sábado, 19 de março de 2016

A (minha) misericórdia dura para sempre?

Por Klênia Fassoni


“A sua misericórdia dura para sempre” é o refrão do Salmo 136. Cada declaração a respeito de Deus, do que ele é, faz ou fez é sucedida por esta expressão. Todos nós a conhecemos e vezes sem conta a recitamos em nossas celebrações. As palavras amor, bondade e benignidade são usadas em outras versões da Bíblia.

Surpreendi-me ao encontrar esta expressão como referência a nós, simples mortais. Está no Salmo 112, verso 9: “ele dá generosamente aos pobres, e a sua bondade dura para sempre” [NTLH]. Neste Salmo de apenas 10 versos é possível listar muitas qualidades dos que são fiéis a Deus, dos que o temem. É impressionante que várias delas estejam relacionadas ao trato de outros, principalmente dos necessitados. O homem e a mulher fiéis são: bondosos, misericordiosos, honestos, têm pena dos outros, emprestam e dão generosamente, distribuem liberalmente, são justos. E fazem isto continuada e insistentemente. Por quê? Porque a sua bondade (ou, a sua justiça - palavra usada em 3 versões) dura para sempre.

E isto não lhes é uma obrigação, mas algo que flui deles, naturalmente, fruto de sua fidelidade a Deus. E este tipo de comportamento é fonte de alegria. Em algumas versões o título atribuído ao Salmo é “A Felicidade daquele que teme a Deus” [ou: de quem é fiel a Deus].

Por que não seria assim? O seguidor caminha com o líder, o aluno aprende com o mestre, o filho compartilha dos atributos e das prioridades do Pai. O Salmo 137 - um chamado para louvar a Deus - coloca em evidência o fato de que “Não há ninguém como o Senhor, nosso Deus”, que livra os pobres da humilhação, tira os necessitados da miséria, faz destes companheiros de governantes, dá filhos, lar e honra à estéril.

Nosso Pai é o Deus que intervém em favor dos fracos, dos mal sucedidos, dos esquecidos, com bondade e com justiça. Nós – como filhos – compartilhamos da natureza do Pai! Se isto não acontece, há algo muito estranho na fé que professamos.

João é enfático: “Queridos amigos, amemos uns aos outros porque o amor vem de Deus. Quem ama é filho de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não o conhece, pois Deus é amor”. [1 Jo 4.7 e 8]

Nota: Versões da Bíblia consultadas: Revista Atualizada, Nova Tradução na Linguagem de Hoje e Tradução Brasileira.


Fonte: http://www.ultimato.com.br/conteudo/a-minha-misericordia-dura-para-sempre

sábado, 12 de março de 2016

A Queda – Qual é o destino do pecado do homem?



Por Michael Lawrence.

Um dos principais enganos que nós fazemos a respeito da história bíblica da Queda é pensar nela somente como um trágico evento histórico que aconteceu no passado, analogicamente ao tsunami no natal de 2004, porém com proporções bíblicas. O problema desse modo de pensar é que nós estamos acostumados a retomar as nossas vidas e nos recuperar de tais obstáculos. Bastante tempo e muito esforço foram necessários, mas Chicago se reergueu após o incêndio de 1871; e o mesmo foi verdade em relação a Banda Achém, Indonésia, após o tsunami de 2004. Porém a Queda não é simplesmente uma tragédia que aconteceu. Embora seja certamente um evento histórico, a Queda é uma realidade contínua que prossegue desenvolvendo-se e afetando as nossas vidas. Assim como uma doença que começa em determinado ponto no tempo, mas progride e segue o seu curso, a Queda tem a uma trajetória, um alvo que ainda não foi alcançado. E para acordarmos da ilusão de que o pior já passou, nós precisamos entender o percurso da Queda.

