quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Amigos de todos os dias


Por Ricardo José Costa Maia

O grande compositor da MPB, Milton Nascimento, disse que “amigo é coisa para se guardar debaixo de sete chaves” e não podemos negar que amigos são tesouros que nenhum cartão de crédito pode comprar.

A vida se tornou fútil porque as coisas se tornaram fúteis. Nossa geração não valoriza o que tem. Não guardamos coisas de valor sentimental, nem consertamos as coisas como prova de que mais do que o valor monetário, está muitas vezes, o amor pela pessoa que nos deu tal coisa.

Nossas fotos não são mais nossas, são de todos que possuem internet e já temos programas que envelhecem fotografias para dar um tom de que aquele registro é, ainda que falsamente, mais real.

Diante da banalização das coisas está a coisificação dos relacionamentos. E onde estão os amigos? Aqueles que choravam nas tristezas familiares e sentimentais, que riam até doer a barriga da piada mais sem graça ou do “mico” pago a preço de ouro?
Onde estão os amigos que ouviam nossos pecados e prometiam orar todos os dias por nossa vitória, que abriam a geladeira da nossa casa e no meio do maior bate-papo perguntavam se não havia nada para comer?

Para nossa reflexão eles estão no mesmo lugar, só que foram substituídos por números na página do facebook e nem precisam ir mais a nossa casa, pois temos foto do conteúdo da nossa geladeira nas fotos do nosso “perfil”.

Diluímos nossos amigos nas águas da superficialidade humana e hoje, apesar de compartilharmos nossas mensagens de “Feliz Dia do Amigo”, descobrimos que estamos sós.

Deus prometeu que quem para ele estende a mão não vive mais só e habita em família.
Jesus nos promoveu de servos à amigos e nos priorizou quando se entregou cruz.

Estou na Sua página principal e todos os dias sou visitado pelo seu infinito amor que deixa sempre um recadinho dizendo: ESTOU COM VOCÊ TODOS OS DIAS, ATÉ A CONSUMAÇÃO DOS SÉCULOS.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Existir-ser

                               Imagem: Reimund Bertrams

Por Pedro João Costa

Aquele pecador,
De repente é um salvo.

Intrigante!
Potencialmente
Todo salvo,
É um pecador.

Pecador é
Dimensão terrena, encarnada,
Emaranhada pelos instintos,
No caminho de mortais.

O salvo,
É dimensão de adoração
Ao Criador.

Passado e futuro
Tornam-se de repente,
Viver para a Sua Glória.
E, existir-ser,
O eterno tributo.

Pedro João Costa (27-02-14). Colaborador deste blog desde 2010.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Muitos que se vangloriam na fé não são cristãos | Lutero

Lutero, Alemanha, 07 de Junho de 1545.

“Nem todos os que se vangloriam na fé são de fato cristãos. Cristo derramou seu sangue. Não somos justificados por uma fé que não muda nossas vidas. Você diz: ‘Eu acredito nisso’ – o diabo também pode dizer o mesmo. Você apenas aprendeu a repetir palavras... Onde estão os frutos que demonstram no que você realmente acredita? Você permanece em seus pecados. Certamente Cristo não morreu pelos pecados que você ama e faz planos constantes de cometê-los. Cristo veio para destruir as obras do diabo, como diz 1 João 3.8. Isso é uma realidade na vida do homem regenerado. Se você fosse, como Zaqueu, por exemplo, um cobrador de impostos nos dias de Cristo, diria sem dúvida ao ser regenerado: ‘Eu vou dar a metade dos meus bens e, se defraudei alguém, vou restituir quatro vezes mais...’ ( Lucas 19.08 ) – Na vida de Zaqueu as obras do diabo foram destruídas... Entenda de uma vez por todas, ‘o sangue de Cristo mata o pecado; não o torna vivo – torná-lo vivo é obra do diabo, que inflama o desejo ajudado pela carne e pelo mundo...’

