terça-feira, 28 de junho de 2011

Habitar


"E me farão um santuário, e habitarei no meio deles" Êxodo 25:8. Quando lemos esse texto, tomamos conhecimento de que Deus prometeu que faria do homem a sua própria habitação e é assim que Deus esclarece de que maneira seria essa convivência. O santuário deveria ser apenas um lugar de repouso onde a arca teria que ficar.  Então por isso, nós precisamos dar conta de que a única intenção e vontade de DEUS seria mesmo a de HABITAR EM NÓS. 

Lemos em Isaías 66:1 "Assim diz o Senhor: O céu é o meu trono, e a terra, o estrado dos meus pés; que casa me edificareis vós? E qual é o lugar do meu repouso?". As Escrituras nos revelam a grandeza de Deus e devemos ter o entendimento de que Deus jamais faria de um templo a sua habitação.

No original grego o substantivo casa ou morada é oikos, enquanto o verbo habitar é oikeó. Quando nos referimos à nossa casa, o lugar onde moramos, geralmente estamos dando uma referencia de onde ela se situa. Isto é bem diferente de dizer que eu vivo ali, porque o substantivo casa sugere um lugar fixo, estático. Entretanto, quando usamos o verbo habitar (oikeó), significa que estamos dizendo que eu vivo ali, ou seja, (vivendo em casa).

A queda do homem resultou no seu afastamento da presença de Deus. Mas, o resultado da reconciliação feita em Cristo no Calvário se deu como a única perspectiva redentora. Em Hebreus 9:24, lemos: "Porque Cristo não entrou em santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para comparecer, agora, por nós, diante de Deus." Assim, em Jesus Cristo temos acesso ao Pai e esta é a dinâmica de Deus, que permite que tenhamos comunhão com Deus pelo Espírito Santo que fará sua moradia em nós.

Em I Cor 6:19-20 Paulo disse afirmativamente: "Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo."

Jesus disse a samaritana em João 4:14 "Aquele porém que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna". Nesse texto Jesus afirmou que aquela água seria nela uma fonte a jorrar para a vida eterna, algo inesgotável se a mulher tomasse dela. É desta maneira que Deus deseja vir a nós. Ele quer preparar o nosso interior para fazer ali a sua habitação. Porém, devemos compreender que esta moradia deverá ser em nós uma coisa dinâmica como uma fonte a jorrar e não como alguma coisa que se esgota.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Use a Palavra na Criação de Filhos - Thabiti Anyabwile

Ele estabeleceu um testemunho em Jacó, e instituiu uma lei em Israel, e ordenou a nossos pais que os transmitissem a seus filhos, a fim de que a nova geração os conhecesse, filhos que ainda hão de nascer se levantassem e por sua vez os referissem aos seus descendentes; para que pusessem em Deus a sua confiança e não se esquecessem dos feitos de Deus, mas lhe observassem os mandamentos; e que não fossem, como seus pais, geração obstinada e rebelde, geração de coração inconstante, e cujo espírito não foi fiel a Deus (Salmos 78.5-8).


O Senhor Deus do céu proveu graciosamente sua Palavra (seu "testemunho" e "lei") como uma estratégia e conteúdo fundamental para a criação de filhos (v. 5). Ele "ordenou a nossos pais que os transmitissem a seus filhos". Vemos o mesmo propósito em Deuteronômio 6.

Por que Deus manda seu povo ensinar sua Palavra, em vez de alguma outra metodologia ou assunto, para instruir a descendência piedosa que ele promete (Ml 2.15)? Por que não vídeo games? Por que não escolas públicas ou particulares? Por que não a aplicação das últimas descobertas da psicologia, sociologia, teoria educacional ou auto-ajuda? Por que os pais não devem simplesmente delegar isso aos mais bem preparados, mais bem educados, mais bem vestidos e mais requintados?

Parece que Deus designa sua Palavra e, especificamente, a paternidade realizada sob a direção de sua Palavra para cumprirem vários objetivos:

1) Para que gerações de famílias – e não apenas indivíduos – conheçam seu testemunho e sua lei (v. 6). Deus tem uma visão de que nossas famílias conheçam e andem em sua Palavras, de geração em geração. Deus planejou a família como a única instituição que deve levar avante esse propósito que inclui múltiplas gerações. O único conjunto consistente de relacionamentos que alcança as gerações são os relacionamentos de avós-pais-filhos-netos. Timóteo é nosso exemplo: "Pela recordação que guardo de tua fé sem fingimento, a mesma que, primeiramente, habitou em tua avó Lóide e em tua mãe Eunice, e estou certo de que também, em ti... Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus" (2 Timóteo 1.5; 3.14-15).

