quarta-feira, 9 de julho de 2014

"Atraso!' Uma benção temporária de Deus!


POR JOSEMAR BESSA

Tempos atrás, um instrutor de paraquedismo do exército aqui no Rio de Janeiro, sofreu um acidente num salto de instrução. O paraquedas se embolou com o paraquedas reserva e ele caiu de uma altura enorme  e  apesar da queda quebrou apenas o braço... Sobreviveu de maneira incrível.

Em momentos assim, muitas vozes dizem que Deus “gosta” daquela pessoa em particular – “Alguém lá em cima olha por mim!”

E quando a pessoa tem uma vida longeva, 70, 80, 09, 100 anos. Imagine todos esses anos num mundo cheio de perigos, quantos livramentos aconteceram, quantas vezes se venceu enfermidades, acidentes... desde a infância.

Todo problema está sobre que interpretação o homem dá a isso. Na contagem dos livramentos nós tentamos achar a razão. E em nosso mundo, libertação é interpretada com aprovação. Se Deus não estivesse de alguma forma satisfeito ele teria deixado essa pessoa morrer, não teria dado tantos livramentos, não daria uma vida tão longa...

Olhando para a natureza da paciência de Cristo, longanimidade e tolerância para com os pecadores, qual é o veredicto da Bíblia? Ela mostra que o pecador erra ao tentar interpretar a paciência de Deus. Não havendo punição imediata sobre o pecado, dando continuidade a misericórdias temporais, o pecador faz a leitura oposta a que devia fazer: “Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te leva ao arrependimento?” Romanos 2:4

Devemos lembrar que a demora de Deus não é uma fraqueza moral. Não é uma visão tolerante para a vida do homem em pecado. Muitos põe sua fé, não na revelação bíblica de Deus, mas num aspecto que mais lhe agrade. Pensão então que porque Deus não puniu o pecado de uma vez só, nunca irá chamar o homem para a prestação de contas. Então ele morre cheio de fé, não no evangelho, mas na paciência de Deus.

Ao olhar a paciência de Deus experimentada em toda sua vida, o homem interpreta isso como sinal do favor divino, e ele morre assumindo que essa tolerância vai durar para sempre. Mas a tolerância não é aprovação. A tolerância divina não é absolvição, a tolerância divina não é o cancelamento da dívida. Esse tempo é apenas um atraso temporário do julgamento. Esse atraso está cheio de paciência, misericórdia, generosidade...

“Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te leva ao arrependimento? Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente,entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus” -Romanos 2:4-5

O atraso não é aprovação, ira vai sendo represada a medida que os anos vão passando. E nós sabemos que algo represado quando finalmente e liberado a destruição provocada é muito mais trágica.

Ajudemos aos outros a interpretar corretamente as misericórdias temporais de Deus e jamais olhemos as misericórdias de Deus como aprovação a tudo que Ele despreza, em nós ou no mundo.


“Buscai ao SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto”.Isaías 55:5

terça-feira, 1 de julho de 2014

Renovando os votos

Por Leonel Elizeu Valer Dos Santos

“Bem-aventurado o homem que acha sabedoria, e o homem que adquire conhecimento;… É árvore de vida para os que dela tomam, e são bem-aventurados todos os que a retêm.” Prov 3; 13 e 18

Alguns verbos chamam atenção na relação proposta ao homem com a sabedoria; acha, adquire, toma, retém. Claro que “achar” não deriva de ser, Sophia, uma errante, antes, mesmo estando clamando nas ruas como versa o mesmo sábio, poucos a identificam. Acontece que o mundo que derivou da árvore da ciência, não raro, se opõe aos reclames da Árvore da vida.

Por ser a vida espiritual, abstrata, não pode ser achada no âmbito natural onde de exercita a ciência. Então, às vezes os postulados daquela parecem chocar-se com os conselhos desta. Basta ver a definição da origem das espécies oferecida pela “ciência” nas universidades, por exemplo.