Cristo não morreu para que você possa continuar a ser o mesmo homem sob o poder do pecado, mas para que o pecado, depois de ter sido morto, seja apagado, e que, doravante, você possa amar a Deus sobre todas as coisas...

A verdadeira fé toma o pecado e o coloca à morte, de modo que você não possa mais viver nele, mas na justiça que flui de Cristo. Portanto, mostre através de sua vida e seus frutos que há verdadeira fé em ti. Senão, o fato é que o sangue de Cristo não fez nada por ti. Se você é desobediente, negligente... reveja o que você diz acreditar. Pois a fé que salva é vitoriosa, triunfante, e vence o mundo ( 1 Jo 5.4). Crer e viver em desobediência é uma contradição.
Que cada um pense: ‘Eu fui feito um crente, eu tenho sido lavado com o sangue de Cristo, o sangue do Filho de Deus, com o propósito de que meus pecados pudessem ser mortos... Eu não sou desobediente e vou declarar isso com os meus atos’ – Caso contrário, tudo que tens é apenas orgulho e uma fé vã. Você sabe que é um homem que vive em desobediência? Então não se vanglorie de ter fé em Cristo e em seu sangue purificador. Você pertence ao diabo pelas obras que sua vida demonstra a cada dia. Você está levando o nome de Cristo a vergonha e ao escárnio dos homens e dos anjos caídos... você está caminhando para a condenação eterna.”

Sermão pregado em 1 João 4.16-21, no Domingo, 07 de Junho de 1545 em Wittenberg, Alemanha.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Tributo

Por Pedro João Costa

Saber de um poeta
Feliz é raro.
Rubens Alves e Suassuna
Terminaram, recentemente,
O ofício terreno,
Juntos.

Isto sim é belo:
Os dois trilhando
O feliz caminho.

Poeta é Coragem!
Valentia!
... E a transição,
Apenas mais um soneto,
Uma rima,
Um en-canto.

Se fosse poeta,
Com intrepidez diria:
Que a saudade deles
Rima com alegria,
E que a lembrança,
Carrega no soneto,
Ternura,
E no verso,
Pureza e doçura.

É,
Poeta é raro,
Mas...
Já disseram:
Tem sempre alguém,
Que precisa deles.

Pedro João Costa  (01-08-14): Colaborador deste blog desde 2010.

sábado, 2 de agosto de 2014

O testemunho sela a fé em Deus


Por Pedro João Costa

Sinto me servo inútil,
Que suplica a seu Senhor
Alguma tarefa.

De alguma forma,
Ele me encostou sem ofício
E, na alma
Um anjo dEle
Me comunica
Que a fé
Precisa ser provada.

E que o Senhor
Usa os que são seus,
Dum modo que não percebemos
E muito menos imaginamos.

Assim a Glória dEle
Quer e se cumpre...
E que descansar
No Senhor da Seara
É ter fé com aceitação.

Pedro João Costa (25/06/14): Colaborador desse blog desde 2010.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

As fontes e o laço

Imagem: :Laço (1956), Escher

Por Leonel Eliseu Valer Dos Santos

“O temor do Senhor é fonte de vida, para desviar dos laços da morte.” Prov; 14; 27

Uma fonte é geratriz de um bem precioso que flui de modo ininterrupto. O temor do Senhor ( reverência santa, reconhecimento de autoridade ) é posto aqui como fonte de vida, em oposição aos laços da morte. Manancial existe para dar-se em prol da necessidade de outrem; laço, para caçar algo pra si. Assim, aquela gera um bem, esse, busca tomar de modo ardiloso o que lhe não pertence. Um caçador cuida de suas necessidades; uma fonte supre necessidades alheias.

Então, o temor do Senhor há de obrar em nós algum cuidado com as carências de terceiros, antes, que com as nossas. Claro que, quem acende uma luz é o primeiro a ser iluminado; desse modo o que teme ao Senhor usufrui para si, a vida, antes de comunicar a outros.

