sábado, 26 de dezembro de 2015

A Proporção da Gratidão


Por Manoel Gonçalves Delgado Jr


Um dos dez, vendo que fora curado, voltou, dando glória Deus em alta voz, e prostrou-se com o rosto em terra aos pés de Jesus, agradecendo-lhe e este era samaritano.

Então, Jesus lhe perguntou: Não eram dez os que foram curados? Onde estão os nove?

Lc.17:15-17

O Grande Agostinho de Hipona, popularmente conhecido como Santo Agostinho, um dos grandes teólogos da igreja de todos os tempos. Escreveu uma obra em formato de oração denominada “Confissões”.Nesta obra, de caráter biográfico ele registra todos os acontecimentos da sua vida desde a sua infância, formação intelectual, sua vida desregrada, as inúmeras orações de sua mãe Mônica pela sua conversão, o seu encontro com Ambrósio, o voltar-se para Deus.

Se tivéssemos que destacar o tom geral da obra, diríamos que se trata de uma grande oração em gratidão a Deus por todos os seus benefícios e por todos aqueles que foram os vetores de Deus na tarefa de abençoar a sua vida. Sem dúvida esta obra só poderia ser escrita por alguém que compreendeu profundamente as circunstancias da vida e aprendeu a desenvolver a Gratidão.

No evangelho de Lucas, vemos um episódio em que o Senhor Jesus cura um grupo de dez leprosos. Nesta ocasião, Jesus manda que os dez se apresentassem no templo aos sacerdotes para cumprirem todas as especificações da lei, os dez de fato haviam sido curados, mas só um deles agradeceu. Somente um deles fez o caminho de volta para agradecer Àquele que havia sido a fonte da sua cura.

Nesta história aprendemos algumas lições preciosas sobre a gratidão.

I- A gratidão tem haver com a percepção dos benefícios.

Muitos são abençoados, mas poucos param para refletir sobre o quanto foram ajudados, estimulados, amados, capacitados ou protegidos. Muitos desejam muito algum benefício, mas quando o recebem logo se esquecem daqueles que os abençoaram. É triste, mas é verdadeiro. A ingratidão vem do esquecimento dos bens e a gratidão vem percepção dos benefícios.

II- A gratidão não retorna na mesma proporção do bem que é feito.

Por esta razão, àqueles que fazem o bem não devem desanimar. Se você faz o bem às pessoas esperando reconhecimento você pode se frustrar. Aqueles que fazem o bem devem fazê-lo por que isto é bom e não por que serão reconhecidos por isto.

III- A gratidão traz uma benção ainda maior do que o bem recebido.

Aquele leproso, samaritano, havia encontrado o caminho de volta a Jesus o reconhecendo por tudo o que Ele havia feito. Este é o caminho da gratidão no que se refere aos homens e o caminho do louvor e da adoração no que se refere a Deus. Este samaritano agradecido encontrou antes de muitos do povo de Israel o salvador.

Os noves leprosos voltaram para suas casas livres de uma doença, este leproso voltou livre de todos os seus pecados.

IV – A gratidão ou a ingratidão determinará a forma como seremos reconhecidos no futuro.

Eu fiz a minha decisão, eu gostaria de ser reconhecido no futuro como alguém que optou por ser grato a Deus em primeiro lugar, mas também a todos àqueles que foram usados por Deus para me abençoar e me fazer o bem. Que você querido irmão faça a escolha certa e colha no futuro os resultados desta escolha.


Fonte: http://www.ultimato.com.br/comunidade-conteudo/a-proporcao-da-gratidao

sábado, 19 de dezembro de 2015

Você tem medo do futuro?


Por: Edward Welch


Todos os medos são profecias sobre o futuro. Eles começam pequenos – um ladrão pode roubar sua bicicleta, o bicho-papão vai comê-lo antes que a noite acabe – e crescem a partir daí. Esses medos, no entanto, precisam de ajuda para se tornarem globais e apocalípticos.

