sábado, 16 de janeiro de 2016

O Cristão aflito!!



POR JOSEMAR BESSA


A soberania de Deus é um poderoso conforto para o sofrimento dos santos. Quão doce deve ser as seguintes considerações para um cristão aflito!

1. Certamente existe um Deus todo-poderoso, todo-sábio e infinitamente misericordioso (Hebreus 11: 6).

2. Seu amor por Seu povo eleito é imutável; Ele nunca se arrepende de Sua escolha, nem retira o seu amor (Jeremias 31: 3).

3. O que quer que venha a acontecer no tempo, é o resultado de Sua soberana vontade na eternidade (1 Coríntios 8: 6).

4. Por conseguinte, minhas aflições são parte de Sua vontade soberana, e são todas ordenadas em número, peso e medida certa (Salmo 22:24).

5. Os cabelos da minha cabeça (cada um) são contados por Ele; nem um único fio de cabelo pode cair no chão sem que seja em consequência de Sua determinação sábia (Lucas 12: 7).

6. Por isso minhas aflições e angústias não são fruto do acaso, acidente, ou uma combinação fortuita de circunstâncias aleatórias (Salmo 56: 8).

7. Elas são a realização providencial do propósito eterno de Deus (Romanos 8:28), e são projetadas perfeitamente para responder a algumas necessidades básicas da minha alma de maneira sábia e graciosa (Tiago 5: 10-11).

8. Por isso, minha aflição não continuará por mais um momento sequer do que aprouver a Deus (2 Coríntios 7: 6-7).

9. Ele que trouxe a aflição para mim - prometeu me apoiar sob o peso dessa aflição e me levar e sustentar com graça e poder (Salmo 34: 15-17).

10. Todas as minhas aflições devem, com toda a certeza, trabalhar em conjunto para a Sua glória e minha minha alegria final nEle.

11. Portanto, "não hei de beber o cálice do sofrimento que o Pai me dá?" (João 18:11).

No entanto, aflições sutilmente podem nos ferir em seu primeiro momento - então, sob a impressão de tais visões da Sua soberania que nos animam, devemos nos apegar a Verdade, e as flechas da aflição, em grande medida, perdem sua nitidez, dor e pesar.

