quinta-feira, 21 de novembro de 2013

As rasuras "de Deus"


Leonel Elizeu Valer Dos Santos

“Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte.” Prov 14; 12

O proverbial “as aparências enganam” tem origem, ou, similar, na Bíblia, como vemos. Concedo a dúvida por que pensadores pré-socráticos como Heráclito e outros denunciavam também o logro das aparências. Josué pecou ao não desconfiar delas. Os gibeonitas precisavam convencê-lo que eram peregrinos de origem remota; usaram pães bolorentos e vestes rotas para emprestar verossimilhança à sua história.

O pleito que uma imagem vale por mil palavras dá pano pra manga se examinado; uma das variáveis desse “valor” é que torna mais convincente o ver; ainda que enganoso.

Entretanto, o ver no dito de Salomão, supra, alinha-se mais à opinião que propriamente visão. Os caminhos atraentes parecem direitos aos humanos mais pelo que acham, que pelo que veem. Claro que o achar deriva das circunstâncias visíveis. A visão humana geralmente é tributária das experiências, o que cabe com sobra dentro de um século de vida; isso contraposto a Deus, que além de Onisciente é Eterno resulta pífio. Daí que, contrariar um preceito Divino baseado em idiossincrasias encerra o risco de encontrar a morte no final.

Quando o navio que levava Paulo preso a Roma estava mercê da decisão de zarpar ou não, houve um choque de posições entre o experiente capitão e o servo de Deus. “E, passado muito tempo, e sendo já perigosa a navegação, pois, também o jejum já tinha passado, Paulo os admoestava, dizendo-lhes: Senhores, vejo que a navegação há de ser incômoda, e com muito dano, não só para o navio e carga, mas também para as nossas vidas. Mas o centurião cria mais no piloto e no mestre, do que no que dizia Paulo.” Atos 27; 9 a 11 A experiência humana arrostando a Palavra de Deus dada por Seu servo; acabou em naufrágio, sabemos.

Outro exemplo de alguém que deixou o caminho de Deus por uma “nova opinião” ainda que dada como oriunda do Eterno é o Profeta jovem que profetizou em Betel contra Jeroboão e o altar. A ordem era que não comesse nem bebesse nada lá; mais, que voltasse por outro caminho. Ele aceitou a “nova revelação” do profeta experiente, e isso lhe custou a vida. Ver, I Rs cap 13. 

Ora, se Deus dissesse algo e carecesse emendar depois, não seria o Eterno; sofreria ação do tempo. Contudo, “Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e eternamente”. Heb 13; 8.

Assim, todos os “profetas” que vieram após o encerramento do Cânon em Apocalipse, não passam de emendas, rasuras, “de Deus”, o que os desqualifica cabalmente. Seja Ellen White, Joseph Smith, Charles Russel, ou quem for. Ainda que misturem seus escritos com verdades Bíblicas. Do que é verdadeiro a Bíblia já contém “tudo o que diz respeito à vida e piedade.” Como ensina Pedro. Assim, tal repetição não é necessária, senão, como engodo para emprestar verossimilhança às heresias infiltradas.

Paulo declarou anátema ao “novo evangelho” que se infiltrara na Galácia. Depois explicou que nem era novo o texto, mas, pervertida a interpretação. “O qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema.” Gál 1; 7 e 8

Mas, se os caminhos atraentes podem resultar em morte no fim, como fazer nossa escolha, se, estamos ainda no começo? Deus ensina: “Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade; que eu sou Deus, e não há outro Deus, não há outro semelhante a mim. Que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade.” Is 46; 9 e 10

Essa comichão por novidades deveria ser doença apenas do mundo; mas, verifica-se na igreja também. Paulo advertiu dela, aliás: “Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas.” II Tim 4; 3 e 4

Depois de tal advertência exortou ao Jovem Pastor à sobriedade. Em quê ela consiste? “Porventura o ouvido não provará as palavras, como o paladar prova as comidas?” Jó 12; 11 O choque entre essência e aparência deve ser visível para quem tem discernimento espiritual, como denunciou o mesmo Paulo sobre os “fiéis” dos “tempos trabalhosos;” “Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te.” II Tim 3; 5 Nem sempre estreitamento equivale ao “caminho estreito”; mas, a dar largas às comichões heréticas.