2) Para que nossos filhos ponham sua confiança em Deus (v. 7a). Como pais cristãos, "temos posto a nossa esperança no Deus vivo, Salvador de todos os homens, especialmente dos fiéis" (1 Tm 4.10). Não temos "maior alegria do que esta, a de ouvir que" nossos "filhos andam na verdade" (3 Jo 4). É a Palavra de Deus que pode tornar nossos filhos sábios para a salvação, por meio da fé em Jesus Cristo. As Escrituras dão testemunho de Cristo e nelas está a vida eterna. Se o alvo de nossa criação de filhos se conforma com o alvo de Deus para a nossa criação de filhos, então devemos usar a Palavra de Deus resoluta e fielmente para incentivar nossos filhos a colocarem sua esperança em Deus. As escolas ensinam nossos filhos a terem esperança na educação. Música e entretenimento ensinam nossos filhos a terem esperança na popularidade e serem "legais". Os gurus de auto-ajuda ensinam nossos filhos a terem esperança em si mesmos. Mas nós proclamamos: alguns confiam em carros, outros, em cavalos, nós, porém, confiamos em o nome do Senhor, nosso Deus! Isso é a chave da paternidade bíblica e da esperança de cada pai e mãe crente. Portanto, devemos ensinar aos nossos filhos a Palavra de Deus em e como nossa paternidade.

3) Para que nossos filhos não esqueçam as obras de Deus (v. 7b). Em Salmos 78.9-10, logo depois da grande afirmação do desejo de Deus nos versículos 5 a 8, a Palavra de Deus nos diz que os efraimitas "não guardaram a aliança de Deus, não quiseram andar na sua lei; esqueceram-se das suas obras e das maravilhas que lhes mostrara". Esquecer a Deus é a coisa mais perigosa na desobediência. Que obras grandiosas Deus havia realizado na criação e libertação! É uma coisa surpreendente que essa Realidade fosse esquecida! Mas nós esquecemos. Nossos filhos esquecem. Retemos coisas triviais (brincadeiras favoritas, listas de compras, etc.), enquanto temos pensamentos vagos sobre Deus. Nosso esquecimento é nossa reversão pecaminosa à bestialidade. Mas nossa lembrança é nosso esforço ativo em direção à piedade. Lembrar é uma obra capacitada e impulsionada pela graça de Deus, por meio de sua Palavra. Se nossos filhos devem lembrar-se de Deus, o que ele ordena e deseja, eles precisam manter os registros da obra e da pessoa de Deus gravados em sua mente. Portanto, devemos exercer a paternidade pelo ensino das Escrituras Sagradas aos nossos filhos, para que eles não esqueçam.

4) Para que nossos filhos guardem os mandamentos de Deus (v. 7c). A Bíblia mantém uma forte conexão entre o lembrar e o obedecer (ver, por exemplo, Dt 8.11-20). Não podemos obedecer o que esquecemos habitualmente. Há uma afirmação óbvia na psicologia organizacional que diz: "O que é medido é feito". Medir auxilia a lembrança, que, por sua vez, impele a realização. Os evangélicos ficam nervosos sempre que a obediência entra na discussão espiritual. Mas não devemos. Tão naturalmente quanto esperamos que nossos filhos nos obedecem, devemos esperar que obedeçam a Deus e exortá-los a isso – não por causa de justiça, mas por causa de amor. Três vezes o Senhor disse aos seus discípulos: "Se me amais, guardareis os meus mandamentos" (Jo 14.15, 21, 23). A obediência é o fruto excelente de um raiz de amor. Havendo ensinado nossos filhos a colocarem sua confiança no Senhor, por meio da fé em Cristo, não ousamos torná-los pequenos antinomianos, negando o lugar do mandamento, da lei e da obediência em seguir o Salvador. Queremos que eles sejam santificados na verdade – a Palavra de Deus é a verdade. Queremos que eles sejam conformados, pela graça de Deus, mediante a fé, à semelhança do Salvador. Precisamente porque o Senhor Jesus Cristo é a nossa santidade (Hb 10.14), queremos que nossos filhos sigam a santidade por meio da fé e da obediência motivadas por graça.

5) Para que nossos filhos não sejam obstinados e rebeldes, e sim firmes e fiéis (v. 8). Oh! que vejamos nossos filhos andando na verdade, e nunca se desviem para a esquerda ou para a direita, nunca tenham um coração frio, nunca sejam tentados pelas canções sedutoras do mundo ou caiam no laço do Diabo! Oramos assim. Mas devemos, também, ensinar a Palavra de Deus com esta esperança e visão de firmeza e fidelidade. A exortação de Hebreus 3.12-14 se aplica muito bem à criação de filhos: "Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo; pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado. Porque nos temos tornado participantes de Cristo, se, de fato, guardarmos firme, até ao fim, a confiança que, desde o princípio, tivemos". Substitua a palavra "irmãos" por "pais" ou substitua "mutuamente" por "filhos", e assim temos ordens para encorajar nossos filhos diariamente na Palavra de Deus.

Que o Senhor nos torne fiéis no ensino de sua Palavra aos filhos que ele confiou ao nosso cuidado. A Palavra de Deus não volta vazia. Creiamos nela e a usemos no criar os nossos filhos!

Thaibiti Anyabwile – é o pastor da Primeira Igreja Batista, nas Ilhas Grand Cayman. Ele possui bacharelado e mestrado em psicologia obtidos na North Carolina State University. Serviu como pastor assistente na Capitol Hill Baptist Church, em Washington D.C. Thabiti tem sido convidado como preletor em diversas conferências e seminários nos Estados Unidos e em outros países, é autor de artigos teológicos e livros, um deles, "O que é um membro de Igreja Saudável?", está no prelo pela Editora Fiel. Ele e sua esposa, Kristie, têm três filhos. 