Para começar, a Queda é progressiva, não estática. Essa é uma das razões porque a história da Queda é tão importante. Ao seguirmos do primeiro e invejoso homicídio de Caim até o assassinato banalizado de Lameque até a cultura de violência dentre os homens dos dias Noé, nós vemos que as coisas ficam ainda piores. Elas não estacionam, e não melhoram. Todavia, apesar da progressão do pecado e da Queda estarem amplamente registradas na história humana; ela é menosprezada pelo coração humano. Como Paulo diz em Romanos 6, a nossa escravidão nos leva a dedicar os nossos corpos a uma contínua e crescente perversidade. Paulo assim afirma em Romanos 1.21: “porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato.” E depois Paulo diz três vezes em devastadora sucessão: “Por isso, Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração”; ” Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames”; “E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável” (Rm 1.24, 26, 28).

No estágio em que estamos, nenhum de nós é tão ruim quanto poderia ser. Porém abandonados à nossa mercê, sem a mão refreadora de Deus ou a graça de Jesus Cristo no evangelho, o pecado continuaria a progredir em nossas vidas. Ele nunca retrocede. Ele sempre avança, porque a Queda tem um alvo. Esse alvo é a nossa morte e condenação eterna. O pecado irá nos conduzir a uma perversidade maior e excedente. Essa é uma das razões porque o vício é uma força tão poderosa e uma imagem tão poderosa do pecado. Por definição, um vício nunca se satisfaz. Ele sempre quer mais. Idolatria é como um vício. Idolatria nunca concede o que promete, porém, assim como o vício, simplesmente diz: “Tenta outra vez… e um pouco mais; talvez desta vez você se satisfaça”. Assim como o viciado abandonado ao seu vício, é uma coisa terrível ser abandonado por Deus em nosso pecado, pois o nosso pecado, aparentemente domado no momento, planeja nos devorar.

Essa é uma das razões porque Deus nos deu a lei: com o objetivo de restringir o pecado em seu avanço desenfreado. Como crentes, nós não devemos temer a lei. Ainda que erroneamente possamos utilizar a lei para tentarmos parecer melhores diante de Deus, nós também podemos receber a lei como uma boa dádiva de Deus. Tendo sido libertos do poder do pecado pelo evangelho, a lei não mais nos condena, mas nos mostra como viver uma vida que reflete o santo caráter de Deus. Como pregadores, nós precisamos fazer mais do que utilizar a lei como caminho para trazer as pessoas para Cristo. Também precisamos ensinar a lei de modo que os cristãos saibam como viver num mundo desregrado e impiedoso.

Enquanto cidadãos, nós não devemos temer ou nos opor à ação e ao exercício da lei; e enquanto cidadãos cristãos, nós devemos ativamente promover boas leis. Românticos como Rousseau e seus herdeiros modernos, seja os da esquerda ou direita liberal, estão redondamente enganados. O estado da natureza não é próximo do estado da inocência. Pelo contrário, o estado da natureza é próximo do estado de vício e brutalidade. Deus nos concedeu a lei para restringir tal avanço. Assim, como Paulo nos lembra em Romanos 13, o governo e as suas leis são boas dádivas de Deus, para recompensar aquilo que é correto e restringir aquilo que é mal.

Porém, ainda que a Queda seja progressiva, ela não será progressiva eternamente. Chegará o dia em que a Queda será punida. Porque o pecado nunca se satisfaz, mas sempre pede por mais, ele é, em última instância, uma provocação contra um Deus santo. Deus descreve a si mesmo para Moisés como paciente e misericordioso. Contudo, como Pedro nos adverte em 2 Pedro 3, nós não devemos confundir a paciência de Deus com indiferença. Deus também diz que “não inocenta o culpado” (Êxodo 34.7). Independente do que gostaríamos de pensar, o desenvolvimento da Queda não termina em reabilitação ou transformação gradual, à medida que as coisas ficam melhores e melhores. De acordo com Apocalipse 18, a Queda termina da maneira que merece.

Jesus diz que o Dia do Julgamento já foi determinado na mente de Deus, e a visão daquele dia revelada em Apocalipse 18 é terrível. Caracterizada como como uma grande cidade, a criação pecadora é submetida ao julgamento de Deus para nunca mais se levantar. Repetidamente, o capítulo ecoa a frase “nunca mais… em ti”. Música “nunca mais será ouvida em ti”. Trabalhadores “nunca mais serão encontrados em ti”. Luz “nunca mais brilhará em ti”. Noivas e noivos “nunca mais serão ouvidos em ti”. Essa visão do julgamento é tão final e definitiva que o anjo declara que a cidade “nunca mais será encontrada”.

