terça-feira, 27 de dezembro de 2016

As mulheres na vida de Jesus



Por *Morf Morford


Jesus parece ter tido suas mais produtivas e satisfatórias conversas com mulheres anônimas, isoladas, estigmatizadas e vulneráveis.

Há a “mulher adúltera” (João 8:1-11) e, claro, “a mulher junto ao poço”.

Ambas eram o tipo de pessoa com quem nenhum Rabi respeitável conversaria – e com quem nenhum homem de qualquer status gostaria de ser visto. Além disso, certamente nenhum homem tocaria em uma mulher estranha – principalmente uma considerada “impura” (no caso, a mulher com hemorragia).

A mulher junto ao poço, além de ser mulher, rejeitada por seu próprio povo, e de ter se casado diversas vezes, também era uma samaritana – e como todos sabem, “judeus não se dão bem com os samaritanos” (João 4:9 NVI).

A conversa de Jesus com a mulher no poço é tão satisfatória que Jesus diz uma das mais impressionantes linhas do Novo Testamento: “Tenho algo para comer que vocês não conhecem” (João 4:32 NVI).

Essa mulher, por sua vez, é considerada a primeira evangelista – senão missionária. Sua vida, e a vida de praticamente todos naquele povoado, foi transformada para sempre.

É significativo o fato de que o nome de nenhuma dessas mulheres tenha sido mencionado.

Nomear alguém, de acordo com dados históricos, era para pessoas “importantes” – reis, profetas e líderes. Essas mulheres não eram “importantes” – na verdade, elas eram excluídas, rejeitadas, “impuras” ou inúteis. Elas eram formas de interrupção e distração. As conversas de Jesus com elas foram “acidentais” e “involuntárias”. E muito mais frutíferas do que suas discussões com líderes religiosos – e com seus próprios discípulos.

Eu aprendo bastante com encontros não intencionados. mulher corcovada 001

Eu geralmente escuto mais do que falo.

Pessoas desprezadas, perdidas e despedaçadas falam com economia de sabedoria prática – elas conhecem muito bem as decepções e traições do mundo – e mesmo que elas tentem, não conseguem ignorar sua própria complexidade em meio à sua própria degradação.

Diferente delas, a maioria de nós, que vive uma vida consideravelmente confortável, ainda acredita em (e ainda vive por) mentiras contadas pelo mundo – e por nós mesmos.

A maioria dos “cristãos” que eu conheço sente “orgulho” por não “precisar” de ninguém.

E, a maioria deles, quando eu os pressiono, admite livremente que, não fosse pela promessa do Paraíso ou pela ameaça do Inferno, tampouco “necessitaria” de Deus.

Essas mulheres perdidas e abandonadas sabem melhor. Elas sabem que Deus pode, e que Ele vai alcançá-las, tocá-las e restaurá-las. Pessoas “religiosas” raramente “precisam” de Deus – ou mesmo de qualquer graça humana anônima. “Precisar de Deus”, para muitos de nós, é visto como um sinal de fraqueza. E talvez seja. É uma “fraqueza” que nos permite ser tocados, ou sermos aqueles que tocam os feridos, sem esperar nada em troca.


Traduzido de: The Women in Jesus’ Life

*Morf Morford. A fé não é uma fórmula. Eu não usaria nem a palavra “relacionamento” nem a metáfora de “uma jornada” para descreve-la. Quanto mais velho fico, mais me parece com um processo – um foco determinado em ouvir o eterno, calar os ruídos e distrações, e se aproximar cada vez mais de cada sussurro e cada palavra, para perto da completude – e esvaziamento – do pulsar, das mãos e propósitos do Criador que, assim, nos leva finalmente para o lugar onde nós pertencemos. Sou professor e escritor, o que significa que gosto de ouvir e compartilhar o que vejo e escuto.


domingo, 18 de dezembro de 2016

Encorajem uns aos outros




Por Harry Reeder

Estou certo de que em algum lugar e em algum momento os leitores da Tabletalk já ouviram a letra do “hino do Oeste” intitulado Home on the Range. O caubói americano idílico se sentia “em casa na colina” por várias razões. Uma das razões é que era uma casa “onde raramente se ouvia uma palavra desanimadora”, um ambiente doméstico onde as palavras desanimadoras eram raras e as palavras de encorajamentos eram abundantes.