Traduzido por: Wellington Ferreira

Copyright© Thabiti Anyabwile 2011
Copyright© Editora Fiel 2011
Traduzido do original em inglês: Use the Word in your Parenting – Extraído do Blog The Gospel Coalition.

Fonte: http://www.editorafiel.com.br/artigos_detalhes.php?id=363 

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Por que a Graça é bem Sucedida? Abraham Booth (1734-1806)


A graça é bem sucedida devido Cristo ser quem é

Nossa salvação é perfeitíssima, porque Jesus Cristo é singularíssimo. Precisamos prestar cuidadosa atenção para compreender Suas naturezas. Cristo tinha duas naturezas, ainda que fosse uma só pessoa. Ele era Deus e homem. O fato dEle ser único neste sentido, é a razão por que a redenção que Ele obteve e oferece gratuitamente é perfeitíssima.

Ele tinha que ser verdadeiro homem. Originalmente a lei de Deus foi dada para os seres humanos a obedecerem, assim alguém poderia mostrar que uma pessoa seria capaz de cumpri-la com sucesso. Adão fracassou. Cristo, porém, foi bem sucedido. Ele nunca falhou em agradar ao Seu Pai. E o cumprimento da lei por Cristo foi aceitável porque Ele era verdadeiro homem. Se Ele fosse um anjo, não teria sido provado que um homem poderia cumprir a lei de Deus. Foi Adão — um homem — que pecou. Por isso, Cristo — um homem — precisava agora oferecer completa obediência. Além disso, a natureza humana de Cristo precisava estar ligada à natureza de nossos primeiros pais. Não seria adequado, se Sua natureza humana fosse repentinamente criada a partir do nada, porque, então, Ele não estaria ligado àqueles a quem veio salvar. O direito de redenção pertence somente a um parente próximo (Lev. 25:48-49).

Por outro lado, é igualmente importante que Sua natureza humana estivesse livre do pecado. Se Ele tivesse sido maculado, mesmo no mínimo grau, pela pecaminosidade que herdamos, então Ele não teria podido guardar a lei de Deus, como também nós não podemos. Como Deus é sábio! Não obstante ter sido necessário ao Salvador nascer de uma mulher, Ele foi concebido de tal maneira que ficou livre da culpa de Adão (Mat. 1:20). Cristo tomou aquela natureza pela qual veio o pecado (em Adão) sem qualquer pecaminosidade inerente nessa natureza.

Era também absolutamente necessário que o Salvador fosse Deus tanto quanto homem. Nós humanos temos de obedecer a Deus, porque dependemos dEle para tudo. Assim, nossa necessidade de obedecer decorre de nossa dependência. Desde que somos totalmente dependentes dEle, precisamos ser totalmente obedientes a Ele. Parte alguma de nós é independente de Deus e, portanto, disponível para obedecer a Deus no interesse de outrem. Toda nossa obediência deve ser apenas em nosso favor. Somente uma pessoa sem necessidade de obedecer a Deus por causa de si mesma, pode obedecer a Deus em favor de outros. Portanto, nosso Salvador deve ser Deus e não dependente de Deus como nós. Só uma pessoa divina que não seja dependente de qualquer outra pessoa, pode praticar atos de obediência desnecessários para ela mesma, e por isso disponíveis em favor de outros.

O pecado é um dano infinito. A maldade de qualquer ato mau é medida pela importância da lei que ele quebra. E a importância de qualquer lei está em proporção com a delicadeza e o status da pessoa que a formula. Portanto, desde que Deus possui beleza infinita, status e autoridade, Suas leis são de importância infinita e devemos obedecê-las inteiramente. Nossa desobediência é infinitamente criminosa. Consequentemente, nosso pecado merece punição infinita. Assim, quem seria capaz de suportar o peso de uma ira infinitamente divina sobre pecados infinitamente perversos, a não ser um Salvador infinitamente divino? Jesus precisa ser Deus tanto quanto homem, para ser um Salvador adequado. E, finalmente, nosso Salvador precisa ser Deus e homem ao mesmo tempo. Ele é o mediador entre Deus e o homem, entre o Soberano ofendido e o pecador ofensor. Se Jesus fosse apenas divino, Ele não poderia representar o povo. Se Jesus fosse apenas homem, não poderia interceder junto a Deus. Só a condição de deidade estaria alta demais para os seres humanos; só a condição de humanidade estaria baixa demais para Deus. Jesus precisava reunir as duas condições simultaneamente para ser a pessoa intermediária, ligando Deus e os seres humanos.

Para cumprir Seus deveres de sacerdote, profeta e rei, Jesus precisava ser tanto Deus como homem.

1. Como sacerdote, Ele precisava ter algo a oferecer (Heb. 8:3). Mas, apenas como divino Ele não teria coisa alguma a oferecer a Deus. Cristo, portanto, teria de ser um homem a fim de possuir uma perfeita humanidade para oferecer. Entretanto, como mero homem, Ele não teria autoridade para dar a Sua vida e tornar a tomá-la. Cristo, portanto, para ter essa autoridade, precisava ser Deus. Ele morreu por causa da pecaminosidade infinita e, por isso, o oferecimento de Sua humanidade deve ter status infinito para ser adequada. Esse status só podia proceder de Sua divindade.

