terça-feira, 27 de novembro de 2012

Diversidade de Dons

J. C. Ryle
Devemos observar nesses versículos o diferente caráter dos discípulos de Cristo. Nesta ocasião profundamente interessante, vemos Pedro e João lado a lado no mesmo barco. E, uma vez mais, assim como no sepulcro, nós os observamos comportando-se de maneira diferente. Estando Jesus na praia, durante o ofuscado amanhecer do dia, João foi o primeiro a reconhecê-Lo, dizendo: “É o Senhor!”; mas Pedro foi o primeiro a lançar-se ao mar, esforçando-se para chegar perto do Senhor. Em resumo, João foi o primeiro a ver; Pedro, o primeiro a agir. O espírito gentil e amável de João foi mais rápido para discernir; porém, a natureza impulsiva de Pedro foi mais rápida para levá-lo à ação. Os dois eram verdadeiros discípulos, amavam o Senhor em suas vidas e mostraram-se fiéis a Ele até à morte; mas o temperamento natural deles não era o mesmo.

Jamais esqueçamos esta lição prática. Enquanto vivermos, devemos utilizá-la com diligência ao formular opiniões a respeito de outros crentes. Não devemos condenar os outros como pessoas incrédulas e destituídas da graça divina, somente porque não têm as mesmas opiniões que nós temos no que se refere aos deveres cristãos e não expressam sentimentos iguais aos nossos. “Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo” (1 Co 12.4). Os dons dos filhos de Deus não são outorgados exatamente na mesma proporção e medida. Alguns possuem maior medida de um dom; outros têm mais de outro dom. Alguns dons brilham com mais intensidade, quando utilizados em público; outros, em particular. Alguns crentes brilham mais em sua vida de passividade; outros, em uma vida de atividade; mas todos os membros da família de Deus, de acordo com seu dom e no devido tempo, glorificam a Deus. Marta era uma mulher agitada que se preocupava com muitos afazeres, enquanto sua irmã, Maria, assentava-se aos pés do Senhor, para ouvir sua Palavra (Lc 10.39-40). Todavia, chegou o dia em que Maria ficou abatida e prostrada por causa de muita tristeza, enquanto a fé exercida por Marta resplandeceu mais do que a de sua irmã (Jo 11.20-28). Ambas eram amadas por nosso Senhor. A única coisa realmente necessária é ter a graça do Espírito e amar a Cristo. Amemos a todos aqueles que possuem esta graça e amam o Senhor, embora não vejam as coisas com os nossos olhos. A igreja de Cristo precisa de todos os tipos de servos e instrumentos — facas e espadas, machados e martelos, formões e serrotes, Marta e Maria, Pedro e João. A nossa regra áurea deve ser: “A graça seja com todos os que amam sinceramente a nosso Senhor Jesus Cristo” (Ef 6.24).



Ryle serviu por quase 40 anos como ministro do Evangelho. Foi um escritor prolífico, um pregador vigoroso e um pastor fiel. Muitas de suas obras têm sido reeditadas e servido como fonte de instrução e consolo para o povo de Deus. A Editora Fiel publicou algumas de suas obras em português: o clássico “Santidade”; “Uma palavra aos moços”; “Fé genuína” e os quatro volumes de meditações nos evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João.



Fonte:http://www.editorafiel.com.br/artigos_detalhes.php?id=106

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Teologia da Prosperidade - Uma Corrida para a Ruína.


por  JOSEMAR BESSA


Por que como um câncer a “teologia da prosperidade” foi se alastrando numa metástase diabólica no seio da igreja protestante? O que vemos hoje (Se olharmos com olhos espirituais e bíblicos), é uma terra arrasada, escombros e ruínas (Como Jeremias viu Jerusalém ) daquilo que devia ter sua existência (igreja) com o único propósito de proclamar a glória de Deus.


Não é difícil resistir algo inicialmente, mas a medida que o tempo passa, a cobiça domina, nossos olhos se tornam a única porta de “verdade” para a “igreja”. Esquecemos a Palavra. A igreja hoje é o retrato fiel dos seus líderes. Um retrato do coração e ambição mundana. “Mas eles foram a causa da sua ruína e da ruína de todo o Israel” (2Cr 28.23).


Acaz voltou de Jeová para servir aos deuses de Damasco. Como hoje. E por quê? Porque a Síria estava gozando de prosperidade. Ao ver o que Acaz viu, a igreja começou a imitar o mundo, e igrejas ao olharem as outras foram imitando a imitação do mundo – Resultado? Metástase que parece irreversível.


O que Acaz fez? “Ele ofereceu sacrifícios aos deuses de Damasco que o haviam derrotado, pois pensava: ‘Já que os deuses da Síria os têm ajudado, oferecerei sacrifícios a eles para que me ajudem também’. Mas eles foram a causa de sua ruína, e da ruína de todo o Israel”.


Não há outro resultado possível. O pragmatismo não pode dirigir quem quer ser guiado por Deus – mas sim uma confiança absoluta em Sua Palavra. O que valia para Israel vale para a igreja no século XXI – A conseqüente introdução de falsos deuses e a profanação do culto a Deus ( e como esse culto tem sido profanado hoje no altar de Mamom ) tornou-se a ruína de Acaz e seu reino.