Eu cresci em uma época que forneceu essa ajuda. Eu estava na escola primária durante o auge da “Ameaça Vermelha” [1]. “The Late Great Planet Earth” [2] era um best-seller e os meios de comunicação informavam o pior dos assuntos globais. Com tal solo fértil, nenhum cristão precisava de imaginação para vislumbrar o Exército Vermelho usando dispositivos demoníacos para detectar que você era um cristão, ansioso por submetê-lo à pior tortura até que renunciasse a Jesus ou morresse. Aquela era, pensava eu, a pior das épocas.

Então eu cresci e percebi que cada época é, de fato, o pior dos tempos. A verdade é que sempre temos ajuda para tornar nossos medos globais. Há sempre uma nova ameaça.

Aqui estão alguns medos comuns, de uma lista que pode ser interminável:

• O medo do colapso moral completo da cultura ao redor;
• O medo do colapso econômico e do caos;
• Medo de extremistas islâmicos;
• Medo de vírus resistentes, pragas, produtos químicos perigosos, e assim por diante.

Duas linhas de defesa populares
Como podemos repelir esses medos? Uma linha de defesa é ser racional, fazer com que dados e fatos amenizem os temores. Considere, por exemplo, os extremistas islâmicos. Como a maioria das religiões crescem por meio de pais que passam a fé a seus filhos, as estatísticas sugerem que não haverá uma maioria islâmica num futuro próximo, porque há simplesmente mais cristãos que muçulmanos agora, e até mesmo um súbito aumento no tamanho médio das famílias islâmicas não fará muita diferença nesse período. Medo aliviado.

Uma segunda defesa contra esses medos é imaginar o pior e se preparar. Alerte os outros, construa um abrigo, ou simplesmente continue imaginando o pior, como se isso fosse um talismã para quando o pior acontecer.

Essas defesas, é claro, são apenas confortos temporários. Não podemos confiar em dados, nas chances estarem a nosso favor ou na nossa preparação pessoal. Nós confiamos em uma Pessoa. Qualquer resposta a temores distantes que enfatize a informação e preparação acima da confiança é ímpia em seu âmago. Informação e educação não estão erradas, mas não são a nossa primeira resposta. O povo de Deus se volta para ele em primeiro lugar: “não sabemos nós o que fazer; porém os nossos olhos estão postos em ti” (2Cr 20.12).

Receberemos graça
Quando nos voltamos para o Senhor, consideramos em primeiro lugar a maior promessa de todas: “De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei” (Hb 13.5). Nossos pecados são o que nos separam de nosso Deus, mas agora o perfeito Sumo Sacerdote fez o sacrifício perfeito e, tendo feito expiação de pecados, assentou-se. O sacrifício pelo pecado está feito. A nós é garantida a sua presença. Não enfrentaremos nossos medos sozinhos.

Nesta promessa está incluído que ele nos dará a graça diária de que precisamos. A imagem do Antigo Testamento por trás disso é o dom do maná. Era o suficiente para um dia, mas não devia ser estocado para o dia seguinte, para que não confiássemos em nossos estoques. Amanhã encontraremos novas misericórdias, maná fresco e abundante graça.

Essa graça nos capacitará a descansar em Deus e permanecer firme diante de qualquer sofrimento ou tentação que o mundo pode reunir, diante de qualquer medo que se concretize (1Co 10.13). Sua presença nos assegura de “recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hb 4.16). Tudo o que temos a fazer é pedir.

A graça prometida torna nossas previsões terríveis obsoletas. Mesmo se estivermos certos em nossas previsões, e geralmente não estamos, não podemos prever a graça que será derramada sobre nós naquele dia futuro. Em vez disso, nós vislumbramos o futuro com a graça que temos para as dificuldades de hoje, e essa graça é suficiente apenas para hoje, não para amanhã. O amanhã surgirá com um novo estoque de graça.

