar é muito mais que dar, é oferecer ao outro a possibilidade de desfrutar dos mesmos benefícios e assumir as mesmas responsabilidades. Ao oferecer ao outro o compartilhamento do que se tem e ao aceitar o que o outro tem, dá-se a ele o que ele merece, dignidade. Ao compartilhar o que temos, oportunizamos ao outro a participação da nossa alegria e permitimo-nos participar da sua.
O compartilhamento dignifica o outro porque o torna igual, participante da mesma benção, sustentado pelo mesmo Deus. Há uma diversidade de dons que podem ser compartilhados. Ninguém é tão desprovido de dons que não tenha o que oferecer, pois “a cada um é dada a manifestação do Espírito, visando ao bem comum” (1 Co. 12.4). A alguns Deus deu o dom de serem especiais, de oportunizarem aos “abastados” a capacidade de amar sem permutas. A esses Jesus chamou carinhosamente de “meus pequeninos” (Mt. 10.42). Uma pessoa considerada incapaz, na verdade têm os maiores dons: simplicidade, gratidão, generosidade, humildade e aceitação dos cuidados dos outros. Essas pessoas oferecem aos seus cuidadores a alegria de encontrar sentido para suas vidas vazias.
Amar e servir o outro, nisso se resume os mandamentos de Deus. “Quem julga as pessoas não tem tempo pra amá-las” (Madre Tereza de Calcutá). Parafraseando, quem ama não tem tempo para julgar as pessoas. Quem ama se ocupa com a alegria de compartilhar o dom do Espírito.
A comunidade onde os dons de Deus são compartilhados se define como Igreja. Ser Igreja é ser a comunidade do compartilhamento. Sem o compartilhamento, o ajuntamento que chamamos de igreja é apenas a expressão de um reino que não é o de Deus, pois usam a carência para controlar as pessoas. Transformar pedra em pão é uma tentação do diabo, não um comportamento divino (Mt. 4.3-4). Mais que comida, os pobres precisam de dignidade. Uma igreja que não tem espaço para o pobre é porque perdeu o brilho da presença do Espírito Santo, se tornou uma empresa com metas e objetivos. A igreja local precisa se organizar como instituição, mas é preciso ter cuidado para não institucionalizar e perder o significado de ser igreja. “A igreja deve ser desinteressada para ser compartilhada” [1].
Nesse mundo, quem tem o poder econômico também tem o poder político. E esse sistema diabólico, econômico/político em que vivemos, cria um ambiente individualista onde o empoderamento se dá pelas posses. Os bens dão poder de manipulação, quando deveria redundar em alegria pela oportunidade dada por Deus para ajudar. Esse não é o sistema do Reino de Deus, mas do reino das trevas. A igreja deve ter cuidado para não se amoldar pelos valores desse reino.
No Reino de Deus, os bens são dádivas de Deus para circular e não para acumular. “Não acumulem para vocês tesouro na terra... Mas acumulem para vocês tesouro nos céus” (Mt. 6.19-20). A mensagem do evangelho subverte a mensagem do capitalismo: rico não é quem tem tesouro acumulado, mas quem gastou toda a sua fortuna para ajudar os outros, quem ousou compartilhar com os carentes o que lhe dava segurança (Mt. 19.21). E, sem segurança, se tornam iguais: todos dependentes da providência divina. Vivemos uma contradição, todos querem segurança, mas uma segurança que não seja compartilhada é ilusória. Nosso objetivo deve ser lutar pela plenitude do Reino de Deus, ai sim, todos terão segurança. O poder econômico pode nos livrar de agressão física, mas nos condiciona a exclusão social. Muitas casas são verdadeiras fortalezas, mas seus moradores sofrem uma violência velada que é pior que a física, são prisioneiros em casa, excluídos da sociedade.
Deus não condena a riqueza, mas a insensibilidade com a carência do outro. Foi o pecado da insensibilidade para com os necessitados que atraiu a destruição de Sodoma (Ez. 16.49). Se a igreja não se voltar para o evangelho de Cristo terá o mesmo fim. Quando a riqueza é benção, para quem possui e para quem não possui, não há o que se preocupar. Mas quando a riqueza possibilita a manipulação e a opressão dos pobres, ela é diabólica. A igreja enriquecida tende ao pecado da arrogância: “estou rico, adquiri riquezas e não preciso de nada” (Ap. 3.17). É preciso ser humilde para ouvir o grito de Deus: eu estou com fome, tenho sede, sou estrangeiro, necessito de roupas, estou enfermo, estou preso, e vocês, o que estão fazendo? (Mt. 25.35-36).
[1] CASTELLANOS, Sergio Ulloa. "A igreja como comunidade de saúde integral". In:SANTOS, H. N. "Dimensões do cuidado e aconselhamento pastoral". São Paulo: ASTE, 2008 (p. 111)
domingo, 15 de fevereiro de 2015
Fazer a diferença
Leonel Elizeu Valer Dos Santos
Quando certas pinceladas desbotam na aquarela dos sonhos podemos baixar a guarda, como se, a vida nos tivesse traído; ou, avaliar nossas expectativas; pois, quando doentias, sua morte está obrando nossa cura.