Nosso Senhor espera que seu povo crie ambientes assim não na fantasia de uma canção, mas na realidade da vida: em nossas casas de família e na casa de sua família, a igreja, que é a “família de Deus” (Efésios 2.19). A casa de Deus e as nossas casas devem ser intencionalmente esvaziadas de palavras autocentradas de desânimo e preenchidas de palavras abnegadas destinadas a “consolar” ou “animar uns aos outros” (cf. 1Tessalonicenses 5.11). Mas como isso acontece em um mundo amaldiçoado pelo pecado e cheio de palavras desanimadoras? Como isso acontece na igreja, que está cheia de pecadores salvos pela graça?

Boas casas têm “regras da casa”. A minha casa tinha, mas o mesmo acontece de forma mais incisiva com a casa de Deus. Esta edição da Tabletalk está explorando algumas dessas “regras da casa”: as admoestações do tipo “uns aos outros” da Palavra de Deus para a família de Deus. Essas admoestações não são sugestões de um terapeuta de família. Elas são mandamentos divinos, incluindo o mandamento para “consolar um ao outro”. Claramente, precisamos orar para que o Espírito de Deus nos dê a capacidade e desejo de estabelecer igrejas e relacionamentos onde “raramente se ouve uma palavra desanimadora”, e muitas vezes se ouve uma palavra de encorajamento. Mas palavras de encorajamento não bastam. Elas devem vir unidas a atitudes de encorajamento. Aqui estão dois textos que nos preparam para “encorajar uns aos outros” em palavras e atos.

Encorajar um ao outro com palavras

Em Efésios 4-6, Paulo chama todos os que estão “em Cristo” para “se despojarem do velho homem” e “se revestirem do novo homem”. Em 4.29, ele revela quatro tópicos sobre como preencher nossas casas e igrejas com palavras de encorajamento:

(1) Palavras corretas. O vocabulário é crucial. Em vez de “palavras torpes” que poluem os ouvintes, use palavras “edificantes”, que os ajudem.

(2) Forma correta. Palavras graciosas exigem um tom gracioso ao “sair das nossas bocas”.

(3) Hora correta. “Conforme a necessidade”. Muitas vezes, há coisas para se dizer que precisam realmente ser ditas, não é o momento certo para dizê-las.

(4) Razão correta. “Transmita graça aos que ouvem”. A graça de Deus nos motiva e também nos instrui a falar para a edificação do ouvinte, não para nossa gratificação pessoal.

Incentivar um ao outro com atos

Como podemos realizar atos de encorajamento que amplificam as nossas palavras de encorajamento? Ações eficazes de amor originam e são padronizados após o amor de poupança de pecador de Deus em Cristo. Um texto clássico para instruir e encorajar-nos é Romanos 5: 6 , 8 . Aqui, também, encontramos quatro tópicos:

(1) O amor é ativo e visível. “Deus prova o seu próprio amor para conosco”. O amor de Deus foi visível e demonstrado quando deu o seu Filho para nos dar vida. E o Filho de Deus nos deu a vida por meio de seu sacrifício próprio. Encorajar uns aos outros é amar uns aos outros com atos visíveis.

(2) O amor é intencional e específico. O amor de Deus abriu um caminho, quando não havia nenhum caminho para salvar os pecadores, e esse caminho é Jesus: “Cristo morreu por nós”. O povo de Deus não pratica “atos aleatórios de bondade”. Eles fazem atos intencionais de amor que transformam vidas.