Não somente final, mas esse julgamento será justo. O mesmo capítulo nos diz que Deus se lembrará dos crimes desse mundo idólatra e o retribuirá por seus crimes. Ele dará a cada um de nós exatamente o que merecemos. Na tentativa de descrever esse terrível dia da vingança de Deus, do seu julgamento punitivo, a Bíblia utiliza diversas imagens: escuridão externa, pranto sem fim e ranger de dentes, um lago de fogo, morte eterna. O que é evidente em todas essas imagens é que a justiça do julgamento de Deus é expressa na punição eterna que ele impõe. A ofensa do pecado contra um Deus infinito e eterno é uma ofensa infinita. Por isso, a punição merecida, corretamente, nunca acaba.

Aqui está o engano em pensar na Queda como simplesmente algo que aconteceu no passado. A história da Queda é uma história de desespero, como uma doença incurável que inevitavelmente conduz a uma morte dolorosa ou como uma loucura que conduz a sua vítima mais longe ainda da sanidade e razão. Por nós mesmos, essa é a nossa história; a história do nosso passado, mas também a história do nosso futuro ininterrupto. Em nossa pregação e ensino, pode parecer mais confortável aliviar esse aspecto da Queda. Ninguém gosta de pensar em seus entes e amigos queridos em tormento eterno. No entanto, ignorar a verdade não faz com que ela vá embora. Isso simplesmente deixa almas eternas desmotivadas e desequipadas para lidar com questões de consequências eternas.


Michael Lawrence é o pastor principal da Hinson Baptist Church em Portland, Oregon, EUA, e o autor de Biblical Theology in the Life of the Church (publicado em inglês pela editora Crossway, sem tradução em português).


sábado, 5 de março de 2016

Perdão; o passado, passado a limpo



Por Leonel Elizeu Valer Dos Santos

“... eu lançava na prisão, açoitava nas sinagogas os que criam em ti. Quando o sangue de Estêvão, tua testemunha, se derramava, também estava presente, consentia na sua morte, guardava as capas dos que o matavam. Disse-me: Vai, porque hei de enviar-te aos gentios de longe.” Atos 22;19 a 21

Temos Paulo, em face a sua chamada, desqualificando-se por causa dos crimes pretéritos; Jesus, apressando-o por causa dos anseios futuros. Desse modo, o ser humano tende a olhar para as dificuldades; Deus, para os objetivos.

Por nefasto que tenha sido nosso pretérito, se, O Senhor nos perdoa, recebe, o passado está resolvido. Ficarmos nos atormentando com remorsos não deriva de eventual bondade nossa; antes, é traço de incredulidade, de quem duvida do perdão Divino.

Deus afirma que lança os pecados perdoados no “Mar do esquecimento”; nós, adquirimos roupas de mergulho e submergimos nas águas sujas atrás do que deveríamos esquecer.

Não que seja possível a uma pessoa saudável esquecer, estritamente, no sentido de não mais lembrar. Mas, como dizemos sobre esquecer um amor, ainda lembramos o vivido, agora, lembrança sem dor. É bom que lembremos desse modo, os descaminhos idos, pois, quanto piores forem, maior será nossa gratidão ao Salvador que deles nos tirou, como disse Davi: “... Tirou-me de um charco de lodo, firmou meus pés sobre uma rocha.” Sal 40

Quando o Senhor nos comissiona, não o faz por causa de coisas que fizemos; geralmente, apesar, do que fizemos. Noutras palavras, não nos chama por nossos méritos, antes, por Sua Bondade. Certo que, limpa o vaso que pretende usar, como fez quando chamou Isaías; o profeta que reconhecera a impureza dos seus lábios, O Santo o purificou, e comissionou.