Sabedor de tais contradições Paulo apresenta o retorno à Árvore da Vida, Cristo, como um choque na sensatez que assessora a ciência. “Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus… Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos.” I Cor 1; 18 e 23 Assim, achar a sabedoria pode equivaler a perder o juízo, enlouquecer, para os padrões naturais.

Entretanto, após achar precisamos adquirir a mesma. Alguns entendem mal a graça de Deus como se significasse que Ele faz tudo e a nós resta apenas receber. Não. Graça significa apenas que nenhum de nós merece o que Ele fez. O fez soberanamente por causa de seu amor a despeito de nossos deméritos. A sujeição de nossa vontade enferma à doutrina de Cristo, a cruz, é o preço que toca a cada um que, achando, deseje adquirir a sua porção da Sabedoria de Deus. “Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição; sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado.” Rom 6; 5 e 6

A ideia expressa é inequívoca; deixar de servir ao pecado para abraçar a Vontade de Deus. Mudança tão radical que equivale a morrer. Acha, identifica; adquire, paga o devido preço. Toma… no domínio material é possível adquirir algo e o não tomar para si, fazer-se proprietário sem levar consigo. Porém, a aquisição da salvação, veículo da Sabedoria e amor Divinos, ter e não tomar para si só pode engendrar a hipocrisia. Não é um produto que se possa comprar para terceiros; respeita à vida; à nossa.

Pela mesma razão, não pode ser usufruído apenas em ambientes favoráveis e ocultado em outros. Nossa posse da vida eterna deve ser amplamente visível; “Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte;” Mat 5; 14 Embora, eventualmente, seja prudente não alardearmos nossa fé em circunstâncias que geraria discórdia, violência, não existem agentes secretos no reino de Deus.

Então, a ideia é identificar, adquirir e levar consigo por onde for, esse precioso bem. Mais ou menos como andar de bicicleta que se parar de pedalar pode cair, parar de andar segundo o que aprendemos a crer equivale à queda espiritual; Paulo exorta: “Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia.” I Cor 10; 12

Acontece que tomar dessa preciosidade pode ser sazonal, uma decisão emotiva enquanto as coisas “derem certo”, mas, faltar ousadia confiante no dias difíceis; aí chegamos ao quarto verbo, reter.

O Salvador ilustrou os crentes sazonais, emotivos, como sementes inúteis que caíram sobre pedras; “O que foi semeado em pedregais é o que ouve a palavra e logo a recebe com alegria; mas não tem raiz em si mesmo, antes é de pouca duração; e, chegada a angústia e a perseguição, por causa da palavra, logo se ofende;” Mat 13; 20 e 21

Embora possa ser simplificado como perseverança, reter encerra a ideia de ter de novo, adquirir outra vez. Acontece que a posse de tal preciosidade não é pacífica, antes, objeto de disputa, de oposição. Perseguição por causa da Palavra é a “pedra” que ameaça a semente da fé.

De certo modo, pois, precisamos “renovar nossos votos” todos os dias. E fazemos isso cada vez que dizemos não às tentações que nos assolam. Essas buscam voltar nosso olhar para as circunstâncias, os prazeres agora, o fruto da ciência; a fé espera nos prazeres vindouros, pois, comendo da Árvore da Vida tem vida eterna, os prazeres podem esperar.

A “ciência” tem sua glória em cem metros rasos; a fé triunfa na maratona da eternidade.

sábado, 21 de junho de 2014

Não há discurso, há credo

Por Pedro João Costa

Igreja é comunidade anônima: Por não discriminar, "o servir ao outro" constitui a comunidade, a saber, a comunhão dos santos irmãos.

Comunidade clandestina: Não existe com o sistema. Inexiste por ser o corpo de Cristo que afirmou: Já não falarei muito convosco, porque se aproxima o príncipe deste mundo, e NADA TEM em mim.

Invisível: A mente de Cristo é a mente do corpo de Cristo, e assim, a comunidade dos santos irmãos percebem as coisas do espírito e não as coisas materiais. O que é transitório é o mundo em que estamos e por isto somos também comunidade peregrina.