Esta é a ruína da igreja, a mesma de Acaz e Israel. E ela acontece pelos mesmos motivos. Os ídolos modernos tomaram completamente o lugar da Palavra de Deus e sua glória. Os ídolos estão navamente estabelecidos e adorados alegremente em nossos dias.


Nada mais trágico do que ver o próprio homem ( e igreja ) se arruinando: “...eles foram a causa da sua ruína e de todo o Israel” (2Cr 28.23). Acaz claramente é o tipo de muitos e muitas igrejas destruidoras de si. “A tua ruína, ó Israel, vem de ti” (Os 13.9) – Como seria bom se houvessem vários Oséias proclamando hoje, mas na verdade são tão poucos. Acaz quis ser seu próprio mestre – Esqueceu Deus, esqueceu Sua Palavra – Só conseguia ver a “prosperidade” da Síria. Ficou fascinada e paralisado como uma presa diante da serpente. Isso sempre arruína – arruinou o filho pródigo – arruinou Acaz – arruinou Israel, e arruinará milhões e milhões de outros.


É a arrogância que faz pastor imitar pastor, igreja imitar igreja – todos indo em direção a ruína da “Teologia da Prosperidade”. A arrogância e a arbitrariedade ao pecar: “Andou nos caminhos dos reis de Israel” (2 Rs 16.3,4). Essa é uma corrida morro abaixo. Cada vez mais a velocidade aumenta e o abismo se aproxima – Esta é uma corrida para a ruína.


Um dia a idéia mundana de “prosperidade” custará muito caro. Acaz esbanjou tesouro em sua cópia da adoração dos deuses da Síria invejando a sua prosperidade. Mas é bom que se diga aos iludidos, Acaz gastou muito e ganhou pouco. Isto vale para a igreja e para as pessoas individuais.


Desperdício! O trágico é que nossa vida aqui não é um recurso inesgotável e logo nosso tempo se encerrará. Que legado trágico deixaremos as próximas gerações. Nossas existências só se justificam se forem para a glória de Deus – o mesmo vale para a igreja em geral. Desperdício e muitos outros caminhos errados são caros e ruins.


Quando estamos obstinados, como os dias em que vivemos hoje na igreja, nós somos capazes da loucura de desafiar Deus. Acaz desafiou a punição: “Mesmo nessa época em que passou por tantas dificuldades, o rei Acaz tornou-se ainda mais infiel ao Senhor” ( 1Co 28.22) – Ele estava focado na “prosperidade” dos deuses da Síria. Esta rebeldia ao claro ensino de Deus e contra toda a correção sempre leva à ruína certa.


Nossa geração se acha esperta em seu pragmatismo. Diz “Rico sou e de nada tenho falta” – nós sabemos a resposta que Deus deu a igreja que afirmou isso. Acaz era muito sagaz, e bajulava os grandes. Aos nossos olhos isso parece uma tática perfeita – está funcionando, eles são grandes, por que não nos ajuntarmos a eles? Acaz fez uma cópia do altar dos deuses da Síria e levou para sua casa. Quem é que perece mais rapidamente? Os espertos demais para serem simples e simplesmente seguirem o seu Deus.


Vamos ser justos, Acaz era um homem de “bom gosto” – sabia admirar coisas que fascinam os nossos corações. Ele admirava as antigüidades e o estético na religião. Ah! O estético na religião nunca foi tão admirado como agora.


Se um homem ( Líder ) começasse se enamorar da prosperidade e dos deuses da Síria que supostamente era sua origem – e que levou Acaz a se prostituir com ele – e a grande maioria do povo e dos líderes bradassem contra – Deus ainda estaria sendo honrado em nossos púlpitos e não Mamom. Mas existem loucuras que são coletivas – como isso é real hoje no meio da “igreja”. Veja que quem era para trazer Acaz a razão estava tão fascinado quanto ele: “O sacerdote Urias construiu um altar conforme as instruções que o rei Acaz tinha mandado” (2Rs 16.11). Entre todas as coisas destruidoras na igreja hoje, nós podemos afirmar sem medo de erra – Maus ministros são terríveis destruidores.


Qual é o modelo para a igreja hoje? Quem são seus heróis? Paulo falou “sede meus imitadores como eu sou de Cristo” – Quem dera fosse esse o modelo atual. Acaz imitou pecadores prósperos. O rei da Assíria tornou-se seu tipo, seu paradigma... Isso é conduta ruinosa e destruidora. Ele abandonou todo o culto a Deus. Podemos estar dentro de edifícios adorando e já termos abandonado todo o verdadeiro culto a Deus. Acaz “trancou as portas da casa do Senhor” (2Cr 28.24). Este é o clímax de sua rebelião – não havia lugar para o verdadeiro Deus e os deuses da Assíra que davam “prosperidade”. É verdade, Cristo disse que você não pode servir a Deus e ao dinheiro, a Deus e a Mamom ao mesmo tempo. Isso não pode ser feito nem nos dias de Acaz, nem nos dias de Jesus – e não se engane, nem pela igreja dos nossos dias.