Recontar a história
Com essa graça futura em vista, nós recontamos a história de nossas vidas e a história da história. Considere o Salmo 23, por exemplo, como um modelo. Tornamo-nos, pela fé, as ovelhas do Senhor. Alegria e descanso são a ordem do dia. Mas ovelhas têm que se movimentar, e essa jornada irá incluir problemas, como testemunhamos quando o Cordeiro de Deus se submeteu ao seu Pastor no mesmo caminho. O problema pode ser intenso. Pode incluir Assíria, Roma e outras ameaças que podem nos matar. Mas a história não termina aí. Nossos inimigos vão assistir à distância enquanto nos assentamos à mesa do banquete de Deus. Eles serão envergonhados; nós seremos uma família com o Honrado. À medida que caminhamos para a casa do Senhor, sem temer mal algum, oramos para que sua vontade seja feita na terra como no céu (Mt 6.10). E a peregrinação leva-nos para a casa de Deus, onde a sua vontade é feita continuamente. A história da Escritura sempre termina bem.

De fato, a vida e a história terminam gloriosamente para o povo de Deus, e enquanto nós olhamos para esse fim, podemos prever isto: a graça de Deus nos seguirá de tal forma que temeremos o mal cada vez menos.


[1] N.T.: Nos Estados Unidos, após a II Guerra Mundial, o temor espalhado pela população de uma atuação comunista infliltrada na sociedade ou no governo.

[2] N.T.: Livro de Hal Lindsey de grande sucesso, que associava acontecimentos contemporâneos a profecias apocalípticas.


Dr. Edward T. Welch é conselheiro e membro do corpo docente da Christian Counseling & Educational Foundation (Fundação de Educação & Aconselhamento Cristão – CCEF).


sábado, 12 de dezembro de 2015

Se o Senhor é o Meu Pastor, Porque as Coisas Me Faltam?


Por Daniel Conegero


“O Senhor é o meu Pastor; nada me faltará.” (Salmos 23:1)

Provavelmente esse é o texto mais conhecido da Bíblia e, concorre acirradamente com os também Salmos 70 e 91, como os favoritos à ficarem abertos sobre as cabeceiras de nossas camas. Isso não é por acaso, afinal se o Senhor for o meu Pastor nada irá me faltar. Isso é infalível, e não sou eu quem garanto, e sim a Bíblia, mas, parece que nem sempre as coisas acontecem dessa maneira, e então logo vem a pergunta: O que aconteceu? A Bíblia errou?

A verdade é que ao longo do tempo agente costuma a adaptar as coisas da forma que mais nos convém, e esse versículo é um destes muitos casos. Vivemos uma época em que o poder de Deus é vendido à preço de atacado.

Comercializar Jesus se tornou uma atividade muito lucrativa, e falo isso agora não apenas como cristão mas como um especialista em Gestão Estratégica, área em que também sou formado, e afirmo com todo conhecimento que as técnicas utilizadas na captação de novos “clientes” (ou fiéis, como preferir) e os processos que compõe as estratégias de relacionamento com estes "consumidores" são dignas de compor o plano de marketing de uma grande empresa; mas acredito que se tem algo em que essas pessoas falham é o pós-venda, pois vendem algo que não fabricam: o poder de Deus.

Desculpe por essa parte chata mas vou explicar de uma forma bem simples o que tudo isso significa. Vamos reescrever esse versículo da forma que é oferecido hoje em dia.

“Se nada me faltar o Senhor será o meu Pastor.”

Seria realmente muito mais cômodo interpreta-lo desta forma, afinal, se tudo der certo para mim (segundo meus planos) então poderei adorar a Deus. Tem alguns que ainda vão mais longe e dizem: "Se Deus não fizer isso por mim não quero mais saber de nada". Parabéns! Tem um lugar que só recebe auto suficientes após a morte.

A Bíblia não está errada:

A Bíblia não está errada, você pode tomar o versículo da maneira que ele realmente é, aliás basta lermos com bastante atenção para reconhecermos que ele está escrito de forma perfeita.

Por que "o Senhor é o meu Pastor" vem em primeiro lugar? Fácil! Para que nada nos falte, porém esse "nada" não é segundo as nossas vontades, mas segundo as vontades dEle.