Mas, por que a morte armaria laços? Tem necessidade de matar? Não. Quando diz laços da morte está adjetivando os laços, não, identificando o caçador. O interesse na difusão da morte é do pai da mentira, o ladrão da vida que o Salvador denunciou: “O ladrão não vem senão a roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância.” Jo 10; 10

A figura do laço do passarinheiro é usada tanto para identificar o agir do inimigo, quanto de seus servos. “Porque ele ( O Senhor ) te livrará do laço do passarinheiro, e da peste perniciosa.” Sal 91; 3 “Porque ímpios se acham entre o meu povo; andam espiando, como quem arma laços; põem armadilhas, com que prendem os homens. Como uma gaiola está cheia de pássaros, assim as suas casas estão cheias de engano; por isso se engrandeceram, e enriqueceram;” Jr 5; 26 e 27 Qualquer semelhança com políticos e mercenários religiosos de nossos dias não é mera coincidência.

Assim, se o laço é um obreiro de morte, também o é de grandes riquezas nas mãos dos laçadores, como vemos no exemplo supra. O início duma caminhada pode dissimular seu fim. “Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte.” Prov 14; 12 Não que a riqueza, o desfrute de posses seja em si algo mau; mas, se for de modo divorciado do Senhor será uma vastidão desértica, privada de vida.

Quando Calebe deu a sua filha e genro a posse de um campo assim, Otoniel instou que sua esposa pedisse algo mais para que os bens fizessem sentido. “E sucedeu que, indo ela a ele, a persuadiu que pedisse um campo a seu pai; e ela desceu do jumento, e Calebe lhe disse: Que é que tens? E ela lhe disse: Dá-me uma bênção; pois me deste uma terra seca, dá-me também fontes de águas. E Calebe lhe deu as fontes superiores e as fontes inferiores.” Jz 1; 14 e 15 Tanto quanto uma vasta extensão de terra não faz sentido sem água, o domínio de muitos bens sem temor do Senhor, não passa de uma ostensiva queda nos laços da morte.

Quando o relato afirma que Calebe deu fontes superiores e inferiores, refere-se, ao relevo onde as águas brotavam. Mas, Deus tem fontes superiores, espirituais, que devem ser buscadas antes que as inferiores, materiais. Inverter essa ordem não faria o menor sentido. Pleitear bens antes da vida seria como pedir em favor de um morto. A questão primordial é a regeneração da vida. “Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.” Jo 3; 3

Certo é que Deus faz a chuva e o sol incidirem sobre justos e injustos, como demonstração de seu amor e graça sobre todo a criatura. Entretanto, bênçãos específicas demandam relacionamento com Ele, que vai além da situação de criatura. O novo nascimento em Cristo nos coloca na condição de filhos adotivos; isso traz privilégios e responsabilidades especiais. O privilégio maior é que livra dos laços da morte; a responsabilidade mor é que devemos andar no temor do Senhor.

Fazendo isso, nem nos ocuparemos tanto das fontes inferiores, dado que, Ele ordenou: “Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” Mat 6; 33

Afinal, assim como águas nascendo em lugares altos terminam irrigando também os vales, uma vida espiritual plena acabará sendo plena em tudo. Se bênçãos materiais vierem trarão proveito pra muitos necessitados; se privações concorrerem, será pra que nossa constância na adversidade mane riquezas superiores aos que contemplam de fora e precisam aprender a escala de valores do céu.

Fonte: http://www.ultimato.com.br/comunidade-conteudo/as-fontes-e-o-laco

terça-feira, 15 de julho de 2014

A tentação política e a ética da renúncia

Paul Freston

“Se me adorares, tudo será teu.” (Lc 4.7)

A segunda tentação de Cristo é uma espécie de visão. Talvez provocada pela vista do pico de uma montanha real.

Tente visualizar a cena: o deserto rochoso e montanhoso, Jesus subindo um morro, arrastando-se sobre as rochas, chegando ofegante em cima. A vista é espetacular; lá em baixo, várias cidadezinhas espalhadas. Jesus olha e, de repente, em sua imaginação, vê as grandes cidades do mundo, os palácios e os templos, os reis e os imperadores, o ouro e a prata, os campos, as oficinas, as minas. Agora, vê as ruas cheias de gente, oprimida, miserável, supersticiosa.