Observemos os carros à noite; as luzes que apontam para frente são poderosas, reguláveis para perto e longe; as de trás, são tênues, avermelhadas, não servem para iluminar, antes, para mostrar a presença a outros, basicamente. Assim deveria ser com o “carro” das nossas vidas. Não obstante andarmos num mundo noturno, escurecido pela impiedade, devemos contar com a vívida Luz de Cristo para mostrar o caminho. Tanto para perto, implicações de nosso andar agora, quanto, longe, nossa esperança nas promessas. “Lâmpada para meus pés é a tua Palavra; luz para meu caminho”. Sal 119;105

As luzes de trás, servem mais a outros que a nós; os que viram o que fomos, e verem no que Jesus nos transformou, hão de identificar a presença da salvação. “Muitos, verão, temerão, e aprenderão a confiar no Senhor” Ainda, salmo 40.

Assim, quando O Senhor chama-nos, será perda de tempo investigarmos procurando motivos em nós; os motivos estão Nele. Nós temos passados ruins, limitações de talentos, credenciais pífias, mas, se tivermos ouvidos espirituais, coração voluntário, índole servil, estaremos “qualificados”, aos Divinos Olhos.

O mesmo Paulo, que considerava-se o principal dos pecadores por ter perseguido à Igreja, indigno de ser chamado apóstolo, nascido fora de tempo, - disse – ( e, pensar que temos “apóstolos” hoje! ) esse Paulo, digo, viveu na pele, aprendeu e ensinou sobre as “credenciais” que, Deus busca nos Seus comissionados: “Porque, vede, irmãos, vossa vocação, não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos nobres que são chamados. Mas, Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir às fortes; Deus escolheu as coisas vis deste mundo, as desprezíveis, as que não são, para aniquilar as que são; para que nenhuma carne se glorie perante ele.” I Cor 1; 26 a 29

Nosso “material de construção” é péssimo para Obra de Deus; Ele não usa isso. Regenera os Seus, da Água ( Palavra ) de do Espírito, ( Santo ). “Assim, se alguém está em Cristo, nova criatura é, as coisas velhas passaram, eis, que tudo se fez novo.” II Cor 5;17

Com o Novo Material edifica-nos; nos faz partícipes na edificação da Sua Obra. Porém, testa-nos pelo fogo das aflições, para ver se estamos usando o devido cuidado. Feitos que não resistem à prova serão consumidos. “Se alguém, sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha; a obra de cada um se manifestará; na verdade o dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; o fogo provará qual a obra de cada um.” I Cor 3; 12 e 13

Nosso passado sujo foi purificado por sangue; nosso andar renascido é, pelo fogo. Pregadores que ensinam triunfalismo invés de santidade, devaneiam fugir de um fogo necessário agora; conduzem a outro inevitável depois.

Pois, se no nosso sujo pretérito aceitamos de bom grado a solução de Deus, em nosso incógnito devir, devemos confiar na Sua direção também.


Fonte: http://www.ultimato.com.br/comunidade-conteudo/perdao-o-passado-passado-a-limpo

sábado, 27 de fevereiro de 2016

A vida sem respeito não é vida, é rejeito!

                Onda de lama, procedente do rompimento de barragens em Mariana (MG), invade o Rio Doce Fred Loureiro/Secom-ES


Por Iracema Claro


O Brasil de cores e seu povo cheio de dores.
A cor da bandeira do choro mineiro é marrom.
A dor da morte é vivida, cheirada e sentida.
A vida foi mergulhada na morte marrom.

A água ficou sem ar,
Sem razão de ser bebida, molhada,
fresca, tocada, sentida.

O ar ficou tristonho
O rosto ficou sem cor
E a cor da dor: Marrom.

Sentiu o mar
Sentiu o rio
Sentiu o ribeirinho
O pescador sem pão, sem rio, sem ninho.

Marrom ficou o brilho do olhar do pescador
Marrom ficou a vida do ribeirinho ...que dor!
Marrom ficou a vida mineira
Extasiada pela tragédia, ficou a pátria inteira.

O rio sem água pra viver
Há água, pra não beber
O peixe sem água sem vida,
Ninguém mais nada, nada!

O mundo viu isso, tragédia anunciada.
Comum desrespeito por aqui, óh minha pátria amada!

Em silêncio de morte responde a natureza:
Poder sem responsabilidade gera morte, secura, desolação, vergonha e tristeza.


A vida sem respeito não é vida é rejeito!


sábado, 20 de fevereiro de 2016

É sexta-feira!!



