domingo, 19 de julho de 2015

A hipocrisia de não ser sal e luz

Por John Stott


Vocês são o sal da terra. Mas se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens. Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte. E, também, ninguém acende uma candeia e a coloca debaixo de uma vasilha. Ao contrário, coloca-a no lugar apropriado, e assim ilumina a todos os que estão na casa. Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus.
(Mateus 5.13-16)

Tanto o sal quanto a luz são produtos efetivos. Eles transformam o ambiente em que são introduzidos. Assim, quando o sal é introduzido na carne ou no peixe, algo acontece; a deterioração por bactéria é evitada. E também, quando a luz é acesa, algo acontece; a escuridão desaparece. Além disso, pode-se argumentar que o sal e a luz têm efeitos complementares. A influência do sal é negativa; impede a deterioração bacteriana. A influência da luz é positiva; ilumina as trevas. Do mesmo modo, Jesus deseja que a influência dos cristãos na sociedade seja tanto negativa(impedindo a disseminação do mal) quanto positiva (promovendo a disseminação da verdade e da bondade e, em especial, do evangelho).
Assim, por que nós, cristãos, não exercemos um efeito mais saudável na sociedade? Vemos as tendências à deterioração à nossa volta. Vemos injustiças sociais, os conflitos raciais, violência nas ruas, corrupção nas altas esferas, promiscuidade sexual e a praga da Aids. Quem é o culpado? Temos o costume de culpar a todos, exceto a nós mesmos. Mas deixem-me colocar isso de outro modo.
Se a casa está escura à noite, não faz sentido culpar a casa por estar escura. Isso é o que acontece quando o sol se põe. A pergunta a fazer é: onde está a luz?
Do mesmo modo, se a carne se estraga e se torna intragável, não faz sentido culpar a carne por se estragar. Isso é o que acontece quando as bactérias são deixadas livres para se multiplicar.
A pergunta a fazer é: onde está o sal? Assim também, se a sociedade se torna corrupta (como uma noite escura ou um peixe que cheira mal), não faz sentido culpar a sociedade por sua corrupção. Isso é o que acontece quando o mal humano não é restringido e refreado. A pergunta a fazer é: onde está a igreja? Onde estão o sal e a luz de Jesus?
É hipocrisia arregalar os olhos e dar de ombros, como se a responsabilidade não fosse nossa. Jesus nos mandou ser sal e luz na sociedade. Se, portanto, a escuridão e a putrefação sobejam, em grande parte é por falha nossa, e precisamos aceitar boa parte da culpa. Também precisamos aceitar, com nova determinação, o papel que Jesus designou para nós, ou seja, ser sal e luz da sociedade.
Não são apenas os indivíduos que podem ser mudados; as sociedades também podem. É claro que não conseguiremos uma sociedade perfeita, mas podemos melhorá-la. Os cristãos não são utopistas. Até Cristo voltar em glória, não haverá uma sociedade perfeita de paz e justiça. Mas, por enquanto, a História está repleta de exemplos de desenvolvimentos sociais – melhoria de padrões de saúde e higiene, maior disponibilidade de alfabetização e instrução, emancipação de mulheres, melhores condições nas minas, fábricas e prisões, e a abolição da escravatura e do comércio de escravos.
Não podemos afirmar que todos esses desenvolvimentos se devem inteiramente à influência cristã. Mas podemos afirmar que (por meio de seus seguidores) Jesus Cristo tem exercido uma influência enorme para o bem.
Nota:Trecho do livro A Igreja Autêntica, p. 132-134, do teólogo inglês John Stott.

domingo, 12 de julho de 2015

Desmascarados os verdadeiros inimigos da cruz

                                                                                               
                                                                               Por Hermes C. Fernandes


“Pois muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora novamente digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo” (Fp.3:18).