Certa vez um irmão deu um testemunho de que ele foi acometido de um problema grave de saúde e que precisaria de um transplante de órgãos. Isso o deixou totalmente debilitado, porém Deus falou com ele diversas vezes de tudo ficaria bem. E o tempo foi passando e ele piorando, e Deus o tranquilizando na palavra. Agora você me pergunta o que aconteceu? Ele foi curado?

Sim, ele foi curado! Ele realizou exames que detectaram que um familiar próximo era compatível para doação do órgão, e assim foi, o transplante foi realizado e ele esta curado.

Agora você deve estar pensando: ele precisou de um transplante? Deus não disse que o curaria?

E continuo afirmando: Deus o curou!

Não entendeu? Vou refrescar a sua memória.

Lembra de José? Sofreu um bocado não? Foi traído pelos próprios irmãos, vendido como escravo, e como se ainda não bastasse foi preso por uma falsa acusação, e olha que não foi apenas uma prisão provisória apenas para averiguação, ele ficou preso mesmo, e nem teve direito a um habeas corpus. Dificil não? Mas ele guardava um sonho, ele sabia que tudo daria certo.

Agora pensando bem, Deus não poderia te-lo transformado em Governador do Egito sem precisar de tudo isso, apenas com um estalar dos dedos?

Claro que sim! Da mesma forma que Deus também poderia ter escolhido uma forma menos dolorida (ao invés da crucificação) para o plano de salvação, mas para tudo existe um propósito, Ele é soberano e não cabe a nós discutir os seus desígnios.

Os planos de Deus são muito maiores que os nossos:

Deus não precisa de um transplante de órgãos para curar alguém, mas Ele sabe de coisas que não sabemos, e muitas vezes os grandes sofrimentos são necessários para reafirmar em nossa própria vida a condição de ovelha, guiada por um Pastor que, mesmo que as vezes Ele corte a nossa lã, ele não faz isso para nos fazer passar frio, mas sim porque Ele sabe que uma nova lã crescerá, tornando a nossa história ainda mais extraordinária, e nos dando uma certeza inconfundível de que se o Senhor for o nosso Pastor, de alguma maneira, nada nos faltará, pois a presença dEle sempre será constante na condução de Suas ovelhas.


sábado, 5 de dezembro de 2015

Visão, Lugar e a Presença de Deus


Por R. C. Sproul


Há grande debate e controvérsia em nossos dias sobre qual é a adoração correta diante de Deus. Como eu tenho lutado com essa questão, continuo voltando ao Antigo Testamento. Eu sei que essa é uma prática perigosa, porque agora vivemos na era do Novo Testamento, mas o Antigo Testamento nos dá instruções detalhadas e específicas sobre a adoração, enquanto o Novo Testamento é quase que silencioso a respeito desta conduta. No Antigo Testamento, eu encontro um refúgio da especulação, da opinião do homem e dos caprichos do gosto e da preferência humana, porque lá eu encontro o próprio Deus exigindo explicitamente que certas coisas aconteçam na adoração. Eu acredito que é possível e correto extrair princípios para a adoração do Antigo Testamento, pois os livros do Antigo Testamento continuam fazendo parte do cânon das Escrituras e, mesmo que haja certa descontinuidade entre o Antigo e o Novo Testamento, há também uma continuidade que não devemos desconsiderar.

Um dos princípios que aprendi do Antigo Testamento é esse: a pessoa deve ser envolvida por inteiro na experiência da adoração. Certamente, as mentes, os corações e as almas dos adoradores devem estar envolvidos, mas quando vamos ao culto no domingo pela manhã, não chegamos com as mentes, os corações ou as almas desencarnados. Nenhuma das nossas experiências é puramente intelectual, emocional ou espiritual. A experiência da vida humana também envolve aspectos físicos. Isso significa que todos os cinco sentidos estão envolvidos na experiência da vida. Somos criaturas que vivem a vida não apenas com as nossas mentes, corações e almas, mas com os nossos sentidos de visão, audição, olfato, paladar e tato.