É sexta-feira
Jesus está orando
Pedro está dormindo
Judas está traindo
Mas o domingo está chegando!


É sexta-feira
Pilatos julgando
O conselho está conspirando
A multidão está difamando
Mas eles não sabem
Que o domingo está chegando!


É sexta-feira,
os discípulos estão fugindo
como ovelhas sem pastor
Maria está chorando
Pedro está negando
Mas eles não sabem
Que o domingo está chegando!


É sexta-feira
Os romanos batem em meu Jesus
Eles o vestem de escarlate
Eles o coroam com espinhos
Mas eles não sabem
Que o domingo está chegando!


É sexta-feira
Veja Jesus caminhando para o Calvário
Seu sangue pingando
Seus pés tropeçando
Sobrecarregado está em seu espírito
Mas você vê, é só sexta-feira
Mas o domingo está chegando!


É sexta-feira
O mundo está vencendo
As pessoas estão pecando
e o mal está sorrindo
É sexta-feira
Os soldados pregam as mãos do meu Salvador
Na cruz
Pregam os pés do meu Salvador
na cruz
E então eles o crucificam
Ao lado de criminosos


É sexta-feira
Mas deixe-me dizer-lhe uma coisa
O domingo está chegando!


É sexta-feira,
os discípulos estão questionando
O que aconteceu com o seu Rei
e os fariseus estão celebrando
Que seu plano astuto
foi alcançado com sucesso
Mas eles não sabem
É apenas sexta-feira,
Mas o domingo está chegando!


É sexta-feira
Ele está pendurado na cruz
Sentindo-se abandonado por seu pai
deixado sozinho e morrendo...
pode alguém salvá-lo?
Ooooh
É sexta-feira
Mas o domingo está chegando!


É sexta-feira
A terra treme
O céu escurece
meu rei entrega seu espírito


É sexta-feira
a esperança está perdida
a Morte ganhou
o pecado conquistou
e Satanás apenas ri.


É sexta-feira
Jesus é enterrado
Soldados montam guarda
E uma pedra é rolada no sepulcro
Mas é sexta-feira
Só é sexta-feira
Mas o domingo está chegando.


Josemar Bessa - Tradução livre e adaptação de um poema de M. Lockbridge


Fonte: http://www.josemarbessa.com/2016/02/e-sexta-feira.html

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Não quero flores

                                       Fotografia e edição: Claudine Bernardes
                                 
Claudine Bernardes


Quando eu fechar meus olhos,
será o mais natural possível,
Sem mágoas, remorsos
ou arrependimentos.

Quando apagar-se a luz
da minha vida neste corpo,
Não quero que lágrimas
sejam derramadas sobre
a matéria que se fará presente.
Não espero lamentações nem dor.

Quando meu espírito deixar meu corpo, e
meus olhos não brilharem mais,
ou sorriso não existir mais em minha face,
não se entristeçam por isso.
Eu fui para o meu Criador.

Não quero coroas caras,
não deixem que as flores
sejam sepultadas comigo,
Não as matem por mim.
Deixem-nas viverem
até que o sol as queimem
e elas sequem e murchem naturalmente.

Porque então, neste dia eu serei
como uma flor seca pelo sol da vida.
Uma flor que um dia nasceu,
deixando que sua raiz se aprofundasse na terra-vida.
Que fez o máximo para deixar o dia
dos que a viam mais alegre e perfumado.

Não chorem pela flor que murchou,
se alegrem pelas lembranças que ela deixou.
(Claudine Bernardes)

Esta poesia foi publicada no blog www.acaixadeimaginacao.com 
http://acaixadeimaginacao.com/2015/11/19/nao-quero-flores/


domingo, 7 de fevereiro de 2016

Freud, Jung e a carta aos Colossenses

Por Derval Dasilio


Gênio que fez e ainda faz a felicidade de muitos, desvendando nosso egocentrismo, Freud descreveu também outro gigante interior que vigia nosso comportamento dia e noite: o superego! Essa força nos obriga a respeitar valores éticos, criar novas metas para a mente humana, novos rumos, outras estrelas-guias que orientem a caminhada da humanidade. Claro, com ética e moralidade. A ética nos ensina a alcançar ideais -- enquanto educa para bem-viver -- e a respeitar as diferenças de cada um, sejam culturais, raciais, ideológicas, religiosas, por exemplo.
                                                                 