Peregrina: Estamos no mundo em missão, segundo o propósito do nosso criador que nos guia pelo seu Santo Espírito. A cabeça e o corpo são invisíveis pelo olhar natural.

E não há discurso, e sim um credo, a fé que consiste em sabedoria de Deus e poder de Deus.


Pedro João Costa (06-06-2014): Colaborador deste blog desde 2010.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Alegar ignorância não desculpará uma só alma...


POR JOSEMAR BESSA

O assunto do evangelho é inequívoco e não é difícil perceber o falso evangelho. Portanto, se um falso evangelho prospera em nossos dias, se as multidões sorvem com alegria sua mensagem centrada no homem, seus desejos... nenhuma desculpa há para esta geração. Alegar ignorância não desculpará uma só alma... colocar a culpa em “líderes” não apagará a verdade de que a busca era a glória pessoal. O evangelho pode se  mostrar centrado no homem de muitas formas, “teologia da prosperidade”, ou no foco de salvar a sociedade... não do pecado, mas das dificuldades... mas sobre o que o evangelho fala. Ele é 

O evangelho da glória de Cristo! " - 2 Coríntios 4:4

O evangelho é uma revelação gloriosa da graça divina - uma manifestação do propósito e da boa vontade de Deus para salvar os pecadores, mas sempre em harmonia com, e para a honra de  todas as Suas perfeições divinas: Sua santidade, sua Justiça, seu amor, sua ira...

O Evangelho tem UM  tema – Ele apresenta Cristo na glória de sua pessoa. No evangelho o coração de Deus é desnudado manifestando a plenitude de Cristo e leva homens indignos a serem eternamente felizes na contemplação dessa glória na face de Cristo.

O Evangelho aponta só para Cristo, ele  é o poderoso instrumento de Deus para levar ao desfrute de Cristo, por isso e para isso Ele  ressuscita os mortos no pecado, ilumina a mente cega, perdoa o culpado, purifica o coração sujo...

O evangelho revela tudo o que Deus pode dar, e tudo que ele pode dar é Cristo. O evangelho revela tudo que o homem precisa, e ele precisa de Cristo. O evangelho revela tudo que o homem deve desfrutar, e ele deve desfrutar Cristo.

O Evangelho coloca o homem no pó - e coloca Deus no trono! Ele coloca o homem como um pecador, à disposição soberana de Deus. Ele vai render nada para o orgulho do homem, e não traz nenhum elogio a suposta bondade do homem ou suas habilidades.

Se um homem é salvo, é pela graça, é somente por causa de Cristo e para a Sua honra. O evangelho despreza a sabedoria do mundo, coloca o rico e o pobre, o moral e o imoral, o doutor e o analfabeto... no mesmo nível. O orgulho humano não pode tolerar o “Evangelho da glória de cristo”.

O evangelho despreza a sabedoria do mundo, e coloca o rico e o pobre, o moral e o imoral, o doutor e o analfabeto - no mesmo nível! O orgulho do homem não pode tolerar isso!

O evangelho só pode ser conhecido como experiência real pelo poder e ensino do Espírito Santo – só depois dessa obra ele pode ser amado, valorizado e praticado...

Será que de fato conhecemos pessoalmente e experimentamos o evangelho? O “evangelho da glória de Cristo?” – Nossas vidas declaram que provamos sua doçura e sentimos o seu poder? Ele é mais desejável para nós que o ouro, ou um meio para alcançar ouro, realização, relacionamentos que achamos ser fundamental para nossa alegria...