Eu não tenho espaço suficiente neste breve artigo para abordar como os cinco sentidos estão envolvidos na adoração, ou mesmo para explorar todas as dimensões de apenas um desses sentidos. Então, quero considerar apenas uma forma pela qual o sentido visual pode ser impactado, para que os nossos corações sejam movidos a adorar.

Pesquisas rotineiramente nos dizem que as duas razões principais pelas quais as pessoas ficam longe da igreja são porque elas acham o culto chato e a igreja irrelevante. Essas razões, especialmente a primeira, me deixam surpreso. Eu sempre disse que, se o próprio Deus anunciasse que ele apareceria na minha igreja num domingo de manhã, às 11 horas, pessoas compareceriam a ponto de algumas ficarem em pé somente nessa hora marcada do culto. Tenho certeza de que ninguém que viesse a esse culto e testemunhasse a chegada de Deus iria embora depois, dizendo: “Eu fiquei entediado”. Quando lemos os relatos bíblicos de encontros de pessoas com Deus, podemos ver todas as gamas de emoções humanas. Algumas pessoas choram, algumas clamam de medo, algumas tremem, algumas desmaiam. No entanto, nunca lemos sobre alguém que tenha ficado entediado na presença de Deus.

Então, visto que a adoração é, em seu sentido mais básico, um encontro com Deus, como podemos explicar as pesquisas que nos dizem que as pessoas saem entediadas da igreja? Devo concluir que elas não estão experimentando a presença de Deus em nenhum sentido. Isso é trágico, porque se as pessoas não sentem a presença de Deus, elas não podem ser movidas a adorar e a glorificar a Deus.

Um dos elementos que ajudam as pessoas a sentir a presença real de Deus é a forma do ambiente de culto. Eu gostava de perguntar aos meus alunos do seminário, que eram protestantes, se eles já haviam estado em uma das grandes catedrais góticas católicas romanas. Muitos haviam estado, por isso eu lhes pedia para compartilhar suas profundas reações ao andarem por uma catedral. A maioria dizia: “Tive uma sensação de temor” ou “Eu senti a transcendência de Deus”. Isso me dava a oportunidade de mostrar como a arquitetura das catedrais, o formato do ambiente de culto nessas construções, colocava meus alunos no “clima” para a adoração, por assim dizer. É claro, as catedrais foram projetadas para despertar essa exata reação. Grande cuidado e reflexão foram empenhados no projeto das catedrais. Os projetistas queriam um formato que estimulasse nas pessoas uma sensação da sublimidade de Deus, da alteridade de Deus. Eu me entristeço ao ver que os protestantes não costumam ter o mesmo cuidado no projeto das igrejas. Nossos ambientes de culto são muitas vezes práticos. Os templos são projetados de acordo com o design de cinemas ou estúdios de televisão. Tais ambientes não têm nada de errado, mas muitas pessoas testemunhariam que esses ambientes não as inspiram à adorarem da mesma forma que o interior das igrejas tradicionais fazem.

Cabe a nós, penso eu, observar o grande cuidado com o qual Deus deu ao seu povo os planos para o tabernáculo, o primeiro ambiente de adoração. Como o templo que veio em seguida, o tabernáculo era um lugar de beleza, glória e transcendência. Era como nenhum outro lugar  na vida do povo de Deus. Precisamos entender que a arquitetura da nossa igreja comunica algo aos nossos sentidos visuais e, portanto, essa arquitetura pode favorecer ou dificultar a nossa percepção da presença de Deus.


R. C. Sproul: nasceu em 1939, no estado da Pensilvânia. É ministro presbiteriano, pastor da igreja St. Andrews Chapel, na Flórida. É fundador e presidente do ministério Ligonier, professor e palestrante em seminários e conferências, autor de mais de sessenta livros, vários deles publicados em português, e editor geral da Reformation Study Bible.


sábado, 28 de novembro de 2015

Você tem medo de falhar?



Por: Dr. Richard L. Pratt Jr.