No final de tudo – e o final das escolhas atuais não podem ser diferentes, os deuses falsos foram a ruína de Acaz.


Uma ruína sugere muitas reflexões. Mas a corrida morro abaixo aos deuses da prosperidade é tão desenfreada que não há tempo para reflexões. O que foi? O que poderia ter sido? O que é? O que será? Um dia sentaremos entre as ruínas como Jeremias se sentou entre as ruínas de Jerusalém e choraremos e lamentaremos como ele. Meditações entre ruínas podem ser úteis, apesar de tardias, àqueles que se inclinam a repetir como nossa geração, a experiência de Acaz.


Muitos serão arruinados: “Foram a ruína dele e de todo o Israel” – pelo ensino não estamos enchendo a igreja de verdadeiros israelitas, mas de sírios. Pelo exemplo e pelo ensino estamos fazendo pagãos e não filhos de Deus. A sedução da “prosperidade” é tão grande – que pela sedução a virtude está sendo arruinada. Muitas vezes líderes (como Acaz) pela sua próprio presença destroem tudo o que é bom nos seus liderados. Muitas vezes alguém está tão contaminado, que mesmo no momento que não tem a intenção espalham o contágio, como a Peste Negra se espalhou por toda Europa. O contágio do pecado, da ambição, do amor ao dinheiro... A conduta dos Acazes de Hoje, sua religião perversa e deturpada arruína jovens, influencia os inseguros, sua linguagem e ensino influenciam e atraem os maus.


Lembremos a mensagem de Deus que se repete para nós hoje: “Mas eles foram a causa da sua ruína e da ruína de todo o Israel” (2Cr 28.23). Mas a igreja não poderá culpar só seus líderes, os Acazes de hoje – Deus diz “A tua ruína, ó Israel, vem de ti” (Os 13.9).

terça-feira, 6 de novembro de 2012

O Espírito Santo: Autor da Escritura



Fonte da imagem: descomplicandoabiblia.com

The Holy Spirit: Author of Scripture

By John Piper

2 Pedro 1:20–21
Sabendo, primeiramente, isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação; porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo.
Em 27 de Junho de 1819, Adoniram Judson batizou seu primeiro convertido em Burma. Sua esposa, Ann Hasseltine, descreveu como Moung Nau respondeu à Escritura: “Poucos dias antes eu estava lendo com ele as palavras de Cristo no Sermão do Monte. Ele estava profundamente impressionado e dotado de uma solenidade incomum. ‘Estas palavras,’ disse ele, ‘tomaram-me as entranhas; fizeram-me tremer.’” Deus falara através do profeta Isaías, 2.700 anos atrás e disse, “… mas, para esse olharei, para o pobre e abatido de espírito, e que treme da minha palavra…Ouvi a palavra do SENHOR, vós, os que a temeis” (Isaías 66:2, 5).

O Impacto da Bíblia na História

Por dois mil anos, a Bíblia tem se entranhado em diversos homens e os feito tremer—primeiro, de medo, porque revela nossos pecados, então com fé, porque revela a Graça de Deus. Um único versículo, Romanos 13:13, convenceu e converteu o imoral Agostinho. Para Martinho Lutero, um monge miserável, a luz irrompeu através de Romanos 1:17. Diz ele,
Noite e dia ponderei até ver a conexão entre a justiça de Deus e a declaração de que “o justo viverá da fé”. Então eu tomei para mim que a justiça de Deus é essa retidão pela qual, através da graça e pura misericórdia, Deus justifica-nos pela fé. Daí em diante senti que havia renascido e partido por portas abertas para o paraíso. (Here I Stand, p. 49)
Para Jonathan Edwards, foi 1 Timóteo 1:17. Ele disse,
O primeiro exemplo, do qual me recordo, deste tipo de doce deleite interior em Deus e nas coisas divinas, que desde então muito vivenciei, foi na leitura dessas palavras, 1 Tim. 1:17: “Assim, ao Rei eterno, imortal, invisível, Deus único, honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém!” Ao ler essas palavras, veio à minha alma … uma impressão da glória do Ser Divino; uma nova sensação diferente de qualquer coisa que eu, antes, experimentara. Nunca quaisquer palavras da Escritura me pareceram como essas. (Works, vol. 1, p. xii)
De século a século, do Egito à Alemanha, da Alemanha à Nova Inglaterra, a Bíblia vem trazendo pessoas a Cristo, renovando-as.