Fonte:http://www.ultimato.com.br/comunidade-conteudo/as-rasuras-de-deus

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Maldição Póstuma
















Por Pedro João Costa

Sempre temos manhãs devassas
Um ano, um tempo, uma vez
Dois tempos sem.
Os mares de prazer possuem águas
De sonhos e de ilusões
Mas prazer eterno
Só no sal
Tempero das fantasias.

Sou mais prevenido que eu mesmo.
Revirei poemas, lírios todos os poetas
Escritos atores poetizas heresias
Li suas intimidades
Invadi privacidades
Interpretei o que não podia
E nem sequer queriam.

Difamei palavras, pensamentos e obras alheios.
Não me envergonho o suficiente,
Tive rigor no ultraje sensível
E essa maldição póstuma
Dos autores que só queriam ser
Seres solitários, únicos, anônimos, inúteis,
À humanidade civilizada
Virá sobre mim,
Revirando meus ossos
Tocando minha ilharga
E o tendão da minha coxa esquerda.

A minha lembrança titubeará cambaleante
Sem repousar em paz
No Hades dos escritores.
Condenado
Só ando embriagado
E sóbrio inexisto.

Pedro João Costa (30/08/06): Colaborador deste blog desde 2010.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

A Vitória pela Derrota












                                



Por Pedro Paulo

Marcos cap. 2:1-12, narra a história do paralítico de Cafarnaum que foi conduzido por quatro homens até uma casa onde Jesus estava ensinando a palavra. Como vemos no texto, se juntaram ali tantas pessoas que nem junto à porta cabiam, assim, os quatro decidiram descer o paralítico pelo telhado na esperança de que Jesus pudesse oferecer-lhe a cura. Entretanto, para a surpresa de todos a primeira palavra de Jesus para o paralítico foi: "Filho, perdoados estão os teus pecados". 

Essas palavras causaram uma murmuração geral, pois de acordo com a narrativa estavam ali os chefes religiosos da época que aguardavam ver algo sobrenatural ou até um milagre. Assim, Jesus conhecendo o coração daqueles que arrazoavam disse: "Ora, para que saibais que o Filho do homem tem na terra poder para perdoar pecados (disse ao paralítico), A ti te digo: Levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa". Esse é um resumo dos fatos, mas a nossa observação é que surpreso mesmo deve ter ficado aquele paralítico. 

Vejamos bem, a ordem de Jesus foi muito clara para ele: "...toma o teu leito,e vai para a tua casa". Fico pensando que depois de ter recebido a cura tão desejada, aquele homem queria tão somente se ver livre daquele leito. Não sabemos quantos  e quantos  anos ele viveu ali entrevado, sem liberdade para se locomover, mas Jesus disse a ele: "...toma o teu leito, e vai para a tua casa". 

Sendo um pouco cômico, no lugar dele eu compraria um sofá ou uma rede para eu deitar e até dormir, mas aquela cama eu nunca mais desejaria ver na minha frente. Na minha imaginação, se fosse comigo eu desejaria repousar ou dormir noutro lugar, menos naquele leito que penso eu, pode ter sido uma verdadeira prisão para ele ou talvez tenha sido o lugar das suas amarguras. 

Poderíamos pensar que naquela hora estava sendo decretada a derrota final para sua vida e para sempre. Porém, o rumo traçado nessa história foi o caminho da vitória pela derrota. O Senhor ofereceu a ele primeiramente o perdão, depois a cura e a seguir o melhor caminho. O perdão é um processo de cura que promove a saúde em todos os seus aspectos. Deus deseja fazer assim conosco, o sacrifício de Jesus é a grande prova do Seu amor por nós.

Ainda no evangelho de Marcos 2:17, Jesus revelou sua missão dizendo: "...Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes; não vim chamar justos, e sim pecadores". No ato em que Jesus nos oferece o perdão, Ele cancela o débito dos nossos pecados e ainda promove a remoção da culpa que tornou amargo o nosso coração, plantando ali o amor que tudo cura e que tudo transforma. 

O que esse leito então poderia significar para todos nós, senão o lugar mais íntimo nosso, como o lugar onde nós realmente podemos nos despir. O lugar onde de fato podemos ser nós mesmos, tirar as nossas máscaras, assumir os nossos erros sem medo. Onde podemos sentir medo, por que não? O Senhor nos mostra que o lugar em que pensamos ser o da amar-gura, é o lugar do amar-cura, Ele nos ama e somente Ele pode nos oferecer o melhor caminho...

sábado, 9 de novembro de 2013

Os mal-entendidos...


