"E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos." - Romanos 8: 28-29


sábado, 9 de janeiro de 2016

Fé, emoções e imaginação

50 anos sem C. S. Lewis
Ricardo Barbosa de Sousa

Um dos escritores que mais influenciaram o cristianismo no século 20 não foi um teólogo, nem um pastor ou missionário, não ocupou grandes púlpitos, não viajou pelo mundo afora pregando em grandes catedrais. Foi um professor universitário de literatura, tímido e que, até a sua conversão, aos 31 anos, fora um ateu convicto. Clive Staples Lewis (1898–1963), conhecido como C. S. Lewis, tornou-se um dos maiores pensadores do cristianismo moderno.
Uma pesquisa realizada há alguns anos entre os leitores da revista americana “Christianity Today” mostrou que, depois da Bíblia, o livro que mais influenciou suas vidas foi “Cristianismo Puro e Simples”, de C. S. Lewis. Uma das razões para a influência contínua dos seus livros entre os cristãos, na minha opinião, é a forma como ele relaciona a razão com a emoção e a imaginação na experiência da fé.
Para Lewis, se a razão era o meio natural para se compreender a verdade, a “imaginação era o meio que dava o seu significado”. A melhor forma de dar significado a conceitos ou palavras é estabelecer uma imagem clara para nos conectar com a verdade. Ele acreditava que a aceitação das coisas como elas se apresentam ao nosso intelecto revela uma fraqueza e um empobrecimento da compreensão da realidade.
Esse tema é retratado em “Surpreendido pela Alegria”, no qual ele narra sua experiência de conversão e descreve o crescente conflito entre a razão e a imaginação em sua formação: “Assim, tal era o estado da minha vida imaginativa; em contraste com ela, erguia-se a vida do intelecto. Os dois hemisférios da minha mente formavam acutíssimo contraste. De um lado, o mar salpicado de ilhas da poesia e do mito; de outro, um ‘racionalismo’ volúvel e raso. Praticamente tudo o que eu amava, cria ser imaginário; praticamente tudo o que eu cria ser real, julgava desagradável e inexpressivo…”. De um lado, “o mar salpicado de ilhas da poesia e do mito”; de outro, “um racionalismo volúvel e raso”. Foi sua impressionante capacidade de reconhecer o valor de ambos que contribuiu para a riqueza de sua obra.
Em seu livro “Cristianismo Puro e Simples”, ao falar sobre a relação entre a fé e as emoções, ele aborda o tema criando o seguinte cenário: “Um homem tem provas concretas de que aquela moça bonita é uma mentirosa, não sabe guardar segredos e, portanto, é alguém em quem não se deve confiar. Entretanto, no momento em que se vê a sós com ela, sua mente perde a fé no conhecimento que possui e ele pensa: ‘Quem sabe desta vez ela seja diferente’, e mais uma vez faz papel de bobo com ela, contando-lhe segredos que deveria guardar para si. Seus sentidos e emoções destruíram-lhe a fé em algo que ele sabia ser verdadeiro”.
O problema da fé não está na razão como meio para se compreender a verdade, mas na forma como respondemos a essa verdade emocionalmente. Para que a fé seja consistente, ela precisa conectar a razão com as emoções, e isso se faz por meio da imaginação. Ele reconhece que “não é a razão que me faz perder a fé: pelo contrário, minha fé é baseada na razão… A batalha se dá entre a fé e a razão, de um lado, e as emoções e a imaginação, de outro”.
A fé como expressão lógica da razão atrofia a alma num cristianismo árido. Contudo, a fé como expressão de sentimentos e emoções envolve a alma numa espécie de balão, levado por qualquer vento, para qualquer lugar. O uso da imaginação integra a razão com os sentimentos e oferece à fé um significado real, para um mundo real.


• Ricardo Barbosa de Sousa é pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto e coordenador do Centro Cristão de Estudos, em Brasília. É autor de, entre outros, “A Espiritualidade, o Evangelho e a Igreja”.


Fonte: http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/345/fe-emocoes-e-imaginacao

sábado, 2 de janeiro de 2016

O Temor do Senhor

Por Ray Ortlund


"O temor do Senhor é o princípio da sabedoria" (Pv 9.10). Se isto é verdade (e é), então o temor do Senhor nunca é algo a ser temido. Este temor não é uma barreira ao crescimento, mas um caminho para o crescimento e a realização eterna. Mas a palavra "temor" precisa de esclarecimentos, não é? Afinal de contas, a Bíblia não diz "O perfeito amor lança fora o medo" (1Jo 4.18)? Sim. Então, deve haver dois tipos de temor.

Um tipo de temor é aquele que foge do Senhor com pavor, que se esconde e se afasta dele com terror, como se ele fosse nosso problema. Esse tipo de medo é pagão, não cristão. Não tem nada a ver com glorificar e desfrutar de Deus. É desconfiança e ressentimento para com Deus. O evangelho não cria esse temor em nossos corações. O evangelho nos mostra a glória da graça de Deus em Cristo e nos ergue, seguros e destemidos, para enfrentar a vida corajosamente como homens e mulheres com destinos eternos.

Se você não está em Cristo, você teme o Senhor de todas as formas erradas, e não o teme o suficiente. A Bíblia diz que você enfrenta uma "expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários" (Hb 10.27). Se você não está em Cristo, você é adversário de Deus e está indo para o julgamento eterno – e você realmente merece isso. Mas ele está livremente lhe oferecendo Cristo como seu abrigo.