Um amigo certa vez me disse: “Meu temor do fracasso tem causado um grande problema entre meus familiares e eu. Eu não passo muito tempo com eles durante a semana. Eu receio tanto fracassar profissionalmente que isso me faz trabalhar dia e noite. Mas também acabo não passando muito tempo com eles nos finais de semana. O temor de fracassar em algo que não estou habituado a fazer absolutamente me paralisa”.

Mesmo se não formos a extremos como o do meu amigo, a possibilidade do fracasso não é algo de que gostamos. Todos nós deixamos de fazer aquilo que devemos fazer. Falhamos em nosso casamento, em criar nossos filhos, em nossas amizades, na escola, em nossas carreiras, na nossa vida de igreja – e, muitas vezes, com consequências devastadoras. Não surpreende, pois, que uma vez ou outra todos nós tenhamos um temor de fracassar.

As Escrituras apresentam uma série de perspectivas cruciais que nos ajudam a lidar com esse desafio. Abordaremos duas facetas do que elas ensinam: por que tememos o fracasso e como o fracasso pode ser uma oportunidade positiva para a esperança.

Por que tememos o fracasso?

Todos nós temos nossas razões pessoais para termos medo do fracasso, mas a Bíblia nos conduz à raiz do problema. Nós temos medo do fracasso porque não fomos criados para ele. Deus sempre está no controle soberano de todos os nossos defeitos, contudo, desde o princípio, Deus não nos criou para fracassar, mas para sermos bem-sucedidos em nosso serviço a ele.

Os capítulos iniciais de Gênesis claramente ensinam essa perspectiva. Em Gênesis 1.26, Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”. E o que isso significa? Nos versículos 28-31, descobrimos que fomos criados para ser bem-sucedidos em uma missão muito importante: “E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai […]”. O restante da Escritura elabora o objetivo dessa missão. Estamos nos preparando para o dia em que Deus encherá a terra da sua glória e receberá louvores sem fim de toda criatura. Fomos feitos para sermos bem-sucedidos nessa missão, não para fracassar.

Por que, então, falhamos tantas vezes? Gênesis 3.17-19 indica que a frequente futilidade dos nossos esforços na vida é a consequência do pecado. A nossa prisão ao fracasso não ocorreu na criação, mas resultou do julgamento de Deus contra nós. Assim, é de todo correto anelarmos por sermos redimidos de todo fracasso e de todo temor que ele traz.

Como o fracasso pode se tornar esperança?

As Escrituras não nos deixam anelando por redenção do fracasso e do temor. Elas nos dizem que Cristo veio em carne e cumpriu cada mandamento de Deus para reverter os efeitos do pecado de Adão. Cristo até mesmo se entregou na cruz como um pagamento pelos pecados do seu povo e ressuscitou em novidade de vida por nossa causa. Era isso que Paulo tinha em mente ao escrever: “Visto que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos” (1 Coríntios 15.21). Como a sua justa recompensa, o Pai ressuscitou Cristo e o fez assentar à sua mão direita. De lá, ele continua a cumprir a tarefa que Deus deu à humanidade no princípio. E, quando ele retornar em glória, ele fará novas todas as coisas. Naquele tempo, Deus encherá a criação da sua glória de tal maneira que “ao nome de Jesus se dobr[ará] todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confess[ará] que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai” (Filipenses 2.10-11).

De que maneira tudo o que Cristo fez pode nos ajudar a tornar os nossos fracassos em esperança? Por um lado, a sua vitória nos livra de toda falsa esperança que tínhamos. Pode parecer estranho, mas o sucesso na verdade cria grandes problemas para as pessoas ao longo da Bíblia. Ele dá à luz as mentiras de que alcançamos a vitória por nós mesmos e de que o sucesso nas coisas desta vida é o que mais importa. Contudo, essas mentiras nunca nos satisfazem por muito tempo. À medida que o tempo passa, elas nos levam a mais terríveis fracassos.