Quem aposta as fichas no número das quimeras, natural que ceife desilusões. Feito isso, uns se recolhem pra dentro da carapaça, atribuem a causa de seus desenganos a fatores alheios, ignorando que foram agentes das escolhas enganosas.
O maior dano da transferência de culpa não incide sobre nossos “culpados” eventuais; antes, sobre nós, ao tolher a necessária autocrítica, nos furtamos a escalar uns metros mais, na fenda da experiência, rumo ao cume da maturidade. Ela só advém ao custo de sangue, com o qual forja a devida têmpera.
Engana-se quem pensa que o mero curso do tempo amadurece almas! Muitas envelhecem verdes recusam-se a crescer ao preço de dores, decepções. Quando levamos um “toco” da vida, não é hora de cortarmos os pulsos, deprimirmos, ou, abdicarmos de bons valores, como se, não valessem à pena. Afinal, quem cultiva valores em busca de aplausos, no fundo, as palmas são o único bem que aprecia.
A boa índole nos serve, sobretudo, para os momentos maus; Quando não chove guardamos o guarda-chuva. Quem apregoa sua “filosofia” tipo: “Sou bom com quem é bom comigo”. Ou, “Todos estão roubando, por quê serei honesto?” embora possa pavonear-se em “fazer a diferença”, no fundo é só um medíocre que faz igual.
Nadar contra a corrente; arrostar os maus ventos e se manter íntegro, nisso reside a excelência do caráter. Quem condiciona o ser, às circunstâncias, no fundo, não é; apenas está.
Nesse tempo nebuloso, onde, até as mensagens “espirituais” não passam de profanas tentativas de negociatas com Deus, vale realçar a excelente postura do profeta Habacuque: “Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas e nos currais não haja gado; todavia eu me alegrarei no Senhor; exultarei no Deus da minha salvação.” Hc 3; 17 e 18 Eis um relacionamento maior que circunstâncias adversas!
Muitos jactam-se de “matar um leão por dia”, mas, facilmente fogem de um tigre de papel. Ocorre-me a fábula do bezerro “rejeitado”, Ele estava preso num curral, ao lado do qual passava longo brete; dentro desse, uma fila de animais saudáveis, gordos era “estimulada” a ir em frente.
O bichinho olhou aquilo e indignou-se com o “preconceito”; será por que sou magro, ou jovem demais, pensou. Também quero ir onde esses venturosos vão. Recuou um tanto e deu uma forte cabeçada nas tábuas que o limitavam, arrombou e entrou na fila. Era a fila do matadouro de um grande frigorífico.
Conosco, não raro, acontece igual. Nos indignamos contra certas “cercas”, por acharmos que o caminho dos outros serve para nós, embora, muitos conduzam à morte.
Quem quer realmente fazer a diferença precisa aprender a traçar seu rumo calcado em valores, não circunstâncias, nem, no som do berrante.
A sombra muda seu tamanho a cada instante, de acordo com o curso do sol; mas, isso não altera a estatura do corpo que a produz. Por irônico que pareça, faz a diferença apenas aquele que faz igual, quando a vida resolve mudar seu humor.
Fonte: http://www.ultimato.com.br/comunidade-conteudo/fazer-a-diferenca
sábado, 7 de fevereiro de 2015
Antes de decretar a falência do Carnaval...
Por Hermes C. Fernandes
Antes de decretar a falência do Carnaval… deveríamos, como cristãos que somos, trabalhar pelo fim da comercialização da fé, pois a mesma, além de entristecer o coração de Deus, compromete nosso testemunho perante o mundo. Como podemos julgar o mundo, se não somos capazes de julgar a nós mesmos?
Antes de decretar a falência do Carnaval... deveríamos julgar a nós mesmos, removendo de nossos rostos as máscaras da hipocrisia religiosa, expondo-nos, assim, à verdadeira transformação empreendida pelo Espírito Santo. Afinal, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. Liberdade, sim. Não pra pecar. Mas pra ser transformado sem viver sob pressão de quem quer que seja. Liberdade de ser quem somos, sabendo que ninguém nos condenará. O Espírito só opera em nós quando temos o rosto descoberto...
Antes de decretar a falência do Carnaval... deveríamos tirar o chapéu para o trabalho social desempenhado por algumas escolas de samba em suas comunidades. Não fosse nosso corporativismo evangélico, poderíamos até aliar-nos a elas nesse esplêndido trabalho. O que não significa que endossemos tudo quanto é promovido por elas. Porém, não se pode jogar fora a criança com a água suja do banho.