(3) O amor é sacrificial e imerecido. Ações visíveis e intencionais de amor também são custosas e imerecidas. Deus deu seu Filho. O Filho de Deus deu sua vida como propiciação por todos os pecados de todo o seu povo. Ele “morreu por nós”. Precisávamos dele, mas não o queríamos; ele não precisava de nós, mas nos queria. O amor imerecido de Deus mandou o Filho de Deus que se entregou por nós para nos salvar. Como resultado, quando amamos, pensamos nas necessidades dos outros acima das nossas próprias necessidades.

(4) O amor é oportuno e preocupado. “Cristo morreu a seu tempo pelos ímpios”. Atos encorajadores de amor são oportunos porque aqueles que gastam tempo para amar também gastam tempo para amar com consideração. Mesmo ao abordar o pecado nas vidas uns dos outros, nós cuidadosamente buscamos ganhar uns aos outros pelo Senhor e para o Senhor.

Quando o povo de Deus amorosamente “encoraja um ao outro” com palavras e atos que exaltam a Cristo, a mensagem do evangelho não é apenas esclarecida, mas amplificada. Ainda mais profundamente, Deus é glorificado quando sua família tem uma casa “onde raramente se ouve uma palavra desanimadora”.


Tradução: João Paulo Aragão da Guia Oliveira. Revisão: Yago Martins. © 2016 Ministério Fiel. Todos os direitos reservados. Website: MinisterioFiel.com.brOriginal:  Encorajem uns aos outros

Fonte: http://voltemosaoevangelho.com/blog/2016/12/encorajem-uns-aos-outros/

domingo, 11 de dezembro de 2016

DEVOCIONAL - 30 de Novembro de 2016.

Por TEOMANIA Santos


Procuras tu grandezas? Não as procures; porque eis que trarei mal sobre toda carne, diz o Senhor; a ti, porém, eu te darei a tua vida como despojo, em todo lugar para onde fores. (Jr. 45.5)

Eis uma promessa dada para lugares difíceis, uma promessa de segurança e vida no meio de fortíssima pressão: uma vida "como despojo". Isto pode bem ajustar-se aos nossos tempos, que estão ficando cada vez mais difíceis à medida que nos aproximamos do fim da era, e da hora da Tribulação.
                       
Que significa a "vida como despojo"? Significa uma vida arrancada das garras do destruidor, como Davi arrebatou do leão o cordeirinho. Significa, não o sermos retirados do ruído da batalha e da presença dos inimigos; significa, sim, uma mesa no meio dos inimigos, um abrigo no temporal, uma fortaleza entre os adversários, uma vida preservada no meio de contínua pressão: a preservação de Paulo quando agravado além das forças, ao ponto de perder esperança até da vida; o socorro divino a Paulo — quando o espinho na carne permaneceu, mas o poder de Cristo repousou sobre ele e a graça de Cristo lhe foi suficiente. Senhor, dá-me a minha vida por despojo, e hoje, nos lugares mais difíceis, leva-me em vitória. — Days of Heaven upon Earth

Muitas vezes oramos para sermos livres de calamidades; e até cremos que o seremos. Mas não oramos para sermos feitos o que devemos ser na própria presença das calamidades; viver no meio delas, enquanto durarem, na consciência de que estamos seguros e abrigados pelo Senhor; e de que poderemos, assim, permanecer no meio delas enquanto continuarem, sem que nos façam mal.

Por quarenta dias e quarenta noites o Salvador foi guardado ante a presença de Satanás no deserto, e isso, sob circunstâncias de grande provação, uma vez que Sua natureza humana estava enfraquecida pela falta de alimento e descanso. A fornalha estava aquecida sete vezes mais do que o comum, mas os três hebreus foram guardados no meio das chamas, tão calmos e bem postos como quando na presença do próprio rei antes que lhes viesse a libertação.

A longa noite de Daniel foi assentar-se ele entre os leões. E quando foi retirado da cova, "nenhum dano se achou nele, porque crera no seu Deus". Eles habitaram ante a face do inimigo, porque habitavam na presença de Deus.