Quem seriam os tais “inimigos da cruz”?  Estaria Paulo falando dos romanos, com seu estilo de vida hedonista, idólatra? Ou estaria se referindo aos gregos, amantes do saber? E se tivéssemos que aplicar esta palavra aos nossos dias, a quem caberia a alcunha? Quem são os atuais “inimigos da cruz”?  Seriam os muçulmanos? Os homossexuais? Os socialistas? Para sabermos quem são eles em nossos dias, temos que descobrir quem eram nos dias de Paulo.

Alguns versos antes, o apóstolo adverte a seus leitores sobre os que ele chama de “cães”, “maus obreiros”, “falsa circuncisão”. Ele não está apontando inimigos externos, mas internos. Os mesmos que em outra epístola ele chama de “falsos irmãos, que se entremeteram com o fim de espreitar a nossa liberdade que temos em Cristo Jesus, para reduzir-nos à escravidão” (Gl.2:4). É acerca dos tais que devemos redobrar o cuidado, para que não nos tornemos presas suas, “por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens” (Cl.2:8).

Os inimigos da cruz não estão lá fora. Eles estão entre nós! Fazem-se de cristãos, fiéis seguidores de Cristo, expoentes da sã doutrina, conservadores das tradições, porém, sua intenção é outra.

Não é a Cristo que servem, mas ao seu próprio ventre (Fp.3:19).

Pregam uma santidade de fachada, ostentando uma “aparência de sabedoria”, “humildade fingida”, “severidade para com o corpo”, coisas completamente desprovidas de valor real.

Por que Paulo os chama de inimigos da cruz?

Por se insurgirem contra os efeitos da cruz. Estes intentam reconstruir os muros separatistas derrubados na cruz (Ef.2:14-17). Em vez de promover harmonia entre os diferentes grupos humanos, preferem ver o circo pegar fogo. Insistem com uma mensagem discriminatória, onde as pessoas são julgadas por critérios étnicos, culturais, sexistas ou religiosos. A mensagem do amor, marca registrada do ministério de Jesus, é substituída pela mensagem do ódio, da vingança. Em vez de boas novas, preferem espalhar calúnias, difamação, mentiras contra quem ouse pensar diferente deles.

Qualquer ideologia ou doutrina que não seja capaz de fazer de nós pessoas melhores, mais compassivas e generosas, deveria ser totalmente rechaçada, pois certamente não procede do Crucificado.

O mundo já está saturado de tanto ódio e preconceito.

Os inimigos da cruz são retrógrados, querem reverter o processo deflagrado com o advento da mensagem cristã. Preferem voltar à idade das trevas. Acham que as mulheres são seres inferiores, que não podem exercer qualquer função que não seja subalterna. Alguns chegam a defender a instituição da escravidão, como sendo justa e necessária. Tudo isso travestido de linguagem bíblica e teológica. Dizem-se favoráveis à vida, mas defendem a pena de morte com unhas e dentes, bem como a utilização de tortura por parte do Estado, e a proliferação de armas entre os cidadãos comuns.

Se Paulo os chama de “cães”, vou um pouco adiante.. São cães raivosos. Cães de guarda! Defendem seu perímetro com ferocidade, não se dispondo a ceder um centímetro sequer. Para eles, o importante não é a defesa da verdade (aquele que é seguida em amor, de acordo com Ef.4:15), mas a defesa de seu ponto de vista ou de seus interesses.

Eles bem que poderiam ser identificados facilmente, não fosse sua habilidade em camuflar-se. Paulo diz que os tais “obreiros fraudulentos” se transformam em ministros da justiça, tal como Satanás que se transfigura em anjo de luz (2 Co.11:14).

Além de reconstruírem “as paredes de separação” entre os homens, seu maior atrevimento é tentar recosturar o véu do templo. Pra eles, ninguém pode chegar-se a Deus a não ser rezem em sua cartilha ideológica/doutrinária. Os que ousam discordar, logo são tachados de hereges, anticristos, falsos profetas, etc. São os herdeiros diretos do legado deixado pelos fariseus contemporâneos de Jesus, que não entravam e ainda impediam que outros entrassem (Mt.23:13).