Você precisa de abrigo por muitas razões. Aqui vai apenas uma: sem Cristo, você é tudo que você tem. Arthur Allen Leff, da Escola de Direito de Yale, um incrédulo brilhante, declara sem rodeios: "Parece que nós somos tudo que nós temos. Dado o que sabemos sobre nós mesmos e sobre os outros, esta é uma perspectiva extremamente desgostosa; olhando ao redor do mundo, parece que, se todos os homens são irmãos, o modelo dominante é Caim e Abel. Nem a razão, nem o amor e nem mesmo o terror parecem ter servido para nos tornar "bons", e pior do que isso, não há razão nenhuma por que qualquer coisa deva nos tornar assim". Se você não está em Cristo, você é tudo que você tem. Isso é algo a temer. Mas Cristo é um abrigo para as pessoas que estão com mais problemas do que elas mesmas imaginam. Volte-se para Ele. Volte-se para Ele agora. Ele vai recebê-lo.

Aqui está outro tipo de temor: "O temor do Senhor [como] o princípio da sabedoria" (Pv 9.10). Esta é uma nova atitude de abertura a Deus, criada pelo Seu amor. Se você está em Cristo, o perfeito amor dEle está lançando fora o seu medo de julgamento. A Bíblia diz: "o medo implica castigo, e quem tem medo não está aperfeiçoado no amor. Nós amamos porque ele nos amou primeiro." (1Jo 4.18-19, A21). O castigo caiu sobre nosso Substituto na cruz. Nós O recebemos com as mãos vazias da fé. Estamos sob o amor de Deus agora. O evangelho nos liberta do temor de que Deus irá, no final, nos condenar de qualquer forma. Nada jamais nos separará do amor de Deus em Cristo Jesus, nosso Senhor.

Porque estou certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor (Rm 8.38-39).

Nós cremos nisso, e O amamos.

Então, tememos ao Senhor de uma nova maneira. Tememos que venhamos a entristecer aquele que nos ama tanto. Este temor sadio é uma humildade ensinável, diz a Bíblia (Pv. 15.33). É total abertura para fazer a vontade de Deus (Gn 22.12). É arrependimento, afastamento do mal (Jó 28.28). Ele se traduz em obediência simples e prática à Palavra de Deus.

De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem (Ec 12.13).

O temor do Senhor é uma outra maneira de descrever a confiança no Senhor. Mas a palavra "temor" acrescenta conotações de reverência, respeito e admiração. O temor do Senhor é o oposto de uma superficialidade lisonjeira. Esta humildade não se importa de depender totalmente do Senhor. Na verdade, o temor do Senhor é psicologicamente compatível com "o conforto do Espírito Santo" (At 9.31). É um novo senso de realidade com o Deus vivo (At 2.43; 5.11; 19.17), que nos resgata de uma fé meramente teórica. Este temor é doce, e nos mantém perto do Senhor.

O temor do Senhor ganha em apelo quando concordamos com C. S. Lewis que "em Deus você está diante de algo que é, em todos os aspectos, incomensuravelmente superior a si mesmo." Se pensamos que podemos viver um só dia de nossas vidas sem nos submetermos ao Senhor, cedendo à Sua sabedoria superior e baseando-nos em Sua infinita provisão a cada momento, enganamos a nós mesmos, não importa o quão brilhante possamos ser.

Mas assim que aceitamos que não somos a medida, mas somos medidos; que não somos os doadores, mas os recebedores, e que Jesus Cristo é o maior especialista do universo em todas as coisas humanas, nós embarcamos em uma maravilhosa nova jornada. Somos livres para crescer e mudar.

O temor do Senhor é o princípio dessa sabedoria.


Fonte: http://www.ministeriofiel.com.br/artigos/detalhes/859/O_Temor_do_Senhor

sábado, 26 de dezembro de 2015

A Proporção da Gratidão


Por Manoel Gonçalves Delgado Jr


Um dos dez, vendo que fora curado, voltou, dando glória Deus em alta voz, e prostrou-se com o rosto em terra aos pés de Jesus, agradecendo-lhe e este era samaritano.