Por outro lado, quando reconhecemos que apenas Cristo foi bem-sucedido em cumprir plenamente o serviço humano a Deus, recebemos a firme esperança de que, um dia, triunfaremos sobre todos os nossos fracassos. A vida, morte, ressurreição e ascensão de Cristo provam que ele derrotou a tirania do pecado e a consequência do fracasso, bem como – e aqui está a grande maravilha – que ele compartilha o seu sucesso com todos aqueles que nele confiam e o seguem. Com essa firme confiança em Cristo, sabemos que todo sucesso nesta vida resulta da sua obra em nós, e não dos nossos próprios esforços. Mais do que isso, mesmo os nossos fracassos nesta vida mantêm os nossos olhos fixos naquilo que mais importa para nós. Em vez de colocar as nossas esperanças nesta vida, depositamos as nossas esperanças no mundo por vir. Lá partilharemos plenamente da vitória de Cristo e nunca mais teremos qualquer temor de fracassar novamente.


Dr. Richard Pratt Jr. : é fundador e presidente do Third Millennium Ministries e professor adjunto no Reformed Theological Seminary em Orlando, Flórida, EUA.


sábado, 21 de novembro de 2015

Servir: o DNA da GRAÇA!


Por Robson Santos Sarmento


‘’Para o seguidor de Cristo, servir não representa algo a ser alcançado, mas a consequência prática de quem trilha pelo discipulado. ’’


Os líderes retratados pela história humana demonstram uma inclinação para terem a condução do destino de muitos. Dou uma pincelada a mais, cada vez mais, encontramos toda uma abundância de enfoques sobre uma convergência entre a denominada liderança secular e cristã, como um divisor de águas para o avanço do Reino de Deus.

Evidentemente, de forma alguma, devemos afastar todo o benefício proporcionado pela criatividade e pela potencialidade, concedido ao ser humano.

Agora, as andanças de Jesus, aqui neste oikos, traçaram outras nuances, em função de sustentar a liderança no amor prático e efetivo, no diálogo ponderador e concreto as situações da vida, como o mais importante, ou seja, reconhecer a relevância de todo ser humano, o valor de terem sido feitos como imagem de uma criação original e não frutos de uma necessidade.

De observar, muitos atrelam o serviço a uma visão pragmática de consolidar a liderança, como um meio para culminar na condição de liderança aprovada e reconhecida; entretanto, será isso mesmo?

Valho – me das palavras de T.W. Manson, a saber: ‘’no Reino de Deus, o serviço não é uma subida de degraus rumo a nobreza, porque ele é a nobreza, o único tipo de nobreza realmente reconhecido’’.

Sem sombra de dúvida, fomos criados com valores intrínsecos, com a capacidade criativa e inspiradora. Destarte, o papel dos seguidores de Cristo passa e perpassa pelo serviço e não pela exploração; por serem respeitados e compreendidos (segundo a palavra) e não manipulados, tratados como marionete, iludidos por promessas fabulosas e mais assemelhadas a sublimados contos do vigário.

Infelizmente, cada vez mais, percebe – se os mosaicos de uma liderança, ao qual faz das pessoas seguidoras exclusivas de personalidades carismáticas, de lideranças, embora, aparentemente, eficientes e eficazes, resumidas a eventos, a simpósios, a métodos, a sistemas e subsistemas, a programas e a estratégias, enquanto as pessoas são retiradas do enfoque fundamental do trabalho da Cruz de Cristo.

Eis os espinhos a serem retirados, diante de um cenário evangélico, por onde pessoas são vistas e tratadas como objetos e não serem humanos, suas vidas integrais depende de um aval ou não dessas lideranças (com quem caso o que compro ou não, faço ou não faço) e, indiscutivelmente, são reduzidas a bonecos adestrados misturados a multidões desesperançadas e alimentadas com um discurso positivista travestido de uma aura divina.

Não por menos, o servir se constitui no DNA da liderança apregoada por Cristo, em função de desmoronar o individualismo escondido numa aparente intimidade e predestinação com Deus, num isolamento das pessoas e da vida para uma hipotética vida de santidade e, por fim, terminam por construir uma biografia egoísta e narcisista, senhor de si mesmo.