Se estivessem na cena em que Jesus impediu o apedrejamento de uma mulher adúltera, certamente seriam os primeiros a apedrejá-la. Se testemunhassem o diálogo de Jesus com o ladrão da cruz, achariam que Ele estava delirando ao franquear a entrada do reino àquele meliante.

Com o mesmo rigor com que julgam, serão julgados. Sua hipocrisia será exposta. “Porque o juízo será sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia” (Tg.2:13).

Que em lágrimas como o apóstolo, exortemos a estes a não pisarem o Filho de Deus, não profanarem o sangue da aliança, nem ultrajarem o Espírito da graça (Hb.10:29).


sábado, 4 de julho de 2015

A armadura que visto


Por Alessandra Dantas

A armadura que visto já não me serve mais. Talvez esteja na hora de me despir daquilo que me protege de tudo, inclusive do que eu deveria sentir. Mas preciso de coragem por que sei que quando me despir, irão me machucar, pois já não estarei protegido como antes. Irão me ferir, vou sentir a dor, gritar, chorar, implorar para que ela vá embora. Vou olhar para minha armadura e querer vesti-la novamente.
A palavra armadura que protege o tórax, veio do latim, coriácea vestis de corium, roupa, veste de couro, armatura, o mesmo que arma, material bélico ou conjunto das defesas metálicas (couraça, capacete etc.) que protegiam o corpo do guerreiro do séc. XIV ao séc. XVII.
Nos textos bíblicos, armadura tem uma simbologia muito interessante, pois representa uma estrutura humana que não serve para a batalha espiritual. É pesada, representa fardo, técnica e estratégias do homem, porque toda pessoa que se utiliza de uma armadura, se baseia nas habilidades humanas, deixando de confiar em Deus, nas estratégias de Deus e passando a confiar no próprio homem. Foi assim com Saul em 1 Samuel 17.38: “E Saul vestiu a Davi das suas vestes, pôs lhe sobre a cabeça um capacete de bronze, e o vestiu de uma couraça.”
A armadura de Saul não servia em Davi, pois a armadura de Saul foi desenvolvida para batalha física e não para espiritual, ela não representava a presença de Deus, apenas força bruta. As armaduras eram feitas sob medida e aquela, definitivamente, não foi feita para Davi. A realidade de Davi era outra e ele nunca havia usado uma armadura, nem uma espada. Ele teve grandes dificuldades em se locomover. Era uma armadura emprestada.
Em sua cegueira espiritual, o Rei Saul não percebeu que Davi corria o risco de enfrentar o “Golias” com uma armadura que não lhe pertencia. A armadura de Saul era de Saul, a armadura que Davi usou era espiritual, era invisível, era sob medida, tecida na intimidade com Deus, na comunhão, no tempo que passou diante dEle.
Não podemos usar a armadura de outra pessoa. Cada um deve desenvolver sua própria experiência. Quanto a minha armadura humana, é com cuidado que me livro dela, com bastante cautela. Não quero que alguém me veja desprotegida e tente me atingir, pois confesso: ainda sou fraca. Sou fraca por não possuir domínio do que tentava me abater, sou fraca por precisar de algo que não me pertence para me proteger. Fraca por não deixar que me firam para que eu possa sentir a dor e aprender a me restituir dela. Mas mudarei de ideia assim que a dor passar, por que vou aos poucos me tornar uma pessoa mais forte e quanto mais feridas surgirem, mais rápido elas cicatrizarão, menos dor irei sentir e mais atenta vou estar.
Prepararei-me melhor para novas experiências, e como tudo tem dois lados, saberei com o tempo aproveitar melhor os momentos que elas proporcionam, momentos de entusiasmo, de alegria, de ansiedade, momentos que irão fazer meu coração bater mais rápido e que me lembrarão que estou mais forte e mais experiente. Momentos que vão me fazer olhar para trás e saber que aquela velha armadura, que antes usava, já não me pertence mais.


Fonte: http://www.ultimato.com.br/comunidade-conteudo/a-armadura-que-visto

domingo, 28 de junho de 2015

Jesus e o Anti-Marketing Religioso

Em 355 a.C, próximo a Atenas, Aristóteles fundou o seu Liceu para repassar ensinamentos aos discípulos que desejassem aprender sobre lógica, física, matemática, retórica, ciências, entre outros saberes.