Então, Jesus lhe perguntou: Não eram dez os que foram curados? Onde estão os nove?

Lc.17:15-17

O Grande Agostinho de Hipona, popularmente conhecido como Santo Agostinho, um dos grandes teólogos da igreja de todos os tempos. Escreveu uma obra em formato de oração denominada “Confissões”.Nesta obra, de caráter biográfico ele registra todos os acontecimentos da sua vida desde a sua infância, formação intelectual, sua vida desregrada, as inúmeras orações de sua mãe Mônica pela sua conversão, o seu encontro com Ambrósio, o voltar-se para Deus.

Se tivéssemos que destacar o tom geral da obra, diríamos que se trata de uma grande oração em gratidão a Deus por todos os seus benefícios e por todos aqueles que foram os vetores de Deus na tarefa de abençoar a sua vida. Sem dúvida esta obra só poderia ser escrita por alguém que compreendeu profundamente as circunstancias da vida e aprendeu a desenvolver a Gratidão.

No evangelho de Lucas, vemos um episódio em que o Senhor Jesus cura um grupo de dez leprosos. Nesta ocasião, Jesus manda que os dez se apresentassem no templo aos sacerdotes para cumprirem todas as especificações da lei, os dez de fato haviam sido curados, mas só um deles agradeceu. Somente um deles fez o caminho de volta para agradecer Àquele que havia sido a fonte da sua cura.

Nesta história aprendemos algumas lições preciosas sobre a gratidão.

I- A gratidão tem haver com a percepção dos benefícios.

Muitos são abençoados, mas poucos param para refletir sobre o quanto foram ajudados, estimulados, amados, capacitados ou protegidos. Muitos desejam muito algum benefício, mas quando o recebem logo se esquecem daqueles que os abençoaram. É triste, mas é verdadeiro. A ingratidão vem do esquecimento dos bens e a gratidão vem percepção dos benefícios.

II- A gratidão não retorna na mesma proporção do bem que é feito.

Por esta razão, àqueles que fazem o bem não devem desanimar. Se você faz o bem às pessoas esperando reconhecimento você pode se frustrar. Aqueles que fazem o bem devem fazê-lo por que isto é bom e não por que serão reconhecidos por isto.

III- A gratidão traz uma benção ainda maior do que o bem recebido.

Aquele leproso, samaritano, havia encontrado o caminho de volta a Jesus o reconhecendo por tudo o que Ele havia feito. Este é o caminho da gratidão no que se refere aos homens e o caminho do louvor e da adoração no que se refere a Deus. Este samaritano agradecido encontrou antes de muitos do povo de Israel o salvador.

Os noves leprosos voltaram para suas casas livres de uma doença, este leproso voltou livre de todos os seus pecados.

IV – A gratidão ou a ingratidão determinará a forma como seremos reconhecidos no futuro.

Eu fiz a minha decisão, eu gostaria de ser reconhecido no futuro como alguém que optou por ser grato a Deus em primeiro lugar, mas também a todos àqueles que foram usados por Deus para me abençoar e me fazer o bem. Que você querido irmão faça a escolha certa e colha no futuro os resultados desta escolha.


Fonte: http://www.ultimato.com.br/comunidade-conteudo/a-proporcao-da-gratidao

sábado, 19 de dezembro de 2015

Você tem medo do futuro?


Por: Edward Welch


Todos os medos são profecias sobre o futuro. Eles começam pequenos – um ladrão pode roubar sua bicicleta, o bicho-papão vai comê-lo antes que a noite acabe – e crescem a partir daí. Esses medos, no entanto, precisam de ajuda para se tornarem globais e apocalípticos.