Fonte: http://teomania.blogspot.com.br/2016/11/devocional-30-de-novembro-de-2016.html        

domingo, 4 de dezembro de 2016

Queda



Por Pedro João Costa


Queda, é nossa condição
como homens.
Estamos tão afastados
do Criador
que vemos a gravidade
da perdição humana em tudo.

Inclusive,
e é a isto que quero
referir,
em que tipo de amigos
somos em nossas relações.
Então vemos que nem virtudes
para a amizade possuímos.

Sim, o amigo
que consigo ser,
se é q tenho conseguido,
é certo que é
pela misericórdia divina.

Cumpre se o dito:
Amigo assim...
dispensa ter inimigo.
Assim,
Vemos Deus orientar Jó
A orar por "seus amigos"...


Pedro João Costa (08-05-13): Colaborador deste blog desde 2010.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Entre o medo e a fé



Por Ricardo Wesley Morais Borges


“Devo minha vida a Cristo e ao evangelho. Minha maneira de expressar minha gratidão é testemunhar a minha fé por meio da representação de cenas bíblicas”.

Essas são as palavras de quem possivelmente foi o artista cristão mais importante do Japão, Sadao Watanabe (1913-1996) convertido do budismo ao cristianismo aos 17 anos de idade. Através de seu interesse em preservar a tradicional arte popular japonesa, suas obras são um belo testemunho de sua fé, agora expostas em museus importantes ao redor do mundo. Antes da fama, porém, que só veio após a sua morte, sua paixão era fazer de tudo para que alguns, em especial a gente de sua própria terra e cultura, pudessem chegar de alguma maneira à fé e à salvação.

Uma cena que ele pintou várias vezes é a representação de Cristo no barco com seus discípulos, em meio à tempestade1. Nessa narrativa, depois de muito ensinar em parábolas e cansados ao final do dia, Jesus e os discípulos decidem subir a um barco em direção ao outro lado do lago, no mar da Galileia.

Quatro deles eram pescadores, sendo que Tiago e João eram experientes em manejar barcos nesse lago. Jesus, cansado, dorme no que parece ser o assento do capitão. Então uma terrível tempestade lhes alcança. Ventos fortes, ondas altas, água no barco. Tudo indica que primeiro eles tentam resolver a situação com suas próprias forças e recursos.

Junto a esse esforço, também a aflição: Por que Jesus está ‘ausente’? Por que ele não controla a situação? Por que está em silêncio? Por que dorme? Ele não se importa que morramos? Medo da morte, mas talvez um medo ainda mais profundo de que Jesus não se importasse ou não se interessasse por eles.

Em seguida Jesus demonstra poder sobre as forças da natureza. Ele não tira a água do barco nem busca acalmá-los. Ele atua – na visão dos discípulos – aparentemente tarde, para mudar a situação. Logo vem sua dura pergunta: ‘Por que têm medo? Ainda não têm fé?’.

Uma observação: o oposto da fé aqui não é a dúvida, mas o medo. Claro que a dúvida e o medo muitas vezes estão conectados. Mas a dúvida usualmente é mais racional, demanda uma evidência, uma prova. O medo por vezes é irracional, nem se explica. O medo também costuma nos paralisar, nos impede de conseguir ver com clareza, engessa e dificulta que nos movamos em direção à saída de qualquer situação.

Aqui Jesus os confrontou por causa de seu medo. Curiosamente, eles continuaram com o mesmo sentimento, mas agora com medo (ou, na melhor das hipóteses, um temor reverente) de Jesus. A passagem termina com um fascinante ‘que homem é este?’. Para responder a essa pergunta, talvez seja importante examinar os relatos que aparecem na seção imediatamente anterior: em como ouvimos ou percebemos a Jesus.

Vemos que Jesus diz muitas coisas antes do episódio do barco na tormenta. Ele usava parábolas para ensinar, enfatizando o “escutem!”2 e também repetia que “se vocês têm ouvidos para ouvir, então ouçam”3. Quando a multidão foi embora, as pessoas que ficaram ali começaram, junto com os doze discípulos, a lhe fazer perguntas sobre as parábolas. Foi quando Jesus revelou que a atitude curiosa e instigadora de seguir perguntando estava relacionada com o entendimento das verdades do Reino4. Concluiu que somos responsáveis com tudo o que ouvimos e recebemos de Deus5.