A Bíblia como a Palavra do Homem e a Palavra de Deus

Por quê? Por que a Bíblia tem esta relevância e poder contínuos? Acredito achar a resposta em nosso texto - 2 Pedro 1:20–21: “Sabendo, primeiramente, isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação; porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo.” Esta passagem ensina que, quando você lê a Escritura, o que você está lendo não vem somente de um homem, mas também de Deus. A Bíblia é uma obra de muitos homens diferentes. Mas também é muito mais que isto. Sim, homens falaram. Eles falaram com sua própria linguagem e estilo. Contudo, Pedro menciona duas outras dimensões do seu falar.
Falar da parte de Deus, Movido pelo Espírito Santo
Primeiro, eles falaram da parte de Deus. O que tinham a dizer não era meramente vindo de suas limitadas perspectivas. Eles não são a origem da verdade que falam; eles são o canal. A verdade é a verdade de Deus. Seu significado é o significado de Deus.
Segundo, não é apenas o que eles falaram da parte de Deus, mas como eles falaram isto, controlados pelo Espírito Santo. “Homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo”. Deus não revelou simplesmente a verdade aos autores da Escritura e então partiu, esperando que eles a comunicassem corretamente. Pedro diz que, ao comunicarem-na, eles foram conduzidos pelo Espírito Santo. A confecção da Bíblia não foi deixada às habilidades de comunicação meramente humanas; o próprio Espírito Santo levou o processo à sua completude.
Um livro recente de três ex-professores meus (LaSor, Hubbard, and Bush, Old Testament Survey, p. 15) expressa-o da seguinte maneira,
Para assegurar precisão verbal, Deus, na comunicação de sua revelação, tem de ser verbalmente preciso e a inspiração tem de se estender às próprias palavras. Isto não significa que Deus ditou todas as palavras. Em vez disso, seu Espírito penetrou tanto a mente do escritor, que ele escolheu de seu próprio vocabulário e experiência precisamente aquelas palavras, pensamentos e expressões que exprimiam a mensagem de Deus com precisão. Neste sentido, as palavras dos autores humanos da Escritura podem ser vistas como a Palavra de Deus.
Não apenas Profecias, mas Toda a Escritura
Alguém poderia dizer que 2 Pedro 1:20–21 só tem a ver com profecia, e não com toda a Escritura do Antigo Testamento. Mas observe atentamente como ele argumenta. No verso 19, Pedro diz que uma palavra profética cresceu em sua certeza por sua experiência com Jesus no monte da transfiguração. Então, nos versículos 20–21, ele dá suporte à autoridade dessa palavra profética dizendo que ela é parte da Escritura. Versículo 20: “Nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação.” Pedro não está dizendo que só as partes proféticas da Escritura são inspiradas por Deus. Ele está dizendo, nós sabemos, que a palavra profética é inspirada precisamente porque é “profecia da Escritura”. A afirmação de Pedro é que tudo quanto está na Escritura é de Deus, escrito por homens que foram conduzidos pelo Espírito Santo.
Ele ensina o mesmo que Paulo em 2 Timóteo 3:16: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça”. Nenhuma das Escrituras do Antigo Testamento veio de um impulso humano. Toda ela é verdade vinda de Deus, pois homens movidos pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus.
E quanto aos escritos do Novo Testamento?
Mas e quanto ao Novo Testamento? Experimentaram os apóstolos e seus associados próximos (Marcos, Lucas, Tiago, Judas, e o escritor de Hebreus) inspiração divina ao escreverem? Foram eles “conduzidos” pelo Espírito Santo para falarem da parte de Deus? A Igreja cristã sempre disse que sim. Jesus disse aos seus apóstolos em João 16:12–13: “Tenho ainda muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora; quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir”. Então o apóstolo Paulo confirma isso quando diz, do seu próprio ensino apostólico, em 1 Coríntios 2:12–13: “Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, e sim o Espírito que vem de Deus, para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente. Disto também falamos, não em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito, conferindo coisas espirituais com espirituais”. Em 2 Coríntios 13:3 disse que Cristo falava através dele. E em Gálatas 1:12 ele disse : “Porque eu não o recebi [o evangelho], nem o aprendi de homem algum, mas mediante revelação de Jesus Cristo.” Se tomarmos Paulo para nosso modelo sobre o que significa ser apóstolo de Cristo, então seria justo dizer que o Novo Testamento, como o Antigo, não veio meramente de homens mas também de Deus. Os escritores do Antigo e Testamento falaram ao serem movidos pelo Espírito Santo.
O Espírito Santo é o Autor Divino da Escritura
A doutrina que emerge é esta: O Espírito Santo é o autor divino de toda a Escritura. Se esta doutrina é verdadeira, então as implicações são tão profundas e de tão longo alcance que cada parte de nossas vidas deveria ser afetada. Eu quero falar sobre essas implicações nesta manhã. Contudo, para nosso próprio fortalecimento e para aqueles ainda hesitantes às voltas de comprometerem-se com a doutrina, deixe-me primeiro esboçar a base de nossa persuasão.