Eu cresci em uma época que forneceu essa ajuda. Eu estava na escola primária durante o auge da “Ameaça Vermelha” [1]. “The Late Great Planet Earth” [2] era um best-seller e os meios de comunicação informavam o pior dos assuntos globais. Com tal solo fértil, nenhum cristão precisava de imaginação para vislumbrar o Exército Vermelho usando dispositivos demoníacos para detectar que você era um cristão, ansioso por submetê-lo à pior tortura até que renunciasse a Jesus ou morresse. Aquela era, pensava eu, a pior das épocas.

Então eu cresci e percebi que cada época é, de fato, o pior dos tempos. A verdade é que sempre temos ajuda para tornar nossos medos globais. Há sempre uma nova ameaça.

Aqui estão alguns medos comuns, de uma lista que pode ser interminável:

• O medo do colapso moral completo da cultura ao redor;
• O medo do colapso econômico e do caos;
• Medo de extremistas islâmicos;
• Medo de vírus resistentes, pragas, produtos químicos perigosos, e assim por diante.

Duas linhas de defesa populares
Como podemos repelir esses medos? Uma linha de defesa é ser racional, fazer com que dados e fatos amenizem os temores. Considere, por exemplo, os extremistas islâmicos. Como a maioria das religiões crescem por meio de pais que passam a fé a seus filhos, as estatísticas sugerem que não haverá uma maioria islâmica num futuro próximo, porque há simplesmente mais cristãos que muçulmanos agora, e até mesmo um súbito aumento no tamanho médio das famílias islâmicas não fará muita diferença nesse período. Medo aliviado.

Uma segunda defesa contra esses medos é imaginar o pior e se preparar. Alerte os outros, construa um abrigo, ou simplesmente continue imaginando o pior, como se isso fosse um talismã para quando o pior acontecer.

Essas defesas, é claro, são apenas confortos temporários. Não podemos confiar em dados, nas chances estarem a nosso favor ou na nossa preparação pessoal. Nós confiamos em uma Pessoa. Qualquer resposta a temores distantes que enfatize a informação e preparação acima da confiança é ímpia em seu âmago. Informação e educação não estão erradas, mas não são a nossa primeira resposta. O povo de Deus se volta para ele em primeiro lugar: “não sabemos nós o que fazer; porém os nossos olhos estão postos em ti” (2Cr 20.12).

Receberemos graça
Quando nos voltamos para o Senhor, consideramos em primeiro lugar a maior promessa de todas: “De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei” (Hb 13.5). Nossos pecados são o que nos separam de nosso Deus, mas agora o perfeito Sumo Sacerdote fez o sacrifício perfeito e, tendo feito expiação de pecados, assentou-se. O sacrifício pelo pecado está feito. A nós é garantida a sua presença. Não enfrentaremos nossos medos sozinhos.

Nesta promessa está incluído que ele nos dará a graça diária de que precisamos. A imagem do Antigo Testamento por trás disso é o dom do maná. Era o suficiente para um dia, mas não devia ser estocado para o dia seguinte, para que não confiássemos em nossos estoques. Amanhã encontraremos novas misericórdias, maná fresco e abundante graça.

Essa graça nos capacitará a descansar em Deus e permanecer firme diante de qualquer sofrimento ou tentação que o mundo pode reunir, diante de qualquer medo que se concretize (1Co 10.13). Sua presença nos assegura de “recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hb 4.16). Tudo o que temos a fazer é pedir.

A graça prometida torna nossas previsões terríveis obsoletas. Mesmo se estivermos certos em nossas previsões, e geralmente não estamos, não podemos prever a graça que será derramada sobre nós naquele dia futuro. Em vez disso, nós vislumbramos o futuro com a graça que temos para as dificuldades de hoje, e essa graça é suficiente apenas para hoje, não para amanhã. O amanhã surgirá com um novo estoque de graça.