Então, em sua mente, vem a sugestão: “Jesus, está vendo aquelas cidades lá em baixo? De direito, você é quem teria autoridade sobre elas. E não só sobre elas. Pense também em Jerusalém, Damasco, Antioquia, Alexandria, Atenas, Roma... Você não seria um governante mais justo? Não teria ideias para dar paz e prosperidade a esses povos? O mundo clama por seu governo. Você é a resposta. (Sofremos muito na igreja por não entender como o Diabo é um bom crente.) Mas o caminho da cruz é muito lento. A maioria não vai nem entender direito. Não faz mais sentido pensar num caminho mais rápido e mais compreensível para a maioria? Veja, há um caminho. Não vou exigir que você me adore publicamente. Só que você deixe de lado essa ideia da cruz. E você sabe muito bem que eu tenho o poder de fazer com que você seja reconhecido como governante. Os povos precisam. A cruz é lenta”.

O Diabo vai falando ritmicamente, como se batendo num tambor. “Os povos precisam. A cruz é lenta. Os povos precisam. A necessidade é urgente. O desgoverno é um escândalo. Considere minha proposta. Pense bem. Curve-se. Só um pouquinho. Ninguém vai ver. Ninguém vai saber. Curve-se. Só um pouco. Curve-se...”. Jesus, atormentado, fecha os olhos e cerra os punhos. Finalmente, grita: “Não!”. O Diabo se cala. Em agonia, Jesus gagueja: “Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele darás culto”.

Ultimamente, uma nova teologia vem ganhando espaço no meio evangélico, oriunda da direita cristã dos Estados Unidos. “Nosso destino é governar as nações”, diz ela. A Bíblia promete aos cristãos o domínio político sobre todas as nações. Sua ideia de uma sociedade cristã é uma mistura de teocracia e darwinismo social (a sobrevivência dos mais aptos). Segundo um defensor dessa linha, “as sociedades chamadas subdesenvolvidas o são porque são socialistas, demonistas e amaldiçoadas”. Criticando o dispensacionalismo (com sua doutrina do “arrebatamento”) como uma escatologia derrotista, afirmam que os cristãos serão cogovernantes com Cristo.1

O problema com esse enfoque, embora tenha a grande virtude de questionar a escatologia escapista do dispensacionalismo, é que confunde “alhos com bugalhos”. O modelo do cristão é o modelo de Cristo em sua primeira vinda, o modelo da cruz e do serviço humilde. E a glória reconhecível que Cristo terá em sua segunda vinda não dispensa esse modelo, apenas revela que o serviço é, de fato, a verdadeira glória, o verdadeiro governo. A questão essencial no tocante ao poder não é a sua posse ou não. Jesus sabia que, mais cedo ou mais tarde, teria o poder. Porém, a questão é quando e como, e com que mentalidade (triunfalista ou serviçal). Os cristãos que dizem que o poder nos pertence, de direito, aqui e agora, estão aceitando o atalho que o Diabo oferece a Jesus: governo sem cruz. Acham que o cuidado que Jesus precisou ter para não sucumbir a essa tentação não é necessário para eles. O caminho deles pode ser mais curto do que o de Jesus. Além do mais, “os povos precisam...”.

Oramos para que Deus facilite nosso caminho e nosso ministério. Mas às vezes o caminho fácil é uma tentação a ser resistida!

O Diabo diz que a glória dos reinos “me foi entregue e eu a dou a quem eu quiser”. Muitas vezes o Diabo é chamado “o príncipe deste mundo” (por exemplo, em João 12.31), mas em última análise essa reivindicação é falsa. O “mundo” (no sentido da sociedade humana organizada em oposição aos valores do reino de Deus) se entrega ao Diabo, mas o mundo (no sentido de mundo habitado) continua sendo objeto do amor e da ação de Deus.