2.      Como profeta, Ele precisava ser Deus para poder conhecer a mente de Deus e compreender a diversidade daqueles que, em cada época e nação, necessitariam do Seu ensino. Todavia a fim de revelar a vontade de Deus em Sua vida por modos compreen¬síveis aos homens, Ele precisava ser homem.

3.      Como rei, Cristo precisava ser Deus para tornar-Se o Senhor de nossas consciências, o Cabeça da Igreja, o Doador da vida eterna aos Seus seguidores e o Juiz de todos. Contudo, Ele necessitava também de ser homem porque, sem essa condição, Ele não podia ser o Cabeça da mesma natureza do corpo ao qual está unido, nem compadecer-Se dos Seus súditos, como Ele fez — e faz.

Podemos, portanto, ter a mais plena convicção na excelência da obra de Cristo como Redentor, porque Ele está excelentemente equipado para essa tarefa pela Sua pessoa singular com duas naturezas. A salvação que um tal excelente Salvador oferece graciosamente, deve ser a melhor que pode haver. A graça reina!

Diante de tudo isso, que o leitor admire e adore o amor e a sabedoria de Deus! E que ele note quão sério é negar que Cristo é verdadeiramente Deus ou que é verdadeiramente homem. Ambas as negações destroem a Sua excelência como verdadeiro Mediador entre Deus e os crentes. Tanto a deidade como a humanidade de Cristo são essenciais à correta compreensão de toda a Sua obra salvadora.

Oxalá os pecadores corressem para esse Salvador tão adequado! Confiem nEle como poderoso para salvar; olhem para Ele para receberem instrução na verdade; esperem Sua proteção como Rei; rendam obediência a Ele; cultuem-nO, pois Ele é sobre todos, Deus bendito para sempre. Pela Sua excelência, a excelência da graça de Deus é revelada. 

terça-feira, 31 de maio de 2011

A Coluna para nossa Fé – Thomas Watson (1620-1686)


A verdade de Deus é uma grande coluna para a nossa fé. Se ele não fosse um Deus da verdade, como poderíamos crer nele? Nossa fé foi concebida, mas ele é a própria verdade e nenhuma palavra que falou pode cair por terra. "A verdade é o objeto da confiança." A verdade de Deus é uma pedra irremovível na qual podemos arriscar nossa salvação (Is 59.15).

"A verdade falha." A verdade na terra falha, mas não a verdade no céu. Assim como Deus pode cessar de ser Deus, sua verdade pode cessar de ser verdade. Deus disse coisas como: "Bom é o SENHOR para os que esperam por ele" (Lm 3.25), e "eu vos aliviarei" (Mt 11.28). Aqui está uma âncora segura em que se pode confiar, ele não mudará qualquer coisa que saiu de seus lábios. A fé celestial publicada é enfocada para os crentes. Podemos ter melhor segurança? Toda a terra se sustenta na Palavra do poder de Deus, nossa fé não deveria se sustentar na Palavra da verdade de Deus? Onde mais poderíamos depositar nossa fé, a não ser sobre a fidelidade de Deus? Não há mais nada para se crer a não ser na verdade de Deus. Confiar em nós mesmos é construir sobre areia movediça, mas a verdade de Deus é uma coluna de ouro na qual a fé pode se apoiar. Deus não pode negar a si mesmo: "se somos infiéis, ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo" (2Tm 2.13). Não crer na veracidade de Deus é afrontá-lo. "Aquele que não dá crédito a Deus o faz mentiroso" (1 Jo 5.10). Uma pessoa honrada não pode ser mais afrontada ou provocada do que quando não crêem nela. Quem nega a verdade de Deus faz da sua promessa uma falsidade. Pode haver maior afronta para com Deus?

Segunda aplicação: se Deus é um Deus da verdade, é verdadeiro para com suas ameaças. Suas ameaças são um rolo compressor contra os pecadores. Deus ameaçou partir "a cabeça dos seus inimigos e o cabeludo crânio do que anda nos seus próprios delitos" (SI 68.21). Ele ameaçou julgar os adúlteros (Hb 13.4). Ameaçou vingança sobre o malicioso (SI 10.14). "Fará chover sobre os perversos brasas de fogo e enxofre, e vento abrasador será parte do seu cálice" (SI 11.6). Deus é tão verdadeiro em relação às suas ameaças quanto às suas promessas. Para mostrar sua verdade, executou suas ameaças e permitiu que seus raios de julgamento caíssem sobre os pecadores nesta vida. Ele golpeou Herodes no ato de seu orgulho. Ele puniu blasfemadores. Olímpio, um bispo ariano, reprovou e blasfemou contra a Trindade santa e imediatamente um raio caiu do céu sobre ele e o consumiu. Temamos as ameaças, que não as soframos.

Deus é um Deus da verdade? Sejamos como Deus.