O evangelho da “glória de Cristo é mais doce que o mel para nós? Já recebemos o evangelho com uma demonstração do poder do Espírito? Ele tem iluminado nossas decisões, purificado nossos corações e corrigido nossas vidas? Esse e apenas esse é o “evangelho da glória de Cristo!”

quinta-feira, 5 de junho de 2014

O Pentecostes de órfãos e viúvas

Derval Dasilio


“Esses homens, que têm causado alvoroço por todo o mundo, agora chegaram aqui, [...] todos eles estão agindo contra os decretos do imperador, dizendo que existe um outro rei,chamado Jesus”. Atos 17.6-7

É indispensável o complemento (João 14.18-19): “não vos deixo orfãos”, [“orfanus”: des-validos, des-protegidos, des-amparados]). O Reino se destina aos órfãos, acolhe os despojados, despoderados, sem-casa, sem-teto, sem-cidadania, sem-dignidade, sem-justiça, sem-tudo. Em primeiro lugar os que estão sob risco de sobrevivência. Os que padecem de fome e sede; os que estão nus, desprotegidos dos perigos da economia e política de privilégios, vulneráveis ao mal permanente; os que estão encarcerados nas prisões dos pensamentos autoritários e da opressão de consciência. O Reino se destina aos despoderados e oprimidos, também, os que veem libertação para prisioneiros do fatalismo histórico, do Mal permanente que se acredita irreversível, sempre presente na fraqueza da fé sem esperança. O Espírito é esperança de salvação. 

Cada vez mais enfrentamos este ou aquele grupo que se diz “pentecostal”, ou irmãos que se declaram, agressivamente até, "carismáticos", porém, ignorando o sentido bíblico do “Pentecostes”. Perdemos o verdadeiro Espírito da Igreja quando nos entregamos ao comum carismático, ou mundo mercadológico da fé pentecostal, que parece ignorar o reino de Deus (justiça, dignidade humana), que precede a tudo. Sejam exorcismos duvidosos (prestidigitação, magia), às curas, prosperidade, “propósitos”; pentecostalismo como respostas à vida consagrada, avivada, e respostas materiais como bem-aventuranças. Assumimos o “pentecostalismo religioso” (ênfase pagã? o “deus ex machina” do pentecostalismo não-cristão antecede sua história através dos mitos da Grécia Antiga); o pentecostalismo transforma-se numa religião “possuída” por muitos símbolos materiais imediatos, pragmáticos, mercadológicos. 

Atos dos Apóstolos apresenta outra visão sobre a manifestação histórica, aumentando nossa confiança: quando o nome de Jesus Cristo é invocado, ele passa a agir como força mediadora da Graça de Deus (2.1-13; 17.6-7). Ao mesmo tempo, dele emana o Espírito de Deus que se apossa dos discípulos, para que o evangelho da Graça seja pregado. É o reino de Deus que se instala; só depois vem a Igreja1. Assim é a teologia de Lucas, no evangelho e no livro de Atos.

Religiosidade, comunhão eclesiástica, ministérios ordenados, instituições doutrinais, não podem sufocar o suspiro dos oprimidos2, no Espírito: “...também nós que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, no aguardo da redenção do nosso ‘corpo’; (...) o mesmo Espírito intercede por nós em gemidos inexprimíveis” (Rm 8.2-3a; 26b), para libertar-nos. A massa de oprimidos poderia buscar uma aproximação com o Pentecostes subversivo, neotestamentário, pois a preferência ao reino de Deus está nos pobres e despoderados, órfãos deste mundo3 que experimenta o “pentecostes”. 

“O Espírito do Senhor está sobre mim, pois ele consagrou-me para anunciar a Boa Nova aos pobres: enviou-me para proclamar a libertação dos presos aos sistemas de pensar e, aos que vivem em cegueira, a recuperação da visão clara das coisas; para dar liberdade aos oprimidos e proclamar um ano jubilar de remissão por Graça do Senhor" (Lc 4.18/ rf. Is 61.1). Assim, Jesus inicia seu ministério numa sinagoga da Galiléia. A interrupção brusca, no martírio e na morte, também testemunhados por Lucas, não impedirá a Ressurreição do Cristo de Deus, e com ela as aparições pascais. O próprio Jesus se manifesta como o Cristo vivo, ele e sua causa prosseguem na história dos homens. 