Chegando a uma Fé Racional nas Escrituras

A maioria das pessoas chega a uma confiança racional na Bíblia como Palavra de Deus de uma maneira semelhante a essa. Isso acontece em três estágios.
1. Nós Somos Culpados Diante de Deus
Primeiro, o testemunho de nossa consciência, a realidade de Deus sob a natureza e a mensagem da Escritura vêm juntas ao nosso coração para nos dar a inescapável convicção de que somos culpados diante de nosso Criador. Essa é uma convicção racional porque a persuasão de que há um Criador sobre este mundo, e a persuasão de que somos culpados por não honrá-lo e agradecê-lo como devemos, não são saltos irracionais no escuro; elas são forçadas sobre nós pela nossa experiência e pensamento sincero sobre o mundo.
2. Jesus Ganha Nossa Confiança
O segundo passo em direção de uma convicção racional de que a Bíblia é a Palavra de Deus, é que Jesus Cristo é mostrado a nós. Alguém lê, ou nos conta a história desse homem incomparável que falou e agiu de modo tão maior que o de um homem. Vemos a autoridade que ele reivindicou para perdoar pecados, e comandar demônios, e controlar a natureza, vemos a pureza de seu ensino moral, sua rendição completa à vontade de Deus, sua calma brilhante sob interrogatório, sua fúria justa contra hipócritas, sua ternura com as crianças pequenas, sua paciência com os humildes que o buscavam, sua submissão inocente à tortura, e ouvimos dos seus lábios as palavras mais doces, mais imprescindíveis, jamais pronunciadas: “Eu dou a minha vida em resgate por muitos.” E então pela força auto-autenticada de seu caráter e poder incomparáveis, Jesus ganha nossa confiança e segurança, e nós o tomamos como Salvador de nosso pecado e Senhor de nossa vida. E isso não é uma convicção irracional. É a maneira como todos vocês tomam decisões racionais sobre a quem vocês vão confiar sua vida. É naquela babá que vocês vão confiar para cuidar de suas crianças, ou naquele advogado para dar bons conselhos, ou naquele amigo para guardar seu segredo? Você olha, escuta, e finalmente é persuadido (ou não) de que aquela pessoa é um terreno firme para sua confiança.
3. Seguimos o Ensino e o Espírito de Jesus
Uma vez que o caráter e o poder de Jesus capturaram nossa confiança, então ele se torna o guia e a autoridade para todas nossas futuras decisões e convicções. Então, o terceiro passo no caminho de uma convicção racional de que a Bíblia é a Palavra de Deus, é deixar o ensino e o espírito de Jesus controlar como nós avaliamos a Bíblia. Isso acontece de pelo menos duas maneiras. Uma é que aceitamos o que Jesus ensina sobre o Antigo e o Novo Testamento. Quando ele diz que a Escritura não pode falhar (João 10:35) e que nem uma letra, ou um ponto, passará da lei até que tudo seja cumprido (Mateus 5:18), concordamos com ele e baseamos nossa confiança no pelo Testamento sobre sua confiabilidade. E quando ele escolheu doze apóstolos para fundar sua igreja, dando-lhes sua autoridade para ensinar, e prometeu enviar seu Espírito para guiá-los na verdade, concordamos com ele e creditamos os escritos desses homens com a autoridade de Cristo.
A outra maneira que o ensino e o espírito de Jesus controlam nossa avaliação da Bíblia, é que reconhecemos, nos ensinamentos da Bíblia, os multi-coloridos raios de luz, refratados através do prisma de Cristo, em quem chegamos a confiar. E assim como Cristo nos capacitou a extrair sentido da nossa relação com Deus e trazer harmonia a esta, também os muitos raios da sua verdade, em toda parte da Bíblia, nos capacitam a extrair sentido de centenas de nossas experiências de vida, e ver o caminho para a harmonia. Nossa confiança na Escritura cresce à medida que compreendemos que Jesus afirmou isto e à medida que compreendemos que os ensinos ali contidos são tão incomparáveis quanto Jesus mesmo. Progressivamente, eles nos ajudam a decifrar os quebra-cabeças da vida: casamentos em falência, crianças rebeldes, vício em drogas, nações em guerra, o retorno das folhas na primavera, as insaciáveis petições do nosso coração, o medo da morte, o nascimento de crianças, a universalidade do louvor e da culpa, o predomínio do orgulho, e a admiração da auto-negação. A Bíblia confirma sua origem divina repetidamente ao nos fazer compreender nossa experiência no mundo real e ao apontar o caminho para a harmonia.
Espero, daqui por diante, que uma das doutrinas que nós nutramos em na Igreja Batista Bethlehem, com força suficiente para morrer por ela (e viver por ela!) é a de que o Espírito Santo é o autor divino de toda a Escritura. A Bíblia é a Palavra de Deus, não meramente a palavra de homens.

Implicações para Tudo na Vida

Ah, se tivéssemos o dia todo para falar sobre as implicações maravilhosas dessa doutrina! O Espírito Santo é o autor da Escritura. Portanto, ela é verdadeira (Salmo 119:142) e totalmente confiável (Hebreus 6:18). É poderosa, operando seu propósito em nossos corações (1 Tessalonicenses 2:13) e não retornando vazia para Aquele que a enviou (Isaías 55:10–11). É pura, como prata refinada na fornalha sete vezes (Salmo 12:6). É santificadora (João 17:17). Dá vida (Salmo 119:37, 50, 93, 107; João 6:63; Mateus 4:4). Torna sábio (Salmo 19:7; 119:99–100). Dá prazer (Salmo 19:8; 119:16, 92, 111, 143, 174) e promete grande recompensa (Salmo 19:11). Dá força aos fracos (Salmo 119:28) e conforto aos perturbados (Salmo 119:76), guia aos perplexos (Salmo 119:105) e dá salvação aos perdidos (Salmo 119:155; 2 Timóteo 3:15). A sabedoria de Deus nas Escrituras é inexaurível.
Quão preciosos para mim são teus pensamentos, ó Deus! Quão vasta é a soma deles! Se eu fosse contá-los, seriam mais que os grãos de areia.
By John Piper. ©2012 Desiring God Foundation. Website: desiringGod.org

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Estigmas!