1. Devemos ser verdadeiros em nossas palavras. Quando Pitágoras54
foi questionado sobre o que poderia tornar os homens semelhantes a Deus, ele respondeu: "quando falam a verdade, se assemelham a Deus". Um homem que irá para o céu tem a seguinte característica: "De coração, fala a verdade" (SI 15.2).

i. A verdade em palavras é oposta a mentir. "Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo" (Ef 4.25). Mentir é falar algo em lugar da verdade quando se sabe que é uma falsidade. O mentiroso se opõe muito a Deus.

Há, como diz Agostinho, dois tipos de mentira. Uma mentira oficiosa, quando um homem diz uma mentira para seu lucro; como, quando um negociante diz que seu produto custou tanto, quando talvez não lhe custasse nem a metade. Aquele que mente em seu negócio, mentirá no inferno. Uma mentira de chacota, quando alguém diz uma mentira por prazer, para alegrar os outros. Esse irá sorrindo para o inferno.

"[O diabo] é mentiroso e pai da mentira" (Jo 8.44). Ele enganou nossos primeiros pais com uma mentira. Alguns são tão ímpios que não somente falam uma mentira, mas juram por ela. Esses lançarão uma maldição sobre si mesmos se esta inverdade não for verdade. Li a história de uma mulher, Arme Avarie, que em 1575, quando estava numa loja, jurou que havia pagado as mercadorias que pegou sob pena de, caso contrário, sofrer a morte. Ela caiu no chão sem fala imediatamente e morreu.

Não é apropriado que um mentiroso viva em comunidade. A mentira faz perder toda a sociedade e opõe os homens. Como se pode conversar com alguém quando não se pode acreditar no que diz? A mentira deixa o homem fora do céu. "Fora ficam os cães... e todo aquele que ama e pratica a mentira" (Ap 22.15). Mentir é um grande pecado, pior ainda é ensinar uma mentira. "O profeta que ensina a mentira é a cauda" (Is 9.15). Quem amplia o erro ensina mentiras, espalha a praga, não somente prejudica a si mesmo, mas ajuda a prejudicar os outros.

ii. A verdade em palavras é oposta ao fingimento. O coração e a língua devem caminhar juntos, assim como a sombra no relógio solar. Falar bem para alguém sem sinceridade não é melhor que uma mentira. "Suas palavras eram mais brandas que o azeite; contudo, eram espadas desembainhadas" (SI 55.21). Alguns têm a arte de bajular e de odiar. Jerônimo, falando sobre os arianos, diz: "Eles fingiram amizade, beijaram minhas mãos, mas planejaram ciladas contra mim". "O homem que lisonjeia a seu próximo, arma-lhe uma rede aos passos" (Pv 29.5). Veneno cruel pode ser escondido sob doce mel. Falsidade na amizade é uma mentira. Falsificar uma amizade é pior que falsificar dinheiro.

2. Devemos ser verdadeiros em nossa profissão de fé. Que as ações combinem com as palavras. "E vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade" (Ef 4.24). Hipocrisia na religião é uma mentira. O hipócrita é como uma face num espelho, vê-se a face, mas não a verdadeira. Mostra santidade, mas não há verdade nela. Efraim fingiu ser quem não era e o que Deus diz dele? "Efraim me cercou por meio de mentiras" (Os 11.12). Por meio de uma mentira em nossas palavras negamos a verdade; por meio de uma mentira em nossa profissão de fé nós a desgraçamos. Não ser para com Deus o que professamos é dizer uma mentira, o que as Escrituras dizem ser blasfêmia. "Conheço... a blasfêmia dos que a si mesmos se declaram judeus e não são" (Ap 2.9). Eu vos rogo que vos empenheis para ser como Deus. Ele é um Deus da verdade. Ele pode tanto desistir de sua deidade quanto de sua verdade. Seja como Deus, seja verdadeiro em suas palavras, seja verdadeiro em sua profissão de fé. Filhos de Deus são filhos que não mentem (Is 63.8). Quando Deus vê "verdade nas partes internas" e "lábios em que não há duplicidade", ele vê a própria imagem, o que atrai seu coração em nossa direção. Semelhança produz amor.

sábado, 21 de maio de 2011

A Palavra Final de Deus


                                                             

Tullian Tchividjian


Nós, cristãos, temos uma tendência notável de focalizar quase exclusivamente o fruto do problema. Fazemos isso como pais ao lidar com nossos filhos; os pastores, com os membros da igreja; os maridos, com sua mulher; e as mulheres, com seu marido. Fazemos isso com nós mesmos. Por outro lado, o evangelho sempre trata das raízes do problema. E a raiz do problema não é o mau comportamento. O mau comportamento é o fruto de algo mais profundo.

Harold Senkbeil identifica corretamente nosso verdadeiro inimigo: a morte. Em outras palavras, os pecados são o fruto de um problema mais profundo, um problema que somente Deus pode resolver. A morte é a raiz do problema.

"Isto parece bom", ela pensou consigo mesma. Aquele fruto lustroso – ele clamava por ser comido, por ser desfrutado. E que experiência ampliadora seria esse desfrute – o conhecimento do bem e do mal, o Poderoso havia dito. Como ele poderia querer menos do que o melhor para os seus?