"Os mal-entendidos são a essência da comunicação".  (Lacan)

Por Pedro Costa

Nada nos revelará
Velar as dores.
Acordes de corações em desatinos;
Em desafinos
Agudo em ré
Graves em nós.

Cortejo funesto
Contradiz dobras e restos
Além de laços
Amarras de amores-perfeitos.

Constelação de sonhos
Turbilhões de desejo.
Atropelos em vias
Expressa desalento
De olhar desatento.

Desponta no horizonte
Novas e luzeiros
Que cego teima não ver,
O sorrateiro alvorecer,
Do mal-entendido,
A fala-silêncio da emoção.

Imperador da essência
Volatiliza a comunicação,
Ardor fluindo
Viés da relação,
Que a cada vez
Nada sabe de tudo.

Pedro Costa (04/06/12): Colaborador deste blog desde 2010.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

A moral de Deus e a liberdade em Cristo

Daniel Nogueira

Outro dia assisti à entrevista do professor de filosofia Clóvis de Barros no Jô Soares. Embora a parte que ganhou mais repercussão nas redes sociais foi a parte na qual ele conta como descobriu a sua vocação para professor, eu queria chamar atenção para uma outra parte: a que ele ensina o que é moral.
Segundo ele, moral é o conjunto de valores que você possui aos quais você é fiel independente do olhar da sociedade sobre você. Isto é, você age sempre conforme esses valores, independente se alguém está olhando ou não. E exemplificando ele falou algo interessante: quando o governo coloca câmeras de vigilância nas escolas, ele está “desmoralizando” o ensino. Isso porque o estudante perde a oportunidade de aprender a agir conforme os seus valores morais, e aprende a viver sob o olhar repressor da vigilância. Dessa forma ele acaba assimilando que só precisa se comportar bem porque está sendo vigiado (e não devido aos valores morais que deveria ter).
Outro exemplo que ele deu foi de quando ele estava em um país da Europa e encontrou na rua um banquinho com uma caixa cheia de jornais e uma outra caixa ao lado com o dinheiro das pessoas que compraram jornal. E ele ficou observando ali um tempo e via que as pessoas pegavam o jornal e deixavam o dinheiro na caixa ao lado. Ele contou em tom de brincadeira que teve vontade de jogar todos os jornais num lago que havia perto, pegar todo o dinheiro pra ele, e ainda quebrar o banquinho num telefone público para eles verem “com quem estavam mexendo”. kkkk Mas, ao contrário, ele pegou um jornal, deixou o dinheiro lá, pegou parte do troco (porque como não havia troco suficiente a caixinha ainda ficou devendo troco para ele), e foi embora.
Se você tiver a oportunidade de viajar para alguns países de primeiro mundo, observará muitos lugares que funcionam exatamente da mesma forma (na base da confiança nos valores morais). Ao contrário do que ocorre no Brasil, não existe muito a preocupação de criar mecanismos que evitem que as pessoas façam coisas erradas. Por exemplo, em Valencia na Espanha em algumas regiões é possível entrar no metrô sem passar por uma “catraca”. As máquinas de venda e validação do cartão de metrô ficam próximo à linha e você deve comprar e validar o seu cartão antes de entrar no metrô. Não existe nenhum mecanismo que te impeça de pegar o metrô sem validar, exceto na região mais central onde o metrô é subterrâneo e aí sim existe catraca. Meu amigo disse que em Edimburgo na Escócia, a pessoa que entra em um ônibus deve colocar numa caixinha ao lado do motorista o valor equivalente à passagem. Detalhe: o motorista só olha de longe e não confere o valor antes de você colocar lá (a não ser que você mostre a ele explicitamente). O que ocorre na prática é que as pessoas já acostumadas nem se preocupam e depositam o valor sem sequer mostrar ao motorista. Pra complicar mais, o sistema não permite troco! Ou seja, se você colocar dinheiro a mais o azar é o seu. Se não tiver trocado você deve colocar um valor acima da passagem. Mas ainda assim ele disse que o sistema funciona muito bem. Já aqui no Brasil, para implantar o BRT (um tipo de ônibus maior que abre as portas todas juntas para acelerar o embarque e desembarque de passageiros), a prefeitura de Belo Horizonte teve que implantar uma espécie de “cápsulas fechadas” equipadas com catracas e paredes para impedir que as pessoas entrem no ônibus sem pagar a passagem (vide imagem abaixo).