JOSEMAR BESSA

Uma das coisas que caracterizou o Império Romano foi a escravidão, ele era um verdadeiro motor de escravidão. No Império Romano 60 milhões de 100 milhões de sua população eram escravos.


Eles foram tomados como prêmios em guerras e então vendidos. Se você andasse pelas ruas de Éfeso, Antioquia, Corinto, Roma... nos dias de Paulo, três a cada cinco homens que você encontrasse eram escravos, servos.


Os donos de escravos marcavam na pele do escravo sua condição, para que se ele fugisse pudesse ser preso, e na maioria das vezes, crucificado por isso. Assim os gregos tinham um nome para a cicatriz que marcava a escravidão. O nome grego era estigma.


Até hoje para nós um estigma é um sinal de inferioridade, mas naqueles dias era literalmente uma cicatriz que foi feita na carne de um escravo. Era a marca de  sua escravidão. E essa é a palavra que o apóstolo Paulo usa: “Desde agora ninguém me inquiete; porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus.” Gálatas 6:17 – Trago no meu corpo as“estigmas” do Senhor Jesus.


Em Romanos 1.1, Filipenses 1.1, Tito 1.1 – muitas vezes temos a tradução: “Paul, servo de Jesus Cristo” – mas o que ele escreveu é:“Paulos, doulos Iesous Christou” – Paulo, escravo de Jesus Cristo – Não é minha mente que me dirige, mas a mente de Deus, a mente de Cristo – não minha vontade, mas a vontade de Cristo, não minha obra ou trabalho, mas o de Cristo. Ele era um escravo do Senhor Jesus Cristo, um doulos. E como tal, ele diz: “Eu trago no meu corpo as marcas da servidão ( estigmas ).


Eu gostaria de ter visto o corpo do apóstolo Paulo. Eu gostaria de tê-lo encontrado. Olhando as grandes cicatrizes lívidas por todo o seu rosto eu poderia ter perguntado: "Paulo, de onde essas cicatrizes vêm?" E ele teria respondido: "Uma vez fui apedrejado em Listra e arrastado para a morte... dos judeus, cinco vezes recebi quarenta açoites menos um, e três vezes fui açoitado com varas romanas [2 Coríntios 11: 24-25] . São as cicatrizes do Senhor."

Os estigmas do Senhor Jesus. Eu gostaria de ter visto seus pulsos e seus tornozelos; calos grandes em torno de seus pulsos e seus tornozelos. "Paulo, de onde vem esses calos?" E ele poderia ter respondido: "Na prisão, e em masmorras, além da medida" [2 Coríntios 11:23] . É difícil para nós perceber que a maior parte do ministério do apóstolo Paulo foi gasto na prisão e acorrentado a um soldado romano.


A força da nossa mensagem de que Cristo é a coisa mais preciosa no universo, o impulso e o poder de nosso evangelho está nas lágrimas, no sangue, no coração e no trabalho que estamos dispostos a dedicar a ele. E se eu tivesse que falar e fazer entre muitas, apenas uma observação da mensagem cristã moderna, seria  isto: que somos fracos, e débeis, e fúteis, e anêmicos,... não por não estar em sincronia com a cultura a nossa volta, mas pelo oposto... por que nossos corações desejam ganhar o mundo, estamos assim por nossas lágrimas não choradas, por nosso testemunho do valor de Cristo não ser mostrado em nossas estigmas, por nossa canção: “só me gloriarei na cruz...” – não estar sendo ouvida pelo mundo, por essa canção ser desconhecida. O impulso e força de nossa mensagem devia ser encontrada não em nossa capacidade de sermos culturalmente “relevantes”, mas de derramar nossas vidas por ele; cicatrizes para o Senhor, cicatrizes que o mundo visse como o Império Romano via – estigmas.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O Valor de Aprender História



John Piper

Uma Lição a partir de Judas

A pequena carta de Judas nos ensina algo sobre o valor de aprender história. Este não é o ponto principal da carta, mas é um fato impressionante.

Neste penúltimo livro da Bíblia, Judas escreve para encorajar os santos a "batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos" (versículo 3). A carta é um chamado à vigilância em vista de "certos indivíduos [que] se introduziram com dissimulação... homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo" (versículo 4). Judas descreve essas pessoas em termos vívidos. Eles "dizem mal do que não sabem" (versículo 10); são "murmuradores, são descontentes, andando segundo as suas paixões. A sua boca vive propalando grandes arrogâncias; são aduladores dos outros, por motivos interesseiros" (versículo 16). Eles "promovem divisões, [e são] sensuais, que não têm o Espírito" (versículo 19).