"Meu marido e eu seremos como o próprio Deus?", ela pensou. "Ora, como isso pode ser tão mau?"

A serpente foi sensata: era muito melhor conhecer o bem e o mal do que conhecer apenas o bem.

"Tome, coma um pouco." Ela passou o fruto suculento para o seu marido. 

"É muito bom. Aliás, Adão, você sabe o que Deus queria dizer com a palavra – eu acho que era – ‘morrer’?"

Todo comportamento pecaminoso – até nos cristãos – tem sua origem na morte que aconteceu no Éden. Tratar do comportamento sem lidar com a morte é perpetuar a morte. Os fariseus eram mestres nisso, e Jesus os chamou de "sepulcros caiados". Muitos de nós, cristãos, somos culpados de cometer esse mesmo erro. Tendemos a pensar no evangelho como o programa de Deus para tornar pessoas ruins em pessoas boas e não para tornar pessoas mortas em pessoas vivas. O fato é que Jesus veio primeiramente para realizar uma ressurreição da morte e não uma reforma moral – como sua própria e ressurreição demonstram.

A seguinte citação foi extraída do excelente artigo de Senkbeil publicado no livro Justified: Modern Reformation Essays on the Doctrine of Justification(Justificado: Ensaios Reformados Modernos Sobre a Doutrina da Justificação):

Muitas pessoas acham que o dilema humano é que nossas vidas estão fora de ajuste; não satisfazemos as expectativas de Deus. Portanto, a salvação se torna um questão de reorganizar nossas prioridades e ajustar nosso estilo de vida para corresponder com a vontade de Deus. Em sua forma mais grosseira, este erro leva as pessoas a pensarem que merecem sua própria salvação. Mais freqüentemente, no mundo evangélico contemporâneo, o erro tem um disfarce mais sutil: armado com perdão por meio de Jesus, as pessoas são instadas a praticar técnicas e princípios que Cristo ensinou para colocarem novamente seu estilo de vida em harmonia.

É verdade que vidas pecaminosas estão fora de ajuste. Todos nós necessitamos do poder santificador do Espírito. Mas isso vem somente depois que nosso verdadeiro problema é resolvido. Os pecados são apenas o sintoma; o nosso verdadeiro dilema é a morte.

Deus advertiu Adão e Eva de que o conhecimento do mal viria a um preço elevado: "No dia em que dela [da árvore do conhecimento do bem e do mal] comeres, certamente morrerás" (Gn 2.17). Nossos primeiros pais quiseram ser como Deus e se mostraram dispostos a pagar o preço. E ainda estamos pagando o preço: "O salário do pecado é a morte" (Rm 6.23); "Em Adão, todos morrem" (1 Co 15.22); "Estando vós mortos nos vossos delitos e pecados" (Ef 2.1).

O verdadeiro problema que enfrentamos é a morte. A morte física, com certeza. Mas, em última análise e mais horrivelmente, a morte espiritual – ser separado de Deus para sempre. E todos têm de morrer. Você pode morrer sozinho ou morrer em Jesus.

Em sua morte, Jesus Cristo absorveu a nossa morte e ressuscitou triunfantemente para remover todo o poder do sepulcro. Na promessa da ressurreição, a morte perde seu poder. Quando morremos com Jesus, nós vivemos realmente!

A santificação consiste da compreensão diária de que em Cristo morremos e de que em Cristo ressuscitamos. Mudança de vida acontece à medida que o coração assimila diariamente a morte e a vida. Reforma diária é o fruto de ressurreição diária. Entender isso de outra maneira (o que sempre fazemos por costume) significa perder o poder e o principal ensino do evangelho. Em seu livro God in the Dock (Deus no Banco dos Réus), C. S. Lewis deixa claro o argumento de que "você não pode conseguir as coisas secundárias por colocá-las em primeiro lugar; você consegue as coisas secundárias somente por colocar as coisas prioritárias em primeiro lugar". O comportamento (bom ou mau) é uma coisa secundária.

Em nossos dias, espera-se que os pregadores sejam especialistas em "renovação moral cristã". Espera-se que eles ofereçam listas de "faça isto", em vez de anunciarem: "Está consumado". Espera-se que eles façam alguma outra coisa "mais do que" expor aos olhos de suas congregações a obra consumada de Cristo, pregando uma absolvição total baseada tão-somente na justiça completa de Outro. Evidentemente, a ironia é que a renovação moral não acontece mesmo quando os pregadores seguem essa pressão. Focalizar-me no como estou fazendo mais do que naquilo que Cristo fez é narcisismo cristão (um oximoro, se já ouvi um oximoro) – o veneno da auto-absorção que destrói o poder do evangelho em nossa vida. Marinho Lutero comentou que "o pecado que está por trás de todos os nossos pecados é a mentira da serpente de que não podemos confiar no amor e na graça de Cristo e de que temos de tomar as questões em nossas próprias mãos".

Em outras palavras, a renovação moral é refocalizar nossos olhos, removendo-os de nós mesmos e fixando-os na obediência daquele Homem, na cruz daquele Homem, no sangue daquele Homem – na morte e na ressurreição daquele Homem!