Como podemos explicar este esquecimento do Espírito em nossa experiência cristã, nas igrejas históricas? Richard Shaull, precursor e introdutor da Teologia da Libertação na América Latina, despedindo-se de nós, alertando as Igrejas Históricas, escrevia: 

“O testemunho de muitos (autênticos) pentecostais pobres e marginalizados tomou um novo sentido para mim, enquanto combatia o câncer que me tomara. Com frequência tenho observado – com perplexidade – como mulheres e homens enfermos, ou vivendo em extrema pobreza, têm pleiteado com Deus a restauração de sua saúde ou a garantia do bem-estar econômico e social. Porém, continuam pobres e doentes. E, mesmo nesta situação, cantam hinos alegremente, em louvor a Deus, pelo que Ele lhes tem dado. Em seu meio, no passado, também reconheci que sabiam que suas vidas haviam sido transformadas, mas não alcancei o que isso significava, naquele momento. 

Agora, tenho a compreensão. Entendo porque o pobre, o marginalizado, o enfermo, o povo arruinado, pode levar-nos a um mais profundo conhecimento de Deus e à rica experiência de uma vida abundante. [...] A chave para se compreender tudo isso, que esboçamos como a luta angustiante para sustentar a fé e a confiança em Deus, em meio de tremenda violência e destruição, foi apresentada no final do livro do profeta Habacuque: ‘o justo viverá pela fé’!”.

Como “consolar” os órfãos da utopia do Cristo de Deus quando a Igreja se apresenta como quem tomou posse do Espírito, senão com a garantia da solidariedade de Deus? Como garantir um final feliz no drama da salvação, ideais transformadores, revolucionários, a justiça de Deus, a vida eterna, sem fim, a morada com Deus, a pátria celestial, cidadania dos céus, no sentido bíblico? “Pedirei ao Pai que vos envie ‘outro parakletos’, companheiro e ajudador, a fim de que esteja ‘sempre’ convosco”; “o Ajudador, o Espírito Santo, (...) esse vos ensinará todas as coisas e ‘vos fará lembrar’ de tudo que eu vos tenho dito” (cf.: Jo 14.16). No grego, o termo “parakletos” oferece extensas possibilidades: defensor, advogado, companheiro, protetor e ajudador. Jesus chama-o também de Espírito da Verdade, referindo-se à divina revelação do Espírito de Deus aos órfãos e viúvas. Estes, certamente, esperam impacientes o seu Pentecostes redentor.

Derval Dasilio: É pastor da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil e autor de livros como “Pedagogia da Ganância" (2013) e "O Dragão que Habita em Nós” (2010).

Fonte: http://www.ultimato.com.br/conteudo/o-pentecostes-de-orfaos-e-viuvas

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Confrontando com Amor – R.C. Sproul