Antes de decretar a falência do Carnaval... deveríamos corar de vergonha ante o nível de excelência alcançado nas apresentações das escolas, com samba-enredos bem elaborados, carros alegóricos exuberantes, organização impecável, etc. Enquanto nós, que nos achamos no direito de apontar-lhes o dedo, nos acomodamos à mediocridade. Basta ouvir as canções de louvor atuais para perceber a pobreza lírica e melódica, fruto de nossa preguiça e desleixo. Sem contar que nossa arte ‘gospel’ fica restrita à música, como se Deus tivesse alguma coisa contra outras expressões artísticas.
Antes de decretar a falência do Carnaval... deveríamos amar os foliões, compreendendo que aquela alegria ilusória é tudo o que eles possuem. Em vez de condená-los, que tal se compartilhássemos com eles a nossa alegria perene? Eles certamente perderiam qualquer interesse por algo que fosse menos que isso. A maneira como nos referimos a eles e à sua festa, faz com que sejamos vistos como gente estraga-prazer. Duvido que no lugar de Jesus nos dispuséssemos a transformar água em vinho só pra que a festa não terminasse tão cedo. Talvez entendêssemos melhor o que diz Provérbios 31:6-7, mas sem perder de vista o seu contexto imediato.
Antes de decretar a falência do Carnaval... decretemos a falência da nossa arrogância, de nossa presunção, de nossa religiosidade midiática, e de nosso egoísmo. Que prevaleça o amor, a humildade e o serviço ao nosso semelhante, mesmo quando este estiver atrás de uma fantasia, ou despudoradamente despido.
Fonte: http://www.hermesfernandes.com/2012/02/antes-de-decretar-falencia-do-carnaval.html
domingo, 1 de fevereiro de 2015
A Diferença entre Arrependimento e Fé!
O Arrependimento pode ser definido como a volta para Deus, em fé, a qual é indissoluvelmente associado, porém inconfundivelmente distinto.
Se bem que estas coisas todas são verdadeiras, contudo o termo arrependimento, em si, até onde posso alcançar das Escrituras, deve ser tomado em acepção diferente. Visto que querem confundir a fé com arrependimento, se põem em conflito com o que Paulo diz em Atos [20.21]: “Testificando a judeus e gentios o arrependimento para com Deus e a fé em Jesus Cristo”, onde enumera arrependimento e fé como duas coisas diversas. E então? Porventura pode o verdadeiro arrependimento subsistir à parte a fé? Absolutamente, não. Mas, embora não possam ser separados, devem, no entanto, ser distinguidos entre si. Da mesma forma que a fé não subsiste sem a esperança, e todavia fé e esperança são coisas diferentes, assim o arrependimento e a fé, embora sejam entre si ligados por um vínculo perpétuo, no entanto demandam que permaneçam unidos, e não confundidos.
Certamente não ignoro que sob o termo arrependimento se compreende toda a conversão a Deus, da qual a fé é parte não mínima; contudo, claramente se verá em que sentido se afirma isto, quando se explica sua força e natureza. O termo arrependimento foi, para os hebreus, derivado da palavra que significa expressamente conversão ou retorno; para os gregos, ele veio do vocábulo que quer dizer mudança da mente e de desígnio. À etimologia de um e outro desses dois termos não se enquadra mal o próprio fato, cuja síntese é que, emigrando de nós mesmos, nos voltemos para Deus; e, deposta a mente antiga, nos revistamos de uma nova. Isto posto, pelo menos em meu modo de julgar, não se poderá assim definir mal o arrependimento: é a verdadeira conversão de nossa vida a Deus, procedente de um sincero e real terror de Deus, que consiste da mortificação de nossa carne e do velho homem e da vivificação do Espírito.
Nesse sentido devem ser tomadas todas as alocuções com que ou os profetas outrora ou os apóstolos, mais tarde, exortavam os homens de seu tempo ao arrependimento. Pois, estavam pleiteando apenas que, confundidos por seus pecados e trespassados pelo medo do juízo divino, se prostrassem e se humilhassem diante desse contra quem haviam se revoltado e, em verdadeiro arrependimento, a seu reto caminho se volvessem. Por isso usaram esses termos indiscriminadamente, com o mesmo sentido: converter-se ou volver-se para o Senhor, arrepender-se e fazer penitência.
Quando até mesmo a História Sagrada diz que arrepender-se é ir após Deus, a saber, quando os homens, que não tinham a Deus em mínima conta, se esbaldavam em seus deleites, agora começam a obedecer-lhe à Palavra e se põem à disposição de seu Chefe para avançar aonde quer que ele os houver de chamar. E João Batista e Paulo usaram da expressão produzir frutos dignos de arrependimento [Lc 3.8; At 26.20; Rm 6.4] em lugar de levar uma vida que demonstre e comprove, em todas as ações, arrependimento desta natureza.
João Calvino (1509-1564)
Fonte: http://www.ocalvinista.com/2015/01/a-difrenca-entre-arrependimento-e-fe.html
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