"Em meu lugar, condenado ele foi e com seu sangue meu perdão selou – aleluia! Que Salvador!"

Aprender a amar diariamente esta troca gloriosa, descansar em sua completude e viver sob a sua bandeira é o que significa ser moralmente reformado!


William Graham Tullian Tchividjian é o pastor da Igreja Presbiteriana Coral Ridge em Ft. Lauderdale, Florida. É professor visitante de Teologia no Reformed Theological Seminary e neto do conhecido pregador e evangelista Billy Graham. É formado em filosofia pela Universidade de Columbia e obteve seu M.Div pelo Reformed Theological Seminary. Tullian é autor de vários livros e contribui como um dos editors do jornal Leadership Journal. Ele é preletor em diversas conferência teológicas nos EUA e faz um programa de rádio, com meditações e pregações. É casado com Kim, com quem tem três filhos Gabe, Nate, e Genna.

Traduzido por: Wellington Ferreira
Copyright©2011 Tullian Tchividjian
Copyright©2011Editora Fiel
Traduzido do original em inglês: God’s Final Word – Extraído do Blog The Gospel Coalition.

domingo, 15 de maio de 2011

O Mel ainda está na Flor – John Owen (1616 – 1683)


O Pai nos amou, e "nos escolheu antes da fundação do mundo", mas na dispensação desse amor  Ele "nos abençoou  com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais   em Cristo" (Ef. 1:3,4)

De seu amor, verte  ou derrama o Espírito Santo sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, (Tit. 3:6).  No derramar do seu amor não há uma gota que caia sobre nós além ou fora  do Senhor Jesus Cristo.

O azeite da santa unção era todo derramado sobre a cabeça de Arão, (Sl. 133:2), e daí caía sobre a orla da sua roupa. O amor é primeiramente derramado sobre Cristo, e dEle o amor cai como o orvalho do Hermon para as almas dos seus santos.

O pai deseja que Ele (Cristo) tenha "em todas as coisas a preeminência" (Colossenses 1:18), " Porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse,", (versículo 19), que " e todos nós recebemos também da sua plenitude, e graça por graça.,"(João 1:16).

Embora o propósito do amor  do Pai e Sua  boa vontade ter  origem e fundamento na Sua soberana graça, o desígnio da sua realização está somente em Cristo.Todos os seus frutos são dados primeiro a Ele, e é nEle somente que o amor é dispensado a nós.

Assim que, embora os santos possam ver um oceano infinito de amor por eles no seio do Pai, não podem usufruir de uma única gota dele (desse amor) a não ser a que flui através de Cristo.

Ele é o único meio de comunicação. O amor do Pai é como o mel que ainda está na flor; deve ser removido dela antes que possamos prová-lo. Cristo deve extrair e preparar este mel para nós. Ele extrai essa água da fonte através da união e dispensação da Sua plenitude, (que pela fé nós temos) a partir das fontes de salvação que estão nEle.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Cremos na Vocação Soberana? - Josemar Bessa
















O homem natural tem muitas obsessões, coisas sem as quais a vida pareceria completamente vazia e sem graça. A palavra obsessão não é forte demais para mostrar aquilo que prende os homens irregenerados ao  mundo: “...para que não andeis mais como  andam também os outros gentios, na vaidade do seu sentido, entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração; os quais havendo perdido todo o sentimento, se entregaram à dissolução, para com avidez cometerem toda a impureza”  (Ef 4.17-19)

Você acha o Apóstolo Paulo exagerado ao descrever nossa sociedade. Você acha ele duro demais, condenador, com uma visão deficiente? Espero que não, mas isso coloca as pessoas não regenerados num ponto onde independente do que possamos fazer ou usar serem libertas e trazidas para o Reino de Deus.

Senão vejamos: 

1)    Andando na vaidade dos seus sentidos

2)    Entenebrecidos no entendimento.

3)    Separados da vida de Deus pela ignorância que há neles

4)    Pela dureza do seu coração

5)    Os quais perderam todo o sentimento.

6)    Se entregam a dissolução. 

7)    Para não só cometer – mas com avidez cometerem toda a impureza.

É um caso sem esperança. Achar que podemos usar exatamente a ‘cultura’ de homens assim, nascida de homens assim, como instrumento de uma transformação tão grande – é o mesmo que ter a estratégia de usar o peteleco contra as bombas atômicas.

Essas estratégias não podem criar sequer um mosquito – que dirá uma nova vida que irá se tornar a imagem do Filho de Deus. Nem fornecer ajuda – pois ela é inútil – seria como beliscar um cadáver tentando ajudar a ressuscitá-lo.

O homem pode reagir bem a qualquer coisa que não seja necessário ter uma nova vida para apreciar. Sua própria cultura, por exemplo. Não podemos começar na carne, não podemos aperfeiçoar na carne, não podemos nada.