Muitas vezes temos que repreender e confrontar outros com respeito à Verdade. Neste artigo, R.C. Sproul nos ensina mais sobre como podemos confrontar alguém da maneira correta, seguindo o exemplo bíblico:
Toda vez que eu leio os evangelhos, fico impressionado com o fato de como Jesus parecia encontrar-se em meio a uma controvérsia onde quer que ele fosse. Também fico impressionado com a forma como Jesus lidava com cada controvérsia de maneira diferente. Ele não seguia o exemplo de Leo “The Lip” DeRosier, o ex-gerente do New York Giants, tratando cada pessoa que ele encontrava da mesma maneira. Embora ele esperasse que todos “jogassem pelas mesmas regras”, ele pastoreava as pessoas de acordo com as necessidades específicas delas.
O Antigo Testamento retrata o Bom Pastor como aquele que carrega tanto o cajado quanto a vara, pois a sua responsabilidade é tanto guiar as suas ovelhas quanto protegê-las de lobos vorazes (Sl 23.4). Nos evangelhos, nós vemos Jesus utilizar a sua vara protetora mais frequentemente contra os escribas e fariseus. Quando Jesus lidava com esses homens, ele não pedia e nem dava trégua. Quando ele pronunciava o julgamento de Deus sobre eles publicamente, ele usava o oráculo do “ai”, que era usado pelos profetas do Antigo Testamento: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois rodeais o mar e a terra para fazer um prosélito [convertido]; e, uma vez feito, o tornais filho do inferno duas vezes mais do que vós!” (Mt 23.15).
Jesus lidou com muitos dos líderes religiosos do seu tempo rigorosamente por causa da hipocrisia do coração duro deles. Outras pessoas que reconheciam os próprios pecados e se envergonhavam deles – Jesus as abordava com amor e encorajamento. Considere a mulher no poço (João 4). Jesus sentou-se e conversou com a mulher samaritana, o que era inédito naquela época para um rabino judeu, devido aos preconceitos comuns contra mulheres e samaritanos. Ele pacientemente tirou dela uma confissão de pecado e lhe revelou o Seu ofício messiânico. Jesus a tratou como uma cana quebrada e uma torcida fumegante, gentilmente confrontando-a, mas não esmagando-a (Mt 12.15-21).
Entre muitas outras coisas, penso que o exemplo de Cristo nos ensina como devemos lidar com aqueles de quem discordamos.

Por: R. C. Sproul. Extraído do site www.ligonier.org. © 2013 Ligonier Ministries. Original: The Judgment of Charity
Este artigo faz parte da edição de Julho de 2013 da revista Tabletalk.
Tradução: Alan Cristie. Revisão: Renata do Espírito Santo – © Ministério Fiel. Todos os direitos reservados. Website: www.MinisterioFiel.com.br. Original: Confrontando com Amor – R.C. Sproul

Fonte: http://voltemosaoevangelho.com/blog/2014/05/confrontando-com-amor-r-c-sproul/

sexta-feira, 30 de maio de 2014

A Idade Mídia

Por Pedro Paulo

O paralelo que fiz do título com a imagem foi na intenção de traçar o momento absurdo que vivemos hoje. Nossa época já vem sendo denominada a "Idade da Mídia". Entretanto, infelizmente parece que estamos vivendo um retrocesso no consciente das pessoas, pois foi exatamente na época da Idade Média que as pessoas eram condenadas à morte na fogueira por uma simples acusação ou suspeita de heresia ou bruxaria.

O linchamento de uma mulher inocente ocorrido no início deste mês em Guarujá no litoral de São Paulo, foi uma demonstração de que a violência perpassa o limite da razão. Foi apenas uma notícia que se espalhou como um rastilho de pólvora nas redes sociais que provocou essa injustiça gravada e divulgada.

Vivemos um momento ímpar por todo o nosso país, quando vemos em diversas manifestações o povo clamando por direitos e por justiça social. É legítimo o clamor popular pelo fim da corrupção que se arraigou no meio político e por uma melhor gestão da coisa pública. Porém, sabemos que o governo tem sido bastante omisso no atendimento à demanda da população.

Mas nada justifica que possa existir uma justiça praticada pelas próprias mãos. É assustador saber que a concentração urbana desordenada, a criminalidade e o envolvimento com as drogas por uma população cada vez mais jovem, acabou por deixar o estigma da violência marcar a mente de muitas pessoas.

As Escrituras Sagradas relatam que uma mulher foi levada até Jesus, pois foi apanhada em adultério e de acordo com a lei dos judeus naquela época, ela deveria ser apedrejada. Jesus porém, alem de não condená-la, disse aos seus carrascos: "Aquele que não tem pecado que atire a primeira pedra". Ocorre que todos se retiraram e a seguir Jesus disse para ela não cometer mais aquele ato.

A busca pelo fim da impunidade, tão esperado por todos nós, não pode ser o motivo pelos quais se violarão os direitos individuais. Precisamos hoje que o clamor por justiça seja coberto pela misericórdia e pelo amor.

Fonte: http://razaodaindignacao.blogspot.com.br/