Verdadeiramente, o DNA do cristão representa arregaçar as mangas e um complementar o outro, com o agregar e a soma dos aspectos positivos (das potencialidades) e isto envolve e compensam as fraquezas, as fragilidades, as vulnerabilidades, como também traz o desafio de uns prestar constas aos outros, ou seja, relacionamento pautado em uma convivência sobre responsabilidade compartilhada com o outro, não com só com Deus, livra – nos da opulenta ilusão de que nos bastamos, conforme o texto de Provérbios 12.15.

Ademais, o discípulo segue ao seu mestre e, aqui, a ideia fundamental, o coração – útero, a ênfase se encontra no serviço, no DNA DA GRAÇA, João 13.12 – 17; 1 Pedro 5.5; Gálatas 5.13.


Fonte: http://www.ultimato.com.br/comunidade-conteudo/servir-o-dna-da-graca

domingo, 15 de novembro de 2015

Como o conforto do Espírito nos sustenta!


Por Josemar Bessa


Estava olhando hoje um volume de um grande puritano chamado Wilhelmus à Brakel ( 1635-1711 ) – Em sua maravilhosa obra - Christian's Reasonable Service – Publicado pela primeira vez em 1700.

No volume 1, perto do fim do capítulo sobre a Trindade, ele fala sobre as operações do Espírito Santo dentro do crente. Brekel cita seis maneiras como o Espírito Santo nos sustenta com seu conforto:

1. O Espírito nos mostra que a cruz que devemos ter é tão leve que não é digna de ser algo que tire nossas forças ou desanime. Isto torna-se especialmente evidente quando Ele concentra a nossa atenção sobre a glória futura que será em breve nossa: “Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada.” ( Romanos 8.18 ).

2.  O Espírito nos mostra a brevidade do levar a cruz como sendo apenas um momento: “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente” - 2 Coríntios 4:17. Aquilo que ocorreu ontem já não existe, e que virá no amanhã não sabemos. Nós temos o presente meramente que passa tão rapidamente quanto a progressão do tempo. O que é a nossa vida, quando comparada com a eternidade?

3.  Ele nos mostra as vantagens ocultas nas nossas tribulações. Ele nos mostra como ela nos humilha, nos torna submissos, nos desmama do mundo, nos ensina a depender de Deus e confiar nele somente, e como nós crescemos em santidade segundo o testemunho do apóstolo: “Porque aqueles, na verdade, por um pouco de tempo, nos corrigiam como bem lhes parecia; mas este, para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade. E, na verdade, toda a correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela.” - Hebreus 12:10,11

4.  O Espírito nos mostra que nosso caminho é o caminho de Deus - pelo qual Ele leva todos os seus filhos para o céu. Ele nos mostra que tudo flui da vontade soberana de Deus, que Ele exerce com pura sabedoria e bondade, para lidar conosco dessa forma. Junto com isso, Ele nos dá o amor pela vontade de Deus, de modo que estamos de acordo feliz com a Sua vontade, levando-nos a orar, " E, indo um pouco mais para diante, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres... E, indo segunda vez, orou, dizendo: Pai meu, se este cálice não pode passar de mim sem eu o beber, faça-se a tua vontade.” - Mateus 26:39, 42.

5.  O Espírito nos assegura do amor e da graça de Deus em relação a nós e que temos achado graça aos seus olhos. Tal testemunho é suficiente para nos levar a considerar a nossa cruz como insignificante: “E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo.” - 2 Coríntios 12:9.

6.  O Espírito nos mostra que o resultado final de nossas aflições serão coerentes com o que temos vivido hoje. Ele nos mostra que a nossa cruz não vai ser nem muito pesada nem vamos ser obrigados a suportá-la por mais tempo do que o necessário para o intento de Deus. Nada vai nos sobrecarregar, pois Ele estará conosco, mesmo quando tivermos que passar pela água e fogo. Como resultado, os rios vão nos afogar, nem o fogo nos queimar: “Quando passares pelas águas estarei contigo, e quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti.” -  Isaías 43:2


Fonte: http://www.josemarbessa.com/2015/11/como-o-conforto-do-espirito-nos-sustenta.html