Eu te pergunto: em qual sociedade você preferiria viver? Numa sociedade de primeiro mundo na qual as pessoas valorizam educação e aprendem a viver os valores morais, independente de estarem sendo vigiadas? Ou preferiria viver numa sociedade de terceiro mundo na qual as pessoas, ao invés de ensinar os valores morais, se preocupam em criar mecanismos repressores para impedir que as pessoas façam o que não deveriam? Acho que a resposta é óbvia.
Um paralelo disso pode ser feito com a nossa vida espiritual. Na igreja primitiva dos Colossenses, Paulo ficou sabendo que eles estavam seguindo algumas ordenanças que ele chamou de “preceitos e doutrinas dos homens”.
"Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne.” - Colossenses 2:20-23
Observe que essas regras de “não tocar, não provar, não manusear” tinham uma falsa aparência de sabedoria, mas na verdade serviam apenas para a satisfação da carne. Ou seja, não tinham proveito nenhum para o espírito. Traduzindo: ninguém aprende nenhum valor moral seguindo ordenanças. É preciso aprender valores e não criar regras de conduta.
Isso ocorre muito nos nossos dias. Muita gente cheia de “boas intenções” pensa que é importante criar regras para que os cristão sigam. E milhões de regras são criadas do tipo “não pode isso… não pode aquilo…”. São tantos “nãos” que muitas pessoas pensam que ser cristão significa viver uma vida cheia de proibição. Mas pelo contrário, Jesus é a verdade que liberta. E onde está o Espírito Santo de Deus aí há liberdade!
"Ora, o Senhor é o Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade." 2 Coríntios 3:17
"E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará." João 8:32
O que esses criadores de regras não percebem, é que estão “desmoralizando” a igreja. Isto é, estão impedindo o desenvolvimento de valores morais e do discernimento. É importante tentar analisar as questões da vida individualmente e buscar saber o que Deus diz sobre cada questão. Do contrário estaremos criando uma população religiosa e legalista que segue alguns preceitos mas nem sabe bem o porquê, e até mesmo condena sem piedade quem não segue os mesmos preceitos. E, o que é pior, muitas vezes só seguem os preceitos enquanto estão sob o olhar dos membros da igreja.
É importantíssimo desenvolver o nosso discernimento, aprendendo a conferir na palavra de Deus sobre todas as questões da vida. Como os crentes da igreja de Beréia que eram mais excelentes porque conferiam nas escrituras tudo o que aprendiam (Atos 17:11). Devemos nos perguntar: “O que a Bíblia diz sobre esse assunto?” Ou também “Como esse assunto foi tratado na história da igreja?” (desde a igreja primitiva até nós).
Além disso, não podemos impor o nosso entendimento aos demais. Não devemos julgar para que não sejamos julgados. Paulo ensinou em Romanos 14 que cada um deve fazer tudo para a glória de Deus. Não devemos desprezar o próximo só porque ele entendeu que deve guardar o sábado, por exemplo. Se um faz diferença entre dias, ou julga todos os dias iguais, o faz para a glória de Deus. Cada um dará conta de si mesmo a Deus. Não precisamos viver como câmeras de vigilância para saber se os outros estão agindo conforme o meu entendimento. O Espírito Santo é que trabalha nos corações das pessoas para convencê-las do pecado, e não nós apontando o dedo para julgar, acusar, ou impor a nossa interpretação da bíblia.
Deus quer que tenhamos uma nova vida de liberdade em Cristo, andando em Espírito - isto é, seguindo os valores de Deus - independente de estar ou não sendo visto pelos irmãos da igreja ou até mesmo pela sociedade. Assim viveremos a moral de Deus e não necessitaremos mais das amarras repressoras da mentalidade de terceiro mundo.

Fonte:http://danielnogueir.tumblr.com/page/2

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

FÓTON


















Imagem: http://www.tutoriart.com.br

Por Pedro Costa

O mínimo que se espera do intelectual é que ele
seja agnóstico.
Será?

Exerço o silêncio como a justiça do bom senso.
Talvez o silêncio como exercício da justiça do bom senso
Pudesse consertar o que não pode ser.

Tanto querer nos vulnerabiliza,
Tanta querência nos exaspera
E solicita-nos às angústias e neuroses.

A civilização se primou
No mal estar absoluto.
O antropos evoluiu a sociologia do caos previsível,
Autônomo, histórico e progressivo.