Ouvir e entendimento só vem com interesse, com compromisso, através do relacionar-se e do confiar naquele que nos fala. Lesslie Newbigin já nos recordava como isso é essencial à nossa fé: receber com confiança aquilo que nos é dado com autoridade. Somente os interessados, os que buscam, apenas esses que entram em uma relação pessoal com o Senhor, de busca, de interesse em suas palavras, no que ele tem para nos dizer, e dispostos a colocar isso em prática (a lamparina que cumpre o seu uso, o seu propósito), são esses os que entenderão, que melhor captarão as verdades do Reino.

Parece que faltou aos discípulos no barco entender e relacionar-se com o que fala mas parece estar em silêncio, como nas muitas ilustrações do Cristo Pantocrator, talvez a mais antiga representação de Cristo na história da igreja cristã, o soberano e severo, com uma mão estendida para abençoar e com a Palavra na outra. Algo tão especial e profundo que merece outra reflexão em momento oportuno.

Por agora, no meio das tormentas de nosso próprio tempo, quando às vezes parece que Jesus está dormindo, em silêncio, ou quando inclusive parece não se importar, me impacta esse desafio que é a pergunta sobre como crescemos e amadurecemos em nossa fé.

Volto então a Sadao Watanabe, com seu desejo de testemunhar de sua fé através da arte, e me pergunto como daremos testemunho de nossa fé em Cristo hoje, em meio a qualquer tempestade. Algumas pistas que encontro são as de:

- Valorizar e trazer para a nossa vida diária o que ele já nos falou em sua Palavra.

- Reconhecer que ele não está calado, pois já se revelou.

- Estar dispostos a escutar, o que também significa obedecer.

- Confiar naquele que é todo-poderoso, que a tudo rege na história.

- Descobrir e relacionar-me com Jesus na Sua Palavra revelada e já entregue à nós.

Só assim sairemos do medo para a fé, da fé para a vida.

1. Marcos 4:35-41
2. Marcos 4:2-3a
3. Marcos 4:9
4. Marcos 4:10-12, 33-34.
5. Marcos 4:21-25


Ricardo Wesley Morais Borges: É casado com Ruth e pai de Ana Júlia e Carolina. Integra o corpo pastoral da Igreja Metodista Livre da Saúde, em São Paulo (SP), e serve como secretário regional associado para a América Latina da Comunidade Internacional de Estudantes Evangélicos (CIEE-IFES)


Fonte: http://www.ultimato.com.br/conteudo/entre-o-medo-e-a-fe

sábado, 26 de novembro de 2016

De nada terei falta

                                          (Google Imagens) 

Por Renan Vinicius Aranha


"O Senhor é o meu pastor; de nada terei falta" (Salmos 23:1 NVI)

O primeiro versículo do Salmo 23 muito provavelmente é a passagem bíblica mais conhecida pelas pessoas, tenham elas a bíblia como guia de fé e prática ou não. Muitas pessoas, inclusive eu, têm este versículo guardado na memória e na ponta da língua, mas talvez nunca tenham refletido sobre a sua profundidade.

Quando Davi diz: "de nada terei falta", ele não se refere necessariamente às riquezas ou aos prazeres que esse mundo nós dá. Ninguém deve seguir Jesus com o intuito exclusivo de alcançar bênçãos terrenas, até mesmo porque Ele nunca disse "siga-me e lhe darei um carro importado para você esfregar na cara do seu vizinho", mas sim "se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me" (Lucas 9:23 NVI).

Certa vez, um amigo seminarista fez a seguinte pergunta durante seu sermão: "se a vontade de Deus para a sua vida é de que você fique pobre, doente e não tenha família ou amigos por perto, ainda assim você o seguiria?".