Na frase “a glória me foi entregue”, o Diabo é obrigado a confessar o caráter derivado do seu poder. Mas que absurdo adorar a um poder derivado! O homem sempre “se prostra” diante de algo – ou diante da fonte do poder, ou diante de um poder derivado. O Diabo não explica “quem” lhe deu este poder; se explicasse, a tentação cairia no ridículo. No discurso do Diabo há sempre um ponto além do qual ele não quer que a lógica seja levada. A resposta do cristão é de ser mais lógico que o Diabo, penetrando as suas mistificações.

O Diabo oferece poder e glória, um cardápio atraente! Poder: a capacidade de desenvolver meus projetos, realizar minhas ambições. O cristão tem a promessa do reino de Deus, quando vier na sua plenitude, como esfera para o exercício de dons e responsabilidades; porém, a tentação aqui é a de antecipar-se. Glória: o reconhecimento que almejo, em parte para me gabar e em parte para justificar a minha existência perante Deus e as pessoas. O caminho da cruz inclui a crucificação do desejo de ser reconhecido e respeitado.

E o Diabo oferece tudo isso em troca de quê? Apenas de um gesto de adoração privada. Isso mostra a importância da adoração na agenda do Diabo e lança luz sobre a proibição taxativa na Bíblia de qualquer forma de espiritismo ou ocultismo. A adoração a Deus não pode ser combinada com outras adorações. Tem de ser singela. Afinal, o Diabo oferece tudo a Jesus – e mesmo assim, acha que vai fazer um bom negócio.

A tentação de Jesus é política. O Diabo oferece todos os reinos (o Império Romano?). Em termos concretos, como é que Jesus, o homem no deserto, imaginava que poderia se tornar rei de toda a terra? Qual o mecanismo sociologicamente observável que possibilitaria o cumprimento das palavras do Diabo? Obviamente, para o homem Jesus, tinha de haver uma plausibilidade na tentação, senão, não seria uma tentação real. As mesmas palavras do Diabo para mim não seriam tentação, mas motivo de riso. O fato é que Jesus poderia fazer uma carreira política e justificá-la com as melhores razões. Mas ele renuncia a essa possibilidade concreta, porque significaria o comprometimento com um poder derivado. As boas razões que o Diabo poderia sugerir a Jesus para que aceitasse a sua proposta (o desgoverno, a miséria etc.) não o cegaram para o fato de que há dois tipos de corrupção: a clássica, de usar o poder para se enriquecer ou conseguir outros benefícios; e a mais sutil, a de fazer do próprio poder um ídolo (com as melhores intenções, claro). Um conhecido exemplo é o de Robespierre na Revolução Francesa; era “incorruptível”, no sentido clássico acima, mas se julgava indispensável ao processo, justificando assim o uso de meios duvidosos para se manter. O “indispensável”, o “iluminado”, o “grande líder” (e também todas as “vanguardas”), também são corruptos. Mas Jesus é aquela ave mais rara de todas: um “indispensável” que é convidado a assumir o poder, mas que se indispõe com todos os mediadores e só aceita o poder da mão de Deus.


Nota
1. In: STOLL, David. Is Latin America turning protestant? Berkeley: University of California Press, 1990. p. 58-59, 65.

Texto publicado originalmente no livro Nem Monge, Nem Executivo (Editora Ultimato)

Paul Freston: Autor de "Religião e Política, sim; Igreja e Estado, não" e "Nem Monge, Nem Executivo - Jesus: um modelo de espiritualidade invertida", ambos pela Editora Ultimato; e "Neemias, Um Profissional a Serviço do Reino" e "Quem Perde, Ganha", pela ABU Editora, Paul Freston, inglês naturalizado brasileiro, é doutor em sociologia pela UNICAMP. É professor do programa de pós-graduação em ciências sociais na Universidade Federal de São Carlos e, desde 2003, professor catedrático de sociologia no Calvin College, nos Estados Unidos. É colunista da revista Ultimato.

Fonte: http://www.ultimato.com.br/conteudo/a-tentacao-politica-e-a-etica-da-renuncia