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Carl Jung, que estudou profundamente o inconsciente coletivo nas sociedades orientais e ocidentais, culturas africanas, indianas, diz que os elementos que compõem o homem, tidos como fonte de todo o mal existente, não confirmam as teorias freudinas centradas somente no indivíduo. Caso contrário, pensava, com a capacidade de agir racionalmente somente em benefício próprio, não restaria mais esta espécie animal sobre a face da terra. O ser humano não é composto somente de tendências repreensíveis, e abrange outros comportamentos nobres como a compaixão, a misericórdia e o cuidado. Do mesmo modo, detém um certo número de qualidades, visto da normalidade comportamental. Fazem parte dessa normalidade reações moralmente apropriadas, percepções sobre realidades injustas, consciência sobre o coletivo, entre as demais, sobre solidariedade e a sobrevivência, impulsos criadores... O homem almeja fazer parte de uma nova humanidade.

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Construindo altares à beira do abismo (diz Rubem Alves), o homem sonha, constrói utopias, imagina mundos melhores possíveis, buscando dentro de si o que é mais profundo e íntimo, enquanto mergulha nas profundidades mais tenebrosas para entender o porquê das escuridões nos processos civilizatórios, no tempo e no espaço em que vive. Embora a consciência de si mesmo o deixe atônito quanto ao que vê em distropias que negam os melhores sonhos da humanidade, porque não há uma unidade na consciência do coletivo e suas necessidades, exigindo a denúncia, a indignação, quando se nega cuidado com o outro ou a outra; quando a compaixão é sufocada pelo egoísmo; quando a ganância faz perder o sentido da partilha e da solidariedade.

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Mediante o sonho, ou utopia, teríamos palavras como essas: “a utopia penetra no ser humano mais profundo, mais coletivo, mais solidário, mais verdadeiramente humano, mais justo, mais ético, mais durável”, senão mergulharíamos na penumbra da noite original de onde viemos. Como disse Carl Jung, quando o homem estava no “Todo”, e o “Todo” estava nele, sonhava, vivia na busca da partilha e igualdade nos bens que deveria partilhar.

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Concordava com São Paulo, o Apóstolo: “mas, agora, abandonem estas coisas: ira, indignação, maldade, maledicência e linguagem indecente no falar. Não mintam uns aos outros, visto que vocês já se despiram do velho homem com suas práticas e se revestiram do novo, o qual está sendo renovado em conhecimento, à imagem do seu Criador. Nessa nova vida já não há diferença entre grego e judeu, circunciso e incircunciso, bárbaro e cita, escravo e livre, mas ‘Cristo é tudo e está em todos’”.

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“Portanto, como povo escolhido de Deus, santo e amado, revistam-se de profunda compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência. Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor lhes perdoou. Acima de tudo, porém, revistam-se do amor, que é o elo perfeito”.

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“Que a paz de Cristo seja o juiz em seu coração, visto que vocês foram chamados para viver em paz, como membros de um só corpo. E sejam agradecidos. Habite ricamente em vocês a palavra de Cristo; ensinem e aconselhem-se uns aos outros com toda a sabedoria e cantem salmos, hinos e cânticos espirituais com gratidão a Deus em seu coração”.

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“Tudo o que fizerem, seja em palavra seja em ação, façam-no em nome do Senhor Jesus, dando por meio dele graças a Deus Pai. Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor, e não para os homens, sabendo que receberão do Senhor a recompensa da herança. É a Cristo, o Senhor, que vocês estão servindo. Quem cometer injustiça receberá de volta injustiça, e não haverá exceção para ninguém”.

(Extratos da Carta aos Colossenses, no Novo Testamento)

Foto: Collwyn Cleveland / Freeimages.com


Derval Dasilio é pastor emérito da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil e autor de livros como “Pedagogia da Ganância" (2013) e "O Dragão que Habita em Nós” (2010).


Fonte: http://www.ultimato.com.br/conteudo/freud-jung-e-a-carta-aos-colossenses