Esta é uma avaliação devastadora de pessoas que não estão fora da igreja, mas que "se introduziram com dissimulação." Judas quer que eles sejam reconhecidos pelo que são, de forma que a igreja não seja enganada e arruinada pelos seus falsos ensinos e comportamentos imorais.

Uma de suas estratégias é compará-los a outras pessoas e eventos na história. Por exemplo, ele diz que "Sodoma e Gomorra... havendo-se entregado à prostituição como aqueles, seguindo após outra carne, são postas para exemplo do fogo eterno, sofrendo punição" (versículo 7). Assim, Judas compara aquelas pessoas com Sodoma e Gomorra. Seu ponto ao fazer isto é dizer que Sodoma e Gomorra são postas como "um exemplo" do que acontece quando as pessoas vivem como estes intrusos estavam vivendo. Assim, na mente de Judas, conhecer a história de Sodoma e Gomorra é muito útil para ajudar a detectar tal erro e desviá-lo dos santos.

Similarmente, no versículo 11, Judas acumula três outras referências a eventos históricos, como comparações com o que está acontecendo em seus dias entre os cristãos. Ele diz: "Ai deles! Porque prosseguiram pelo caminho de Caim, e, movidos de ganância, se precipitaram no erro de Balaão, e pereceram na revolta de Corá". Isso é impressionante! Por que se referir a três incidentes históricos diferentes como estes, que aconteceram milhares de anos atrás - Gênesis 19 (Sodoma), Gênesis 3 (Caim), Números 22-24 (Balaão), Números 16 (Corá)? Qual é o ponto?

Aqui estão três pontos:

1) Judas assume que os leitores conhecem estas histórias! Isto não é incrível? Era o século primeiro depois de Cristo! Não havia nenhum livro nas casas das pessoas! Nenhuma Bíblia disponível! Nenhuma história em CD! &Apenas instrução oral! E ele assume que eles conheceriam tais histórias: Qual é "o caminho de Caim," "o erro de Balaão" e "a rebelião de Corá?" Você sabe? Isto não é surpreendente? Ele espera que eles conheçam! Isso me faz pensar que os nossos padrões de conhecimento da Bíblia na igreja de hoje são muito baixos.

2) Judas assume que conhecer a história iluminará a situação presente. Os cristãos tratarão com o erro mais eficazmente hoje se eles conhecerem situações similares de antigamente. Em outras palavras, a história é valiosa para o viver cristão. Saber que Caim era invejoso e que além de odiar seu irmão, também se ofendeu com sua comunhão verdadeira com Deus, te alertará para vigiar contra tais coisas mesmo entre irmãos. Saber que Balaão caiu e fez da Palavra de Deus um meio de ganho mundano, te tornará mais capaz de identificar este tipo de coisa. Saber que Corá desprezou a autoridade legítima e ressentiu-se com a liderança de Moisés, te protegerá de gente facciosa que não gosta de ninguém sendo visto como seu líder.

3) Não é claro, então, que Deus ordenou que estes eventos acontecessem e que fossem registrados como história, para que aprendêssemos a partir deles e nos tornássemos mais sábios e perspicazes sobre o presente, por causa de Cristo e de sua igreja? Nunca pare de aprender a partir da história! Adquira algum conhecimento todo dia. Demos aos nossos filhos uma das melhores proteções contra a tolice do futuro, a saber, um conhecimento do passado.

Aprendendo com você, por Cristo e o seu reino,

Pastor John

Fonte: Desiring God

John Piper é um dos ministros e autores cristãos mais proeminentes e atuantes dos dias atuais, atingindo com suas publicações e mensagens milhões de pessoas em todo o mundo. Ele exerce seu ministério pastoral na Bethlehem Baptist Church, em Minneapolis, MN, nos EUA desde 1980.

Fonte:http://www.editorafiel.com.br/artigos_detalhes.php?id=435

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Alguma coisa

                 
Mora em mim uma coisa,
Não é uma mera ilusão.
Nem um desejo de viver somente,
Mas, mora em mim
Como uma coisa forte.
Tão forte que os humanos
Não podem compreender
Senão se fossem deuses.
Uma coisa tão dura
Como a fome e a sede
Que não se consomem.

Mora em mim alguma coisa
Tão inquietante,
Que vai além do infinito
E penso dominar
No desalento dessa minha solidão.
Sei porém, que foi semeada
Na árvore do meu amadurecimento
Essa coisa que me enche
De esperanças.
E que desperta em mim
Esse desejo de um viver pulsante
Que mora em mim.

Ah, sei! Sim sei,
Que a única certeza da vida
Está na perspectiva da eternidade.
Mas... Alguma coisa existe
E cravou em mim
Esse encantamento,
Que vem despindo, despindo
Minha alma nua
De uma existência tocante
Que não vivi ainda.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

“Le marchand de La mort est mort” – O mercador da morte está morto.


Por - JOSEMAR BESSA


A Bíblia falando de Abel diz: “Pela fé Abel ofereceu a Deus um sacrifício superior ao de Caim. Pela fé ele foi reconhecido como justo, quando Deus aprovou as suas ofertas. Embora esteja morto, por meio da fé ainda fala.” - Hebreus 11:4


Embora esteja morto, por meio da fé ainda fala!! Não é incrível?      