Tratava-se de um amplo espaço, com um enorme bosque, onde havia aulas regulares pela manhã e a tarde, com públicos diferentes, com vistas a fomentar a filosofia e o desenvolvimento do pensamento para o bem da vida.

Pois bem, eu confesso estar imensamente intrigado por que Jesus não andou neste mesmo “mover”, por que não seguiu a receita de sucesso daqueles que vieram antes de si, por que não fez uso de estratégias de multiplicação? Sim, encasqueta-me o juízo saber por que Jesus foi tão obtuso e não se valeu de seu enorme potencial homilético, de seu imenso carisma e, sobretudo, de sua capacidade extraordinária de realizar milagres?!

Em tempos de “expansão” de ministérios, de pregadores televisivos, de construções de templos salomônicos, de aumento da população evangélica com vistas a se tornar a religião hegemônica no Brasil, parei para refletir sobre a vida de Jesus e seus discípulos...

Na verdade, a dúvida sobre os métodos de Jesus não é só minha, não. A própria família do Senhor também não entendia por que ele usava estratégias tão ultrapassadas e não fazia qualquer marketing pessoal. Em Jo. 7:4, o Galileu ouviu dos de casa o seguinte: “Ninguém que deseja ser reconhecido publicamente age em segredo. Visto que você está fazendo estas coisas, mostre-se ao mundo". Mas, curiosamente, ele insistia na simplicidade e na fé...

O que eu queria mesmo era que Jesus tivesse alugado um espaço, quem sabe próximo ao Templo de Herodes, numa área nobre de Jerusalém, e botasse pra quebrar! Sim, fico pensando numa mega catedral, com cultos, ao menos, três vezes por dia, louvor gospel com bandas extravagantes – assim atrairia também a juventude – e mensagens bombásticas para os miseráveis daquela região. Ia ser o pipoco! O Sinédrio ia esquentar a chapa e teria que se cuidar com a nova concorrência!

Na verdade, com a capacidade que o Galileu tinha, certamente conseguiria levantar muitos fundos entre a classe dos publicanos. Com estes recursos, poderia construir o Liceu de Jesus, um lugar para treinar novos evangelistas e enviar obreiros para abrir igrejas em todo o Oriente! Ao invés de apenas 12 discípulos, ele teria 12 mil pastores sendo preparados para detonar com a doutrina da Lei Mosaica dos Judeus. Além de inovador, seria imbatível!

Fico pensando em Jesus realizando milagres de todo tipo, pirotecnia pra todo lado, descendo voando do pináculo da catedral e aterrizando, suavemente, no altar central? Ô benção! Ele ao invés de anunciar o Evangelho do Reino, pregaria sobre a Teologia da Prosperidade, acabaria com aquela fixação estranha de morte na Cruz e se voltaria para o Palácio de Pôncio Pilatos, o qual, inclusive, devidamente “trabalhado”, certamente se constituiria num poderoso aliado.

Ah Jesus... Quanto poderia ter sido feito... Mas você, Senhor, optou pelo caminho mais difícil, pela porta estreita, por fazer a vontade do Pai, abraçando a proclamação da Verdade e escolhendo o cuidado dos pobres e necessitados da Terra. Que enorme desperdício!

Mas nem tudo está perdido, meu Senhor... Hoje, seus “discípulos” estão remendando a história, colocando a “igreja”, novamente, nos trilhos da “fé”, realizando o que você se negou a fazer. Eles constroem templos suntuosos, manipulam a sã doutrina, esfolam o povo para tirar-lhes dinheiro e se regalam nas benesses do “evangelho”.