Recontar a história
Com essa graça futura em vista, nós recontamos a história de nossas vidas e a história da história. Considere o Salmo 23, por exemplo, como um modelo. Tornamo-nos, pela fé, as ovelhas do Senhor. Alegria e descanso são a ordem do dia. Mas ovelhas têm que se movimentar, e essa jornada irá incluir problemas, como testemunhamos quando o Cordeiro de Deus se submeteu ao seu Pastor no mesmo caminho. O problema pode ser intenso. Pode incluir Assíria, Roma e outras ameaças que podem nos matar. Mas a história não termina aí. Nossos inimigos vão assistir à distância enquanto nos assentamos à mesa do banquete de Deus. Eles serão envergonhados; nós seremos uma família com o Honrado. À medida que caminhamos para a casa do Senhor, sem temer mal algum, oramos para que sua vontade seja feita na terra como no céu (Mt 6.10). E a peregrinação leva-nos para a casa de Deus, onde a sua vontade é feita continuamente. A história da Escritura sempre termina bem.

De fato, a vida e a história terminam gloriosamente para o povo de Deus, e enquanto nós olhamos para esse fim, podemos prever isto: a graça de Deus nos seguirá de tal forma que temeremos o mal cada vez menos.


[1] N.T.: Nos Estados Unidos, após a II Guerra Mundial, o temor espalhado pela população de uma atuação comunista infliltrada na sociedade ou no governo.

[2] N.T.: Livro de Hal Lindsey de grande sucesso, que associava acontecimentos contemporâneos a profecias apocalípticas.


Dr. Edward T. Welch é conselheiro e membro do corpo docente da Christian Counseling & Educational Foundation (Fundação de Educação & Aconselhamento Cristão – CCEF).


sábado, 12 de dezembro de 2015

Se o Senhor é o Meu Pastor, Porque as Coisas Me Faltam?


Por Daniel Conegero


“O Senhor é o meu Pastor; nada me faltará.” (Salmos 23:1)

Provavelmente esse é o texto mais conhecido da Bíblia e, concorre acirradamente com os também Salmos 70 e 91, como os favoritos à ficarem abertos sobre as cabeceiras de nossas camas. Isso não é por acaso, afinal se o Senhor for o meu Pastor nada irá me faltar. Isso é infalível, e não sou eu quem garanto, e sim a Bíblia, mas, parece que nem sempre as coisas acontecem dessa maneira, e então logo vem a pergunta: O que aconteceu? A Bíblia errou?

A verdade é que ao longo do tempo agente costuma a adaptar as coisas da forma que mais nos convém, e esse versículo é um destes muitos casos. Vivemos uma época em que o poder de Deus é vendido à preço de atacado.

Comercializar Jesus se tornou uma atividade muito lucrativa, e falo isso agora não apenas como cristão mas como um especialista em Gestão Estratégica, área em que também sou formado, e afirmo com todo conhecimento que as técnicas utilizadas na captação de novos “clientes” (ou fiéis, como preferir) e os processos que compõe as estratégias de relacionamento com estes "consumidores" são dignas de compor o plano de marketing de uma grande empresa; mas acredito que se tem algo em que essas pessoas falham é o pós-venda, pois vendem algo que não fabricam: o poder de Deus.

Desculpe por essa parte chata mas vou explicar de uma forma bem simples o que tudo isso significa. Vamos reescrever esse versículo da forma que é oferecido hoje em dia.

“Se nada me faltar o Senhor será o meu Pastor.”

Seria realmente muito mais cômodo interpreta-lo desta forma, afinal, se tudo der certo para mim (segundo meus planos) então poderei adorar a Deus. Tem alguns que ainda vão mais longe e dizem: "Se Deus não fizer isso por mim não quero mais saber de nada". Parabéns! Tem um lugar que só recebe auto suficientes após a morte.

A Bíblia não está errada:

A Bíblia não está errada, você pode tomar o versículo da maneira que ele realmente é, aliás basta lermos com bastante atenção para reconhecermos que ele está escrito de forma perfeita.

Por que "o Senhor é o meu Pastor" vem em primeiro lugar? Fácil! Para que nada nos falte, porém esse "nada" não é segundo as nossas vontades, mas segundo as vontades dEle.