Tenho entendido que, quando Davi diz "de nada terei falta", ele se refere ao fato de que quando confiamos plenamente em Deus e entregamos a Ele nosso caminho e nosso coração, não sentiremos falta de nada pois o próprio Senhor já nos basta. O seu amor, a sua graça e a sua misericórdia serão suficientes, mesmo que todo o resto nos falte. O próprio salmista escreveu: "Ainda que me abandonem pai e mãe, o Senhor me acolherá" (Salmo 27:10 NVI). Tempos depois o Senhor disse a Paulo: "A minha graça te basta" (2 Coríntios 2:12 NVI).

Você pode pensando neste momento: "falar é fácil, quero ver colocar em prática". Se é isto que você estava pensando, preciso dizer que concordo contigo. Colocar isso em prática não é só difícil, mas talvez impossível. Impossível para nós, humanos, mas não para o santo espírito de Deus que habita em nossos corações.

Talvez um dos maiores desafios dos seguidores de Cristo está justamente aí, no "negue-se a si mesmo". Como é difícil renunciar aos nossos planos e sonhos! Como é difícil abrir mãos dos nossos desejos e vontades! Como é difícil entender que, por mais que tentemos, não estamos no controle da situação! Por outro lado, como é maravilhoso quando conseguimos entregar a nossa vida e os nossos sonhos a Deus. Como é maravilhoso quando aprendemos a ter prazer em cumprir sua vontade, que é boa, perfeita e agradável (Romanos 12:2 NVI)!

Fato é que, moremos numa mansão luxuosa ou num barraco, estejamos na beira da praia ou num quarto de hospital, se temos o Senhor em nossos corações e estamos debaixo da vontade dEle, nada mais importa. Como aquele mesmo amigo seminarista diz, nossos problemas terrenos, por maiores que pareçam, deixam de ter qualquer importância quando pensamos na eternidade.

Por isso, "ponha a sua vida nas mãos do Senhor, confie nele, e ele o ajudará" (Salmos 37:5 NTLH). Confie no Senhor que "me faz descansar em pastos verdes e me leva a águas tranquilas" (Salmos 23:2 NTLH). Peça a Deus que "seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu, porque Teu é o Reino, o poder e a glória para sempre" (Mateus 6:10,13 NVI).

"Que a sua felicidade esteja no Senhor!" (Salmos 37:4 NTLH).


segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Instruam uns aos outros



Por Brian Cosby


Quando você ouve a palavra “instrução” mencionada no contexto da igreja, provavelmente pensa no(s) pastor(es) ou presbítero(s) em sua congregação, e você está certo em fazê-lo. Um presbítero deve ser “apto para ensinar” (1Timóteo 3.2). As Escrituras nos ensinam que o presbítero deve ser “apegado à palavra fiel, que é segundo a doutrina, de modo que tenha poder [...] para exortar pelo reto ensino” (Tito 1.9).

Mas a Bíblia também ensina que todos os crentes devem instruir uns aos outros. Em Romanos 15.14, Paulo escreve: “E certo estou, meus irmãos, sim, eu mesmo, a vosso respeito, de que estais possuídos de bondade, cheios de todo o conhecimento, aptos para vos admoestardes uns aos outros”. Semelhantemente, ele exorta os colossenses: “Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria” (3.16).

Temos o registro de numerosos crentes no Novo Testamento que instruíram outros, mesmo não sendo pastores ou presbíteros. Por exemplo, Estêvão, o diácono, deu instruções que lhe custaram caro aos líderes judeus incrédulos sobre Jesus (Atos 7). Filipe (também um diácono) instruiu o eunuco etíope sobre o significado de Isaías 53 e, em seguida, “evangelizava em todas as cidades até chegar a Cesareia” (Atos 8.26-40). Priscila e Áquila, marido e mulher, tomaram a Apolo e “com mais exatidão, lhe expuseram o caminho de Deus” (18.26). O Apóstolo Paulo encarregou homens e mulheres mais velhos de instruir os homens e mulheres mais jovens, respectivamente (Tito 2.1-6). Além disso, ele ordenou aos pais que instruam seus filhos (Efésios 6.4).