Olha, Jesus, tenho que admitir que eles estão executando tudo o que você nunca fez e ainda esperam que, ao final, o Pai os receba na glória eterna, com banda de música, confete e serpentina! Então Senhor, por favor, não vá os decepcionar, pois eles estão fazendo tudo ao contrário, mas estão alcançando um “”sucesso” inquestionável...


domingo, 21 de junho de 2015

O Amor de Deus e o Amor por Deus


Por George M. Marsden

Um dos maiores tratados que Jonathan Edwards escreveu no relativo isolamento da vila missionária, em meados da década de 1750, foi chamado A Natureza da Verdadeira Virtude. Nesse tratado, ele argumentou que os padrões para a virtude derivados da razão natural, como eram postulados pelos filósofos iluministas de seus dias, definiam a virtude muito estreitamente. Através das eras, os filósofos haviam louvado virtudes como amor à família, amor à comunidade e amor à nação. Estes podem ser boas características, disse Edwards, mas são parte da verdadeira virtude somente se começam com amor a Deus. Todos os amores cujos objetos mais elevados são menos do que Deus são amores parciais e não universais. Alguém só pode participar do amor verdadeiramente universal se começar com o amor a Deus e, depois, estabelecer como alvo amar tudo que Deus ama. Se o objetivo de alguém é amar tudo que Deus ama, então, pode começar a realizar verdadeiro sacrifício pessoal.

Outra obra importante deste período foi O Fim para o qual Deus criou o Mundo. Nela, Edwards abordou a questão implícita no título: por que um ser perfeito como Deus precisava criar seres menos perfeitos? A resposta, disse Edwards, é que Deus é perfeitamente amoroso e, por isso, deseja compartilhar seu amor com criaturas capazes de amar. O ponto de partida de Edwards foi que um Deus amoroso está no âmago do universo. Portanto, para Edwards, o universo é essencialmente pessoal; é a expressão criativa de uma pessoa. A ênfase de Edwards em personalidade no centro da realidade apresenta um contrate acentuado com os pontos de vista modernos. Desde o Iluminismo, muitos pensadores modernos têm elaborado teorias baseadas na premissa de que o universo é essencialmente impessoal, controlado por leis naturais. Edwards desafiou esse ponto de vista com uma alternativa vital: que no âmago da realidade está um Deus amoroso e que esse amor é a dinâmica por trás da criação do universo e de tudo que há nele.

Começar com um senso do amor de Deus no centro da realidade muda a maneira como pensamos sobre a verdadeira virtude. No âmago da realidade está a beleza do amor de Deus se derramando, para que o bem mais elevado seja retornar esse amor a Deus. Se amamos verdadeiramente a Deus, devemos também amar o que Deus ama, que é toda a criação, excetuando o mal ou a negação do amor. As filosofias modernas, disse Edwards, começam tipicamente no lugar errado, com os seres humanos e suas necessidades. Elas veem a felicidade humana como o objetivo da criação e, depois, julgam a Deus por seus padrões limitados. Cada pessoa, comunidade ou nação tem suas próprias ideias do que lhes trará felicidade, e as pessoas entram em conflito umas com as outras porque seus padrões de virtude são muito limitados. Somente a verdadeira virtude, que começa com o amor ao Criador, pode unir as pessoas. Este amor universal pelos outros, que deve se desenvolver do verdadeiro amor a Deus, Edwards o chamou “amor ao ser em geral”.


George M. Marsden: (Ph.D) é historiador, professor e escritor prolífico. É professor emérito da Universidade Notre Dame, nos EUA, autor de várias obras de referência nas áreas de história da religião, cultura, igreja e evangelicalismo norte-americanos. Entre suas publicações, destaca-se a extensa e bem documentada biografia de Edwards: “Jonathan Edwards, a life”, publicada pela editora Yale e laureada com o renomado prêmio literário Brancroft Prize, concedido pela Universidade Columbia.


Fonte: http://voltemosaoevangelho.com/blog/2015/05/o-amor-de-deus-e-o-amor-por-deus/

domingo, 14 de junho de 2015

Salvos pela morte... pela vida.


Por Leonel Elizeu Valer Dos Santos


“Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida.” Rom 5; 10

Duas coisas chamam atenção na afirmação de Paulo: Apresenta a reconciliação dos cristãos com obra concluída; “... fomos reconciliados...” a salvação, como algo a ser feito; “... seremos salvos...”. Mais: A reconciliação se deu pela morte de Cristo; a salvação se dará pela vida.