O químico sueco Alfred Bernhard Nobel é muito famoso, primeiro como criador e inventor de explosivos. Em 1866, Nobel inventou a dinamite, o que lhe rendeu fama e uma grande fortuna. Ele registrou mais de 350 patentes, com laboratórios em 20 países e mais de 90 fábricas de explosivos e munições.


Mas hoje ele é mais conhecido e lembrado como o nome por trás do Prêmio Nobel, o mais conceituado dos prêmios internacionais para esforços na paz, química, física, biologia, literatura, economia...


Em 1888 ocorreu um incidente bizarro que parece ter levado Alfred Nobel a uma improvável reflexão. Muitos acreditam que daí veio, deste evento, o motivo dele estabelecer o Prêmio Nobel e as alterações posteriores em sua vida e reputação. Ludvig, irmão de Alfred morreu durante uma estada em Cannes, na França, mas os jornais franceses erradamente confundiram os dois irmãos, noticiando a morte do inventor de explosivos. A grande manchete foi: “Le marchand de La mort est mort” – O mercador da morte está morto.


Como os outros, não amigos e parentes... o mundo descreveria sua morte? Se você mesmo tivesse que escrever teu obituário, que título daria a ele? O que você poderia colocar que fosse realmente importante além de tudo o que o mundo pode construir? Agora imagine se o Deus que tudo vê, que não pode ser enganado, fosse escrever seu obituário, ou epitáfio, o que Deus escreveria. O que seria um resumo correto de como você tem vivido cada dia? Nós vimos o de Abel: “...Embora esteja morto, por meio da fé ainda fala.” - Hebreus 11:4.  Ele viveu pouco, ele teve uma morte violenta ( foi assassinado ). Ele foi traído e assassinado por seu irmão. Ele foi assassinado simplesmente porque honrou a Deus... pelo padrão como muitos “cristãos” veem a vida hoje, não achariam que ele foi uma benção, um homem que honrou a Deus. Talvez diriam que ele não tinha fé e por isso morreu cedo, e por isso foi assassinado... o problema que a visão, mesmo dos “cristãos” hoje são muito diferentes das de Deus. Certamente muitos cristãos escreveriam um epitáfio de derrota para Abel. Mas Deus colocou: “Embora esteja morto, por meio da fé ainda fala.” Hebreus 11:4


Hoje eu percebo que uma vida bem vivida não é sobre o tempo. Os escritores da Bíblia não estão preocupados com a reputação que deixamos para trás, aos olhos do mundo.


"Tenha cuidado para não fazer seus "atos de justiça" diante das pessoas, para serem vistos por eles. Se fizer isso, você não terá nenhuma recompensa do vosso Pai que está nos céus "(Mateus 6:1).


Há a sensação de que nossos corações devem se apegar a palavras de um obituário que ninguém aqui vai ver completamente. "Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam.  Mas acumulem para vocês tesouros nos céus, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam e roubar. Pois onde estiver o seu tesouro, aí estará o seu coração também "(Mateus 6:19-21).


As manchetes que escrevemos sobre a terra são impressos em páginas que acabará por desaparecer e desmoronar. E é a isso que o “evangelho” de nossos dias tem levado as pessoas a investirem, e não num epitáfio como o de Abel, escrito por Deus.


Depois de mortos nossas vidas devem deixar palavras impressas, gravadas com ponteiro de aço sobre o granito do tempo, que todo o tempo nós gastamos armazenando um tesouro em um reino maior que não pode ser visto.


Quando Cristo foi levado ao alto de uma montanha para ver todos os reinos do mundo em seu esplendor... quando tudo foi oferecido a ele sem a cruz... Ele considerou a reputação e glória de Deus Pai e não a sua.


Quando Ele estava pendurado na cruz, desprezando a afronta, ele teve aqui morte em vez de glória, ele suportou a desgraça e maldade do homem em vem do esplendor de Deus. Para o mundo o seu obituário foi insignificante. Mas ele se levantou da sepultura para reescrever a manchete de toda a eternidade:

“Então vi um Cordeiro, que parecia ter estado morto, de pé, no centro do trono, cercado pelos quatro seres viventes e pelos anciãos. Ele tinha sete chifres e sete olhos, que são os sete espíritos de Deus enviados a toda a terra. Ele se aproximou e recebeu o livro da mão direita daquele que estava assentado no trono. Ao recebê-lo, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro. Cada um deles tinha uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos; e eles cantavam um cântico novo: "Tu és digno de receber o livro e de abrir os seus selos, pois foste morto, e com teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, língua, povo e nação.” - Apocalipse 5:6-9


Nele e só nele podemos viver uma vida que fala depois da morte. Estamos vivendo a vida digna de um obituário ou epitáfio como o de Abel? . “Embora esteja morto, por meio da fé ainda fala.” - Hebreus 11:4 – Ou apenas uma vida que recebe o salário digno dela – Morte! Viver no pecado é ser um mercador da morte que acaba morto. “Le marchand de La mort est mort” – O mercador da morte está morto. Escolha o epitáfio de Abel.