O homem irregenerado tem em si uma ignorância que não é intelectual – não bastará informações morais enquanto os bajulamos com sua cultura. A ignorância deles está nas profundezas da personalidade, é o que Paulo está ensinando – A única palavra para eles é “importa-vos nascer de novo” – A ignorância descrita por Paulo está neles e os domina completamente. Não se resolve usando suas paixões para tentar infundir informações. O que a Bíblia ensina é que a ignorância do homem natural é uma ignorância invencível seja quais meios que você venha a usar. E por que é assim? Por que estão ‘entenebrecidos no entendimento?” – Porque estão “separados da vida de Deus” – Não precisam de boas estratégias humanas, não precisam de mostrarmos a eles que podem ter as mesmas coisas só que com Jesus – PRECISAM DE UM MILAGRE.  Eles podem gostar da música que já gostam, do linguajar que já gostam, do estilo de vida que já gostam...  mas nenhuma estratégia os fará ver e ter todas essas coisas como esterco comparado a conhecer a Cristo.

No verdadeiro chamado do Reino de Deus (Feito pelo Espírito – sem estratégias humanas – Eficazmente – TODAS as outras obsessões terminam e passa haver uma única OBSESSÃO! Só há lugar para uma obsessão – a obsessão do Reino de Deus – Todo resto que pode ser perdido, não passa de esterco. Usando a cultura do mundo você não levará as pessoas verem as coisas do mundo assim em relação a conhecer Cristo. Quem não cera num evangelho que se adapte ao seu deleite na cultura humana? Ninguém precisa do poder regenerador do Espírito Santo para amar e desejar isso – O evangelho passa a ser resumido em simplesmente somar Jesus a tudo que eram suas obsessões como homem natural. Obsessões estas que você não pode perder – pela obsessão única do Reino de Deus.

Na Obsessão do Reino de Deus, nem afazeres, compromissos, relacionamentos, cultura... podem ocupar o lugar único do chamado – Essa não são as preocupações dos que foram chamados não por estratégia humana, mas pelo poder eficaz do chamado do Espírito. Esse evangelho diluído na cultura é aceita, mas não transforma. Ele vira um adendo dentro daquilo que realmente satisfaz o coração não regenerado.

Algo é tão caro para alguém que ele não pode deixar para trás? Este não é o coração para a obsessão única dos chamados pelo Espírito – O Reino de Deus. Todas as marcas da nossa cultura – O consumismo, entretenimento, ambições materiais... tem que estar sob completo domínio da sabedoria de Cristo – Não há como essas coisas não sufocarem a Palavra de Deus – levando as pessoas a transformar seu estilo de vida e cultura em Cristianismo – Não sendo de fato transformado e pronto a perder tudo “pela excelência do conhecimento de Cristo”, como diz Paulo.

Paulo usa em nosso texto a frase “por causa do endurecimento” ou “dureza do coração que há neles” – Paulo fala de homens que não são ‘sensíveis a Verdade” – Ao vermos uma geração insensível a Verdade – pensamos que algo que não é a Verdade – nossas ideais – pode trazer a sensibilidade através de nossa astúcia – Tudo que temos ao abandonar a fé no que Deus faz tão somente através da aplicação da verdade – o que temos não é sabedoria – mas astúcia. A astúcia pode nos ajudar a fazer pessoas a entrar na igreja, mas não a “odiar o mundo”. Ao acreditarmos em nossas estratégias deixamos claro que não acreditamos de fato na “Depravação total” – como Paulo descreve em nosso texto. A dificuldade do incrédulo não está só em seu intelecto, mas na totalidade do seu ser – os sentimentos e as sensibilidades. O problema do homem é que a “luz veio ao mundo e o mundo amou mais as trevas do que a luz”. É uma questão do coração. Estratégias de um coração que já dúvida do poder eficaz do Evangelho no chamado do Espírito – não pode levar um homem mau, odiar um mundo mau – através de sua cultura má. 

Tudo que o homem não pode largar o aprisionou – por isso é fácil agregar Jesus ao “reino’ do mundo – mas não abandonar o mundo indo em direção ao “Reino do Filho do seu amor” – Só quando nós diminuímos a depravação descrita na Bíblia sobre o homem, é que passamos a acreditar que alguma estratégia humana libertará o homem.

Seguir a Cristo é um caminho sem retorno – não reformar Sodoma e Gomorra – é deixá-la para trás – sem olhar para trás. Você não pode usar elementos da cultura de Sodoma para fazer com que as pessoas vejam e amem a beleza da santidade de Deus refletida na face de Cristo de tal modo que sequer olhem para Sodoma outra vez.

Deixar para trás e não olhar pra trás – avançar na direção oposta do que nossa mente se prendia (metanoia) – é a única opção – Avançar é a única alternativa viável. Todo verdadeiro discípulo terá que sempre dizer – ‘Esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, para o prêmio da SOBERANA VOCAÇÃO de Deus em Cristo Jesus (Fp 3.13-14).

Só o que pode operar isso no homem é uma SOBERANA VOCAÇÃO – UM SOBERANO CHAMADO – não o chamado das nossas estratégias e conveniências. É hora de voltarmos a crer somente na SOBERANA VOCAÇÃO. E então pregar fielmente a Palavra para que Deus chame seus filhos neste mundo mau.
Que Deus nos faça crer para que através de nós leve outras a crer - não como estrategistas - mas como fiéis pregadores da Verdade


            Solo Deo Gloria! - Josemar Bessa