Normalmente acostumamos a ver a coisa como única. Aceitei ao Sacrifício de Cristo em meu favor, me arrependi, confessei, estou salvo. Tudo se encerraria com a morte do Salvador. Entretanto, os reconciliados são chamados à vida de, e, em Cristo, para, enfim, gozarem a salvação.

Assim, se para reconciliação se nos requer identificação com a morte, a salvação demanda identidade de vida. “Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida.” Cap 6; 3 e 4

Viver a vida de Cristo só por imitação, claro! Como dissera Jó sobre sua relação com Deus: “Nas suas pisadas os meus pés se firmaram; guardei seu caminho, não me desviei dele.” Jó 23; 11

O que nos pode encerrar no erro do simplismo irresponsável é a ideia de tratarmos a vida eterna pela duração, não pela essência; então, seria mera existência sem fim que herdaríamos após o sono do corpo. Contudo, vai mui além disso. Tem mais a ver com o caráter de quem a lega, do quê, com extensão. Algo em que podemos e devemos ingressar ainda em nossa peregrinação terrena. “Milita a boa milícia da fé, toma posse da vida eterna, para a qual também foste chamado, tendo já feito boa confissão diante de muitas testemunhas.” I Tim 6; 12 Essa é a Vida de Cristo que somos instados a viver.

Vários textos apresentam a conversão como “passar da morte para a vida”; ou, “nascer de novo”. Se, no âmbito natural é considerado um ser vivo aquele que nasce, cresce, vive, reproduz e morre, no espiritual, a última parte deixa de existir, a morte.

Pedro preceitua a alimentação dos renascidos: “Deixando, pois, toda a malícia, todo o engano, fingimentos, invejas, as murmurações desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo;” I Ped 2; 1 e 2 Algumas coisas bem “adultas” precisamos deixar, concomitante ao recebimento da alimentação infantil.

Feito isso virá o crescimento espiritual, como asseverou Paulo. “Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.” I Cor 13; 11

Todavia, o negligenciar essa faceta prioritária da vida em Cristo atrofia, paralisa, como se deu com certos hebreus. “Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus; vos haveis feito tais que necessitais de leite, não de sólido mantimento. Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na palavra da justiça, porque é menino. Mas, o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem quanto o mal.” Heb 5; 12 a 14 Então, um traço visível de maturidade espiritual é discernimento.

Em suma: A reconciliação mediante o Sangue de Jesus Cristo é papel nosso, dos cristãos promover entre os que se mantêm em inimizade com o Pai. “De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus.” II Cor 5; 20

Entretanto, a vida do reconciliado é de responsabilidade sua; não lhe é tolhido o arbítrio por ocasião da conversão; apenas é facultado pelo Espirito Santo escolher as coisas que agradam ao Pai, desde então. “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome;” Jo 1; 12

Desse modo, nossa salvação é “provisória”; “Porque em esperança fomos salvos...” Rom 8; 24 coisa que requer perseverança e desenvolvimento para gerar certeza. “Mas, desejamos que cada um de vós mostre o mesmo cuidado até ao fim, para completa certeza da esperança;” Heb 6; 11

Infelizmente, a negligência na edificação enseja vermos clamando pelo Sangue de Jesus pessoas que recusam viver Sua vida. Se a Obra da salvação é completa, perfeita aos olhos de Deus, de nós se requer tomar a cruz todos os dias.


domingo, 7 de junho de 2015

Chamando fracasso de sucesso!


Por Josemar Bessa

Em 31 de Outubro de 1517, quando teve início a Reforma, a Igreja era rica, poderosa, influente. Ele dominava reinos, nações...um mundo. Nunca antes ou depois ela teve tanto poder, então por que a Reforma era sua única esperança?

Todo fruto na vida do homem regenerado flui de Cristo e não do homem: “Sem mim nada podeis fazer!” – Muitos aceitam isso na teoria, mas na prática, logo dão um jeito de explicar a causa do sucesso de maneira que ela flua do homem.