Certa vez um irmão deu um testemunho de que ele foi acometido de um problema grave de saúde e que precisaria de um transplante de órgãos. Isso o deixou totalmente debilitado, porém Deus falou com ele diversas vezes de tudo ficaria bem. E o tempo foi passando e ele piorando, e Deus o tranquilizando na palavra. Agora você me pergunta o que aconteceu? Ele foi curado?

Sim, ele foi curado! Ele realizou exames que detectaram que um familiar próximo era compatível para doação do órgão, e assim foi, o transplante foi realizado e ele esta curado.

Agora você deve estar pensando: ele precisou de um transplante? Deus não disse que o curaria?

E continuo afirmando: Deus o curou!

Não entendeu? Vou refrescar a sua memória.

Lembra de José? Sofreu um bocado não? Foi traído pelos próprios irmãos, vendido como escravo, e como se ainda não bastasse foi preso por uma falsa acusação, e olha que não foi apenas uma prisão provisória apenas para averiguação, ele ficou preso mesmo, e nem teve direito a um habeas corpus. Dificil não? Mas ele guardava um sonho, ele sabia que tudo daria certo.

Agora pensando bem, Deus não poderia te-lo transformado em Governador do Egito sem precisar de tudo isso, apenas com um estalar dos dedos?

Claro que sim! Da mesma forma que Deus também poderia ter escolhido uma forma menos dolorida (ao invés da crucificação) para o plano de salvação, mas para tudo existe um propósito, Ele é soberano e não cabe a nós discutir os seus desígnios.

Os planos de Deus são muito maiores que os nossos:

Deus não precisa de um transplante de órgãos para curar alguém, mas Ele sabe de coisas que não sabemos, e muitas vezes os grandes sofrimentos são necessários para reafirmar em nossa própria vida a condição de ovelha, guiada por um Pastor que, mesmo que as vezes Ele corte a nossa lã, ele não faz isso para nos fazer passar frio, mas sim porque Ele sabe que uma nova lã crescerá, tornando a nossa história ainda mais extraordinária, e nos dando uma certeza inconfundível de que se o Senhor for o nosso Pastor, de alguma maneira, nada nos faltará, pois a presença dEle sempre será constante na condução de Suas ovelhas.


sábado, 5 de dezembro de 2015

Visão, Lugar e a Presença de Deus


Por R. C. Sproul


Há grande debate e controvérsia em nossos dias sobre qual é a adoração correta diante de Deus. Como eu tenho lutado com essa questão, continuo voltando ao Antigo Testamento. Eu sei que essa é uma prática perigosa, porque agora vivemos na era do Novo Testamento, mas o Antigo Testamento nos dá instruções detalhadas e específicas sobre a adoração, enquanto o Novo Testamento é quase que silencioso a respeito desta conduta. No Antigo Testamento, eu encontro um refúgio da especulação, da opinião do homem e dos caprichos do gosto e da preferência humana, porque lá eu encontro o próprio Deus exigindo explicitamente que certas coisas aconteçam na adoração. Eu acredito que é possível e correto extrair princípios para a adoração do Antigo Testamento, pois os livros do Antigo Testamento continuam fazendo parte do cânon das Escrituras e, mesmo que haja certa descontinuidade entre o Antigo e o Novo Testamento, há também uma continuidade que não devemos desconsiderar.

Um dos princípios que aprendi do Antigo Testamento é esse: a pessoa deve ser envolvida por inteiro na experiência da adoração. Certamente, as mentes, os corações e as almas dos adoradores devem estar envolvidos, mas quando vamos ao culto no domingo pela manhã, não chegamos com as mentes, os corações ou as almas desencarnados. Nenhuma das nossas experiências é puramente intelectual, emocional ou espiritual. A experiência da vida humana também envolve aspectos físicos. Isso significa que todos os cinco sentidos estão envolvidos na experiência da vida. Somos criaturas que vivem a vida não apenas com as nossas mentes, corações e almas, mas com os nossos sentidos de visão, audição, olfato, paladar e tato.