Todo crente é chamado para que “fale cada um a verdade com o seu próximo” (Efésios 4.25), e ainda: “exortai-vos mutuamente cada dia” (Hebreus 3.13). Isso não significa que todos são chamados a exercer o cargo de presbítero ou diácono. Deus reservou esses ofícios para os homens que atendam às qualificações bíblicas (ver Atos 6.3; 1Timóteo 2.12; 3.1-13; Tito 1.5-9). Mas isso significa que, em qualquer situação que nos encontremos, devemos instruir uns aos outros de acordo com as verdades da Escritura.

As várias palavras gregas que os estudiosos têm traduzido como “instruir” ou palavras similares em nossas versões do Novo Testamento podem significar “ensinar”, “admoestar”, “aconselhar”, “provar” ou mesmo “avisar”. O princípio da “instrução” é bastante amplo. Embora o contexto de cada passagem específica determine seu significado, a ideia de “instrução” inclui uma variedade de palavras e ações que envolvem honrar a Deus, buscar a verdade e viver humildemente.

Considere as três maneiras seguintes nas quais todos os crentes são chamados a instruir uns aos outros: em primeiro lugar, somos chamados a mostrar ao nosso irmão ou irmã o “argueiro” em seu olho, depois, é claro, de reconhecermos primeiro a trave no nosso próprio olho. Isso toma forma quando nós dizemos a “verdade em amor” (Efésios 4.15) ou admoestamos a outros humildemente ao apontar áreas de inconsistência em sua caminhada com Cristo e os alertando sobre potenciais perigos.

Em segundo lugar, podemos ensinar os outros a conhecer e amar a sã doutrina. Em nossos dias, muitos na igreja estão fugindo de um estudo robusto de doutrina para abraçar métodos mais pragmáticos de crescimento cristão. Esse não é o padrão bíblico. Paulo exortou Timóteo a ter cuidado de si mesmo e da doutrina (1Timóteo 4.6). Se você é um líder de pequeno grupo, você deve ir além de ser apenas um facilitador para ser capaz de explicar e defender doutrinas importantes como justificação e santificação. Isto significa que precisamos reservar um tempo para aprender e meditar sobre as verdades da Escritura para que possamos estar adequadamente preparados para ensinar aos outros. Buscar recursos de pastores experientes pode mostrar ser uma grande ajuda para este fim.

Em terceiro lugar, o Senhor ordena seu povo a instruir outros em como cumprir suas vocações para a vida em uma variedade de formas. Os santos mais experientes são chamados a conduzir os crentes mais jovens. As mulheres mais velhas na fé podem ter um ministério eficaz de instruir as esposas e mães mais jovens acerca de como elas podem amar seus maridos e filhos (Tito 2.3-5). Os pais têm o grande privilégio e responsabilidade de educar seus filhos “na disciplina e na admoestação do Senhor” (Efésios 6.4). Em várias épocas e fases da vida, todos nós precisamos da orientação amorosa daqueles que trilharam o caminho antes de nós para nos ensinar a tomar decisões sábias e cumprir fielmente a direção de Deus para nossas vidas.

Como um membro do corpo de Cristo, você recebeu diversos dons para a edificação desse organismo até a maturidade. Em sua amorosa providência, Deus considerou apropriado estabelecer a instrução mútua como um componente integral para este objetivo. Que Deus lhe mostre maneiras em que você pode humilde e diligentemente instruir a outros, para a glória dele, para sua alegria e o benefício de outros crentes.


Brian Cosby: é pastor titular da Wayside Presbyterian Church em Signal Mountain, Tennessee, e autor de Uncensored: Daring to Embrace the Entire Bible.


Tradução: João Paulo Aragão da Guia Oliveira. Revisão: Yago Martins. © 2016 Ministério Fiel. Todos os direitos reservados. Website:  MinisterioFiel.com.br. Original:   Instruam uns aos outros