Se somos abençoados em qualquer área da vida, logo buscamos uma explicação que não somente nos inclua, como achamos ter um segredo de sucesso para compartilhar. Se a igreja cresce,  por exemplo, escrevemos um livro sobre como fazer... e assim acontece em todos os aspectos da vida. Mas o fato é que Ele é o Senhor a quem devemos todo o sucesso já alcançado.

Temos sido sistematicamente derrotados em tudo quando batalhamos em nossa própria força. E qualquer “Sucesso” que flui de algo diferente daquele em que Deus receba toda a glória e que seja sucesso segundo os padrões dEle, não é sucesso de forma nenhuma. Muitas vezes é o nosso delírio que nos faz chamar FRACASSO  de sucesso.

A igreja de Laodicéia é um bom exemplo disso: “Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta” - Apocalipse 3:17 – Que outro nome poderíamos dar a isso que não seja: “Uma igreja em delírio”? Quando nossas mentes repousam me nossa ideia de sucesso, estamos em delírio. A resposta de Deus é devastadora: “...e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu... e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas”. - Apocalipse 3:18

Deus disse para eles: “Eu vou vomitá-los!” – Mude sua complacência em arrependimento zeloso (v.19). Hey!! Você está me ouvindo? Eu sou aquela voz fraca que mal conseguem ouvir mais... Estou fora de sua igreja, batendo na porta. ( Como é bom lembrar isso – esse texto de Jesus batendo na porta – não está falando da conversão do mundo – Jesus batendo na porta do coração do pecador... Usar este texto assim é uma perversão da verdade e manipulação de um texto bíblico) – Ele está falando com uma igreja que nem percebeu, em seu delírio de sucesso, que Cristo não estava mais lá. Então Cristo está dizendo – Estou fora de sua igreja, batendo em sua porta. Você nem percebeu quando eu saí, mas estou de volta mais uma vez. Haverá comunhão entre nós? Já percebeste teu fracasso delirante? Uma igreja verdadeira deve ter um coração aberto e honesto.

Era hora daquela igreja, apesar dos sinais externos de sucesso (segundo a percepção mundana) admitir: “Eu não sou rica, eu não estou prosperando aos olhos de Deus, eu preciso de tudo, pois não tenho nada! Me dê vestes brancas, cure meus olhos, tape a minha nudez!”

Você nunca lutou com o que importa, você nunca lutou com o pecado, a tentação, com a dúvida e venceu, exceto pela ação toda poderosa do Espírito. Nenhuma alma jamais foi salva, ninguém jamais foi valente pela Verdade e contra o engano, ninguém jamais fez algo realmente empreendedor aos olhos de Deus para o sucesso do reino, sem que Deus não estivesse operando tudo.

É simplesmente uma questão de justiça que quem operou o milagre deva receber toda a honra. Teria sido uma vergonha se Miriam tivesse cantado em louvor a Moisés e Aarão no Mar Vermelho. Mas ela cantou: “Cantai ao SENHOR, porque gloriosamente triunfou; e lançou no mar o cavalo com o seu cavaleiro”. Êxodo 15:20-21 – Por sua vez, Moisés não lançou o livro: “Como abrir e atravessar um mar!” – Não! Ele também cantou um hino: “Então cantou Moisés e os filhos de Israel este cântico ao SENHOR, e falaram, dizendo: Cantarei ao SENHOR, porque gloriosamente triunfou; lançou no mar o cavalo e o seu cavaleiro. O SENHOR é a minha força, e o meu cântico; ele me foi por salvação; este é o meu Deus, portanto ...” - Êxodo 15:1-2

“Ele triunfou gloriosamente!” – Esse é o nosso cântico? Em cada luta, em cada combate travado no mundo, atribuímos o poder e a vitória a quem merece por direito?

“Não a nós, SENHOR, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua benignidade e da tua verdade” - Salmos 115:1


Fonte: http://www.josemarbessa.com/2015/06/chamando-fracasso-de-sucesso.html