Eu não tenho espaço suficiente neste breve artigo para abordar como os cinco sentidos estão envolvidos na adoração, ou mesmo para explorar todas as dimensões de apenas um desses sentidos. Então, quero considerar apenas uma forma pela qual o sentido visual pode ser impactado, para que os nossos corações sejam movidos a adorar.

Pesquisas rotineiramente nos dizem que as duas razões principais pelas quais as pessoas ficam longe da igreja são porque elas acham o culto chato e a igreja irrelevante. Essas razões, especialmente a primeira, me deixam surpreso. Eu sempre disse que, se o próprio Deus anunciasse que ele apareceria na minha igreja num domingo de manhã, às 11 horas, pessoas compareceriam a ponto de algumas ficarem em pé somente nessa hora marcada do culto. Tenho certeza de que ninguém que viesse a esse culto e testemunhasse a chegada de Deus iria embora depois, dizendo: “Eu fiquei entediado”. Quando lemos os relatos bíblicos de encontros de pessoas com Deus, podemos ver todas as gamas de emoções humanas. Algumas pessoas choram, algumas clamam de medo, algumas tremem, algumas desmaiam. No entanto, nunca lemos sobre alguém que tenha ficado entediado na presença de Deus.

Então, visto que a adoração é, em seu sentido mais básico, um encontro com Deus, como podemos explicar as pesquisas que nos dizem que as pessoas saem entediadas da igreja? Devo concluir que elas não estão experimentando a presença de Deus em nenhum sentido. Isso é trágico, porque se as pessoas não sentem a presença de Deus, elas não podem ser movidas a adorar e a glorificar a Deus.

Um dos elementos que ajudam as pessoas a sentir a presença real de Deus é a forma do ambiente de culto. Eu gostava de perguntar aos meus alunos do seminário, que eram protestantes, se eles já haviam estado em uma das grandes catedrais góticas católicas romanas. Muitos haviam estado, por isso eu lhes pedia para compartilhar suas profundas reações ao andarem por uma catedral. A maioria dizia: “Tive uma sensação de temor” ou “Eu senti a transcendência de Deus”. Isso me dava a oportunidade de mostrar como a arquitetura das catedrais, o formato do ambiente de culto nessas construções, colocava meus alunos no “clima” para a adoração, por assim dizer. É claro, as catedrais foram projetadas para despertar essa exata reação. Grande cuidado e reflexão foram empenhados no projeto das catedrais. Os projetistas queriam um formato que estimulasse nas pessoas uma sensação da sublimidade de Deus, da alteridade de Deus. Eu me entristeço ao ver que os protestantes não costumam ter o mesmo cuidado no projeto das igrejas. Nossos ambientes de culto são muitas vezes práticos. Os templos são projetados de acordo com o design de cinemas ou estúdios de televisão. Tais ambientes não têm nada de errado, mas muitas pessoas testemunhariam que esses ambientes não as inspiram à adorarem da mesma forma que o interior das igrejas tradicionais fazem.

Cabe a nós, penso eu, observar o grande cuidado com o qual Deus deu ao seu povo os planos para o tabernáculo, o primeiro ambiente de adoração. Como o templo que veio em seguida, o tabernáculo era um lugar de beleza, glória e transcendência. Era como nenhum outro lugar  na vida do povo de Deus. Precisamos entender que a arquitetura da nossa igreja comunica algo aos nossos sentidos visuais e, portanto, essa arquitetura pode favorecer ou dificultar a nossa percepção da presença de Deus.


R. C. Sproul: nasceu em 1939, no estado da Pensilvânia. É ministro presbiteriano, pastor da igreja St. Andrews Chapel, na Flórida. É fundador e presidente do ministério Ligonier, professor e palestrante em seminários e conferências, autor de mais de sessenta livros, vários deles publicados em português, e editor geral da Reformation Study Bible.