Juramos amor e vivenciamos o ódio,
Criamos valores e ética e a estética arte
De captar a luz e seu registro instantâneo.

Traímos nossos ídolos e ícones,
Constituímos populações de sado-masoquistas medíocres.
Contaminamo-nos com a peste emocional
E contagiamos a terra, o ar, a á agua e o fogo.

Assimilamos a mesquinhes e perpetuamos
A insensatez lato sensu.
Somos seres entorpecidos, aliciados, instituídos,
Adormecidos, sonâmbulos, anômalos, amorfos e apáticos.

O sonho de humanidade é utópico.
Humanidade é utopia.

Pedro Costa (11/02/09): Colaborador deste blog desde 2010.

domingo, 27 de outubro de 2013

Manifestar significa...






















Imagem:http://renovacast.com.br

Por: Pedro Paulo

As pessoas tem saído às ruas em protesto no Brasil desde Junho deste ano para reivindicar os seus direitos de cidadãos, pois elas se perceberam sem esses direitos. A indignação não se monta  por uma questão apenas, mas seria muito penoso narrar aqui tudo que tem sido negado ao povo com relação a saúde (ou falta dela), educação, transporte, moradia, etc. Essa indignação estampada nas ruas se faz evidente não só nas faixas, como também na face de todos que saem em protesto. Mas, o pior é a corrupção... 

O que essas manifestações tem a ver com nós cristãos? Não concordamos com nenhum tipo de vandalismo, mas como cristãos não podemos ficar calados diante a inércia daqueles que deveriam governar para o bem-estar de todos. O que ocorre no nosso país revela que essa corrupção parece ser hereditária. Devemos além de orar, manifestar deixando claro a nossa intolerância aos direitos de cidadãos que nos são negados quase, sempre...

Nos originais do grego manifestar é o termo phaneroo que tem na sua raiz phos ("luz") e significa: revelar, dar a conhecer, evidenciar, deixar claro (aparente), tornar visível, mostrar, etc. 

Pois bem,  phosphorus é o termo grego que significa simplesmente: luz. Observamos ainda que o termo phos (um substantivo neutro) significa corretamente, a luz (especialmente em termos de seus resultados, o que se manifesta) no NT, a manifestação da vida auto-existente de Deus, divina iluminação para revelar e transmitir a vida.

O Verbo de Deus (a Palavra) precedeu o "Haja luz" de Gêneis 3:3. Deus se revela na Sua palavra e nela temos o pleno conhecimento que de fato Deus é Santo e justo e Ele não tolera a injustiça. A condição humana negativa tem levado o homem a um insuficiente conhecimento de Deus. Nas Escrituras vemos as advertências de Deus contra a balança enganosa, contra o pecado, contra os governantes pela prática de uma politica enganosa e dos seus erros, contra os falsos profetas e o falso culto.

Deus é Luz e nEle não há trevas, Ele não pode tolerar o pecado que se opõe e contradiz o Seu padrão de Santidade. Tolerar no original grego é aphiémi e significa permitir. No latim tolerância procede de tolero, que significa suportar um peso ou a constância em suportar algo. Embora tolerar tenha significado positivo como a capacidade de ser indulgente para com os outros, ela pode ser negativa quando passa a ser permissiva com relação ao erro e o pecado.

Fomos criados à imagem e semelhança de Deus, o pecado porém deixou essa imagem totalmente desfigurada. "A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça; porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou". Epístola aos Romanos cap. 1:18-19.

Essa ira de Deus é contra o homem que pratica o pecado, não é como a nossa, um sentimento ruim e egoísta. A ira de Deus é a reação do Deus Santo contra a perversidade humana. Os teólogos dizem sabiamente que o zelo (ou amor) de Deus pelo homem se manifesta no juízo exercido por Ele para aplacar essa ira. Houve por bem a Deus revelar-se em Sua misericórdia através do sacrifício de Jesus Cristo, para nos resgatar dos nossos pecados. 

Na verdade o ser humano encontra-se perdido como que em um labirinto e precisa ser resgatado e a palavra de Deus se manifestou em esperança para os homens. Em João 17:6, Jesus orando ao Pai disse: "Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo. Eram teus, tu mos confiaste, e eles têm guardado a tua palavra".

Guardar a palavra de Deus no coração nessa hora, mas sem ser tolerante com aqueles que praticam a injustiça, pois sabemos que a nossa esperança está em Jesus que prometeu conforme lemos em Mateus